Capítulo 8: Allen Belmont



Primeira Parte: As Cartas


                - Allen Belmont, acorde.

                O jovem caçador de vampiros abriu lentamente os olhos, e se encontrou deitado em uma cama extremamente confortável, e em um quarto luxuosíssimo. Estranhando tudo, procurou logo pelo seu fiel chicote. A mesma voz que o acordou disse que estava bem do seu lado. Allen olhou, e viu que um homem curioso estava sentado em um sofá o observando, tinha cabelos encaracolados até um pouco abaixo dos ombros, olhos castanhos bem escuros, de porte médio, e uma feição um tanto enigmática, havia um pouco de sarcásmo no seu olhar, estava completamente confortável sentado ali. O rapaz não demorou a perguntar quem era ele, mas este deu uma resposta pouco esclarecedora.

                - A partir do momento que eu acho que isso não te importa muito, não convêm a pergunta. Diga-me Allen Belmont, por mais que seja essa a sua real pergunta, tem certeza de que é isso o que realmente precisa saber?
                - Onde estou?- depois de demorar uns dois segundos.
                - Hm, isso é uma pergunta mais pertinente, mas ainda não exatamente a que você precisa perguntar, mas mesmo assim hei de responder-lhe. Está em um dos quartos do Castelo, encontrei-o na capela desmaiado e o trouxe para cá afim de recobrar suas forças, vai precisar. Sei que ainda martela na sua cabeça quem sou eu, mas uma coisa posso te assegurar que não sou teu inimigo.
                - É um dos servos de Dracula?
                - Não.
                - É mais uma ilusão desse castelo?
                - Talvez.- disse após uma risada. - Na verdade eu sou uma pessoa que quer muito entender o curso das coisas, eu tento entender o senhor desse castelo, eu tento te entender, eu tento entender toda essa batalha entre os Belmont e Dracula. Mas sempre fiquei confuso, e acho que você seria a pessoa com a cabeça mais aberta para entender, e me fazer entender o que acontece em todos esses séculos.
                - Não há muito o que entender, nasci para isso, e é isso o que eu tenho que fazer.- Allen começou a entrar no jogo do homem, afinal a sanidade já não era mais padrão de raciocínio para o que tinha vivido nesses últimos tempos, já que até mesmo o tempo era confuso dentro do Castelo Dracula.
                - E se resume a isso, esperou a vida inteira só para vir matar Dracula?
                - Sim, assim como meu pai, e o pai dele, e o pai dele, e assim todos. Uma coisa que ele costumava me dizer era...
                - “Seu sangue é seu destino, e não se pode escapar de nenhum do dois.” Eu sei disso Allen, mas acho que não é tão superficial quanto parece.- O homem interrompe.- O destino é avassalador, ele não quer saber de seus planos, de seus sonhos, de sua vida, ele te conduz de modo que o convêm e acabou. E te carrega junto mesmo que você proteste.
                - E não é isso o que acontece? Não têm sido assim há tantos anos? Desde meus ancestrais?
                - Infelizmente estão atados ao seu destino tanto quanto Dracula ao sangue. Se importa de eu te pedir algo que talvez seja indelicado?
                - Modos em situações como a que estamos passando agora, não me é muito útil, não é verdade?
                - Tem razão.- O homem sorriu.- Pois então vou te pedir para que me conte, como foi que soube do destino de sua família, como soube que teria que passar por isso.
                -Eu era jovem quando isso aconteceu, meu pai me contou. Não me lembro bem.
                - Posso ajudar? Com tudo o que está vivendo no presente, meu caro, as lembranças não são prioridade, mas tenho meios de fazer com que se lembre vivamente de como tudo aconteceu.
                - E como fará isso?
                - Somente feche os olhos, pode confiar em mim.

                Allen hesitou um pouco, mas o fez, o rapaz que sentava no sofá pediu para que respirasse fundo três vezes, e olhou fixo para o caçador de vampiros e com uma voz muito calma perguntou:

                - Então Allen, o que vê? Como foi que soube do seu destino?

                Então em transe, começou a narrativa:

                - Eu lembro de casa, estava um dia bonito, ensolarado eu estava brincando com uns cachorros que nós tinhamos, meu pai não estava em casa, tinha viajado para Itália na época, eu não sabia porque, mas saiu sem muito dizer, apenas me afirmou que voltaria logo, lembro de ter perguntando sobre meu irmão, sabia que ele morava lá, e perguntei se iria encontra-lo, e me disse que sim. Mas naquele dia, ele havia retornado, fui correndo para ve-lo, ele estava muito contente em voltar para casa. Perguntei como tinha sido a viagem, como meu irmão estava, pois eu não o via desde meus sete anos de idade, eu já estava um pouco mais velho, tinha treze agora. Disse-me que estava tudo bem, que mandou-me lembranças. Meu pai fazia tudo comigo, iamos caçar, andavamos por toda Romênia, mas uma coisa curiosa sempre acontecia, de tempos em tempo ele recebia uma carta, que o deixava sempre contente, quase sempre. O perguntei o que era, mas ele sempre me dava respostas que não me diziam muita coisa, só respondia que não havia nada para se preocupar. Pela sua fisionomia, não havia mesmo. Até que um dia em que ele estava fora peguei uma de suas cartas para ler. E dizia assim:

                “ Ao Sr. Christopher Belmont.


                Caro senhor meu sogro, sinto-me tão feliz de poder dizer-lhe isso, pois somente a algumas noites passadas eu descobri que sou uma das suas agora. Por favor não se assuste com essa carta tão repentina, hei de explicar-lhe detalhe por detalhe. Me chamo Eleonora, sou casada com um senhor chamado Dario di Firenzi, sabe muito bem quem é não é? Sim seu filho, senhor meu sogro, me encontro em um estado de felicidade tão enorme que não pude deixar de conter a minha curiosidade, assim que soube que casei-me com um Belmont, entrei escondida no escritório de Solieyu e procurei alguma coisa que me mostrasse alguma coisa de seu passado ou de suas raizes, demorei uns dias para finalmente encontrar algo que me levasse a um de seus parentes, encontrei um diário que ele mantinha, e uns papéis com umas cartas que o senhor mesmo enviara, fiquei realmente emocionada com o carinho que tem por ele, não se preocupe, hei de cuidar bem de seu filho que agora é meu tão amado marido. Infelizmente não converso muito com ele sobre isso, ele não gosta, não sei quais são os motivos, mas deve ser muito importante para ele, ou até muito doloroso. Pelo o que vi de suas cartas, ele não te manda muitas respostas, pois não se preocupe vou te deixar a par de tudo o que acontece conosco daqui para frente. Gostaria muito de conhece-lo, olhe, vou mandar um endereço junto com esta carta, para que me mande uma resposta, e assim poderemos manter contato.

Com muitos carinhos de sua NORA


Eleonora B. Belmont”

                Eu mal podia acreditar, Solieyu estava casado, fiquei feliz de saber notícias dele e logo fui tomado por mais curiosidades e abri mais outras cartas que meu pai já havia lido.

                “Ao meu estimado sogro,

                espero que esteja tudo bem, com você e seu outro filho Allen, Solieyu sabe da existência de um irmão? Aposto que se não soubesse ficaria muito contente em saber que tem um, tenho pensado muito, o que acharia de um neto, para o seu clã? Tenho que conversar com ele antes, às vezes parece-me que não quer, mas tenho fé que tudo dará certo, torça por mim.

Da sua nora

Eleonora B. Belmont”

                “Ao meu querido sogro Christopher Belmont,

                meu querido sogro e muito amigo, fico muito contente a cada resposta sua, tão cheia de carinho e estima por nós dois, sei o sofrimento que deve passar por não poder compartilhar conosco uma família, mas tenho certeza, que um dia estaremos todos juntos, e quando isso acontecer daremos uma enorme festa! Falei com Solieyu sobre ter um filho, e nossa fiquei muito surpresa com tamanha felicidade, achei que não ia querer. Pois tenho estado muito preocupada com ele, os pesadelos dos quais eu te falei em uma das cartas estão constantes, e ele continua a dizer que renega o nome, já o acordei duas ou três vezes na noite passada, o que será que o assombra tanto? Ele vive falando em maldição, que Deus nos proteja eu não quero nenhuma maldição entre nós. Isso realmente me preocupa pois somos muito felizes. Reze por nós, vou fazer o mesmo.

Com carinhos, sua nora

Eleonora B. Belmont”

                “Querido sogro

                não sei o que dizer sobre sua última carta, prometo não contar nada ao meu marido, mas não consegui dormir, então é isso da maldição que tanto fala? Será que é possível que isso possa nos prejudicar? Estou muito preocupada agora, tenho rezado todos os dias pedindo proteção. Minha mãe está passando bem, fomos para cidade hoje, e fizemos umas compras, precisa de alguma coisa? E Allen como está? Mande-lhe um abraço.

Sua nora (nunca canso de me entitular!)

Eleonora B. Belmont”

                Infelizmente não me lembro de ter todas as cartas em seqüencia, fiquei ávido em procurar todas, pois queria saber de alguma pista que me levaria a tal maldição. Mas foi em vão, apenas mais cartas, umas que realmente me deixaram pensante.

                “Ao vovô Belmont!

                Sim, fui ao médico e ele disse que estou grávida! É o dia mais feliz de toda a minha vida, finalmente o fruto de nosso amor chegou, temos um nome, será chamado de Juste Belmont! Gostou do nome? É um crime que saiba dessa criança apenas por cartas, o senhor virá nos visitar, vou conversar com Solieyu a respeito disso. Ele vai ter que encarar quem realmente é, afinal somos o que somos não é mesmo? Pode ficar calmo, conhecerá seu neto, e poderá trazer Allen também. Espero sua resposta

                Sua nora e agora também MAMÃE

Eleonora B. Belmont.”

                “Querido sogro

                Peço que me dê conselhos não sei mais o que fazer, os pesadelos persistem, eu não consegui conversar com ele ainda, estou desolada, e o medo está começando a tomar conta de mim. Ele fala coisas horríveis a noite, e repete sempre o mesmo nome, que me arrepia a cada vez que eu escuto, Dracula, Dracula! O que eu faço, já fazem meses que Solieyu não dorme bem, estou muito preocupada, temo por sua saúda, está ficando abatido, tem se tornado muito calado ultimamente, tenho certeza que é por causa dos sonhos. Espero sua resposta.

Sua nora

Eleonora B. Belmont”

                Depois me lembro que as cartas pararam de vir, meu pai tinha viajado uns tempos, mas voltara logo sem dizer muita coisa. Também não me dissera onde tinha ido, mas tenho certeza que foi ver Solieyu e sua mulher Eleonora, talvez porque o menino tinha nascido, não sei ao certo, mas boa parte de meus dias fiquei pensando nisso, quando chegou uma carta endereçada ao meu pai, que me alarmou, quando chegou eu não a abri, mas esperei que ele o fizesse, notei que pela sua expressão, ele tinha ficado muito sério, e pôs o rosto por entre as mãos, pegou a carta dobrou-a novamente, e guardou em uma gaveta, no dia seguinte quando havia saído corri e fui pegar a carta e logo li.

                “Meu caro sogro,

                estou aterrorizada, temo por Juste e por toda a nossa família, algo de terrível aconteceu hoje, fui rezar como sempre faço, quando todas as velas de nossa capela apagaram-se. Olhei para os lados e não havia ninguém, me levantei e fui acender as velas novamente, quando algo de monstruoso aconteceu, uma imagem enorme de Jesus Cristo na cruz que ficava na parede do altar, girou e ficou de cabeça para baixo! Fiquei muito espantada, e olhei em volta, todos os quadros sacros estavam de cabeça para baixo, e uma bela estátua da Virgem santa segurando o menino Jesus no colo, começa a sangrar pelos olhos, e da criança, sai sangue pelos ouvidos e pescoço, não pude conter os gritos assim que eu ouvi, tenho certeza que eu ouvi alguém me dizer o nome Dracula! Saí correndo gritando pela casa toda procurando Solieyu, voltei com ele para a capela e aos prantos falei para ele olhar, mas não havia nada! Estava tudo como antes, será que estou ficando louca? Ou a maldição caiu sobre mim também? Que Deus nos proteja, que livre Juste disso, é apenas uma criança! Tenho muito medo meu querido sogro! Vou tentar dormir um pouco estou muito abatida, espero que tudo esteja bem com você e com o jovem Allen.

Sua nora (muito horrorizada)

Eleonora B.Belmont”

                Aquilo com certeza tinha me deixado preocupado, tinha que perguntar ao meu pai o que era aquilo tudo, o que isso tinha a ver com a gente. E quando retornou foi exatamente o que fiz, ele chegou e logo o perguntei:

                - Pai para onde vai tanto, todos dias?
                - Como assim meu filho?
                - Você sempre sai sem falar nada, muitas vezes fica dias fora, não entendo...
                - Ora, Allen, que preocupação mais tola, meu filho, manter uma fazendo como a nossa, não é algo que se vem sem esforços eu saio em negócio, você acha que as coisas caem do céu?
                - Resolve negócios com Roberts, que não sabe nada dessas coisas?
                - Bem, ele aprende, mas por que dessas perguntas tão repentinas, Allen?
                - Porque acho que está mentindo para mim.
                - Mentindo para você?- ele ficou surpreso.
                - Pai, olhei em suas coisas, somos uma família religiosa, claro, mas para que estacas, facas e machados, bíblias e mais bíblias no depósito, os crucifxos são aos montes! Para que tudo isso?
                - E com que permissão foi olhar em minhas coisas?- disse ficando sério.
                - Por que não me responde?
                - Não tenho tempo para isso Allen, tenho muitas coisas para fazer.- e foi começou a andar para o seu escritório.
                - Dracula!- eu disse alto.

                Por um momento meu pai parou, e virou-se para mim com uma expressão assustada.

                - O que foi que disse?
                - Dracula!-repeti. - Quem é Dracula? Porque Solieyu renega o nosso nome, o que é essa maldição que Eleonora descreve nas cartas, por que eu nunca soube delas? O que está ocultando de mim, pai?
                - É melhor contar tudo Christopher. - disse Roberts entrando em casa.


Segunda Parte: O Caçador de Vampiros. (continua a narrativa)

                “Depois me lembro que eu, meu pai, e Roberts sentamos em uma mesa em casa, e conversamos a noite inteira até o outro dia sobre isso...

                - Allen o que eu vou te contar, é capaz de mudar a sua vida daqui por diante. Então eu vou perguntar apenas uma vez, e terá que me responder, e fará um juramento, o mesmo juramento que eu fiz, que meu pai fez, que meu avô fez e assim todos os nosso ancestrais com o sobrenome Belmont. Allen Belmont, dará sua vida, seu sangue e sua alma ao conhecimento do inferno e do paraíso, ao conhecimento do desconhecido, da luta entre a luz e a escuridão, ao fato que uma vez que derá o passo adiante jamais poderá olhar para trás?- meu pai me perguntou.
               
                Eu não respondi prontamente, eu tinha hesitado alguns segundos, aquilo era muito estranho, achei realmente que fosse um tipo de brincadeira, mas olhei para Roberts e ele estava sério, meu pai também estava, ele me olhava fixamente nos olhos, senti um leve arrepio, mas então finalmente respondi.

                - Sim.
                - Então de agora em diante, você é um caçador de demônios e vampiros. Allen, eu não sei ao certo como tudo isso começou, mas sei que somos o que somos desde o início dos tempos, os verdadeiros Belmonts foram os senhores de todo o nosso clã. Temos um livro relatando a nossa história infelizmente os relatos dos dois verdadeiros caçadores de vampiros, são um mistério. Não se sabe se é verdade que houve um caçador de vampiros antes de uma mulher chamada Sonia Belmont.
                - Mas por que “verdadeiros Belmonts” pai?
                - Isso eu não sei meu filho, mas é o que diz no livro, com os relatos da mulher, e depois com o que diz sobre Trevor, ele realmente deixa isso bem claro, mas também sem explicar o porque. O nome que você me disse a pouco, Dracula, é o motivo pelo qual eu acredito que existimos. O livro nos mostra que é o nosso dever impedir que Dracula volte a vida, e se o fizer teremos que impedi-lo de reinar o mundo com a sua força malígna.

                Perguntei quem era Dracula, e ele me contou quem era, um ser tão vil e monstruoso que realmente fiquei receoso e até certo ponto arrependido de ter feito o tal juramento. Daí ele me contou da sua luta contra o conde que havia raptado meu irmão, me falou da Vampire Killer, mas até então eu não podia vê-la ou sequer tocá-la. Ele me disse que eu deveria passar por um treinamento, um treinamento rigoroso que muitos de nossos familiares não passaram nos testes. Eu teria conhecimentos que ninguém jamais teve, treinaria a mente, a alma e o meu corpo. Aprendi matemática e física de uma forma que muitas leis que se aprendem na escola são de fato erradas, mas seria permitido a mim passar esses conhecimentos para qualquer pessoa que não viesse a se tornar um caçador de vampiros. Levei anos para aprender aquilo tudo, meu pai era muito rigido, e às vezes muito cruel, mas nada podia fazer com que eu desistisse, aprendi alquimia de todas as partes do mundo, e adquiri conhecimentos do que os olhos não podiam ver e muito menos crer, até certo ponto eu não sabia onde isso tudo poderia ser-me útil, mas foi quando eu comecei a me preparar fisicamente foi quando tudo se tornou mais árduo. Até que finalmente eu tive o dia de minha prova como caçador.

                - Allen, terá sua chance de provar que pode mesmo honrar o nosso nome, se seguir o destino ao qual cada um que possua o nosso sangue correndo em suas veias é fadado. Hoje a noite eu partirei em uma viagem, e só voltarei quando tiver passado no teste. Não vou te dizer o que fazer ou como fazer. Serei-lhe muito franco, poderá morrer e é só isso. Que Deus o proteja. Antes de que eu vá, venha comigo.

                Meu pai me levou ao depósito onde haviam todos os instrumentos que depois eu aprendi que eram para combater as criaturas das trevas. Em meio a tudo aquilo havia um baú vermelho com detalhes dourados, e um anjo de asas fechadas cobrindo o seu corpo, desenhado. Não havia chave para abrir. Ele disse para que eu o abrisse, tentei tudo o que pude, mas não se mexia de forma alguma. Olhei para ele, mas se recusou a me ajudar, tentei de tudo, peguei um machado e golpeei, mas nada. Eu começava a me irritar, e chutava o baú querendo que ele abrisse de todo o jeito, peguei-o e taquei no chão, mas continuou intacto, meu pai ria da minha cara como se estivesse zombando de mim.

                - Essa droga simplesmente não abre!
                - Eu te fiz um caçador de vampiros, mas infelizmente deixe de ensinar-lhe bons modos. - disse rindo.
                - Ora, papai, pare com brincadeiras, como faço para abrir essa porcaria?
                - Eu não te ensinei a olhar para as coisas como um indivíduo e não como um objeto?
                - Sim, mas...
                - Como se consegue algo de um indivíduo que contém algo que você deseja?- me interrompeu.
                - Pedindo...
                - Exatamente, pedindo. Apenas peça.

                Olhei para ele, e depois me voltei para o baú e disse “Abra!” mas mesmo assim, nada aconteceu então novamente fiz a mesma coisa com o exatamente o mesmo resultado.

                - Concentre-se Allen.

                Respirei fundo, fechei os olhos, depois senti algo passar pelo meu corpo, era quente e confortável, estendi a mão e abri os olhos, vi que em torno de meus dedos e na minha mão por inteira havia uma luz azul bem forte, e por fim o baú foi abrindo e de lá saiu, era explendido finalmente tinha posto os meus olhos na Vampire Killer, o chicote que já foi usado por todos os meus ancestrais e que tinha enfrentado Dracula tantas vezes, veio parar em minha mão e pude sentir o seu extremo poder. Não era apenas da arma que segurava que sentia tal força era em mim como um todo.

                - Allen Belmont, você agora é um caçador de vampiros.- brandou meu pai.

                Mais tarde, meu pai saiu em viagem e fiquei meio sem saber o que devia fazer, mas estava tão orgulhoso do que eu havia me tornado no momento e de repente senti uma enorme sensação de responsabilidade nas minhas mãos que isso de alguma forma mudou algo em mim. A noite ia caindo, com a lua cheia iluminando a tudo em seu completo esplendor e fui dar uma volta pela cidade, eu parei em uma taverna para beber alguma coisa, eu conhecia a todos, e como sempre não cheguei no lugar sem que eu tivesse que comprimentar a todos. Cheguei no balcão e pedi algo para beber, como o treinamento tinha durado anos, eu já era maior de idade. Fui olhando a todos alegres e conversando, uns valentões rindo alto e zombando uns dos outros, mas de valentões só tinham as suas vontades, eram todos homens de bom coração. Então reparei que tinha um homem num canto bebendo e chorando no canto, eu não o conhecia, sei que era um dos fazendeiros da região, perguntei para o meu amigo do balcão conhecido de longa data o que havia com aquele senhor.

                - Ah jovem Allen, aquele homem é um pobre coitado, sua vida foi desgraçada por uma doença desconhecida. Sua filha de apenas sete anos e sua mulher morreram da mesma coisa.
                - Não me diga! O que houve?
                - Bem, parece que as duas de uma hora para outra começaram a ficar pálidas e muito fracas, e morreram assim, a menina foi a primeira a morrer, sua mulher morreu um mês depois.
                - Meu Deus...
                - É, mas vou te contar uma coisa, elas não são as primeiras pessoas que morrem dessa forma, houveram vários casos parecidos, um tanto misteriosos eu diria, o mais curioso é que somente mulheres sofrem de tal enfermidade.

                Depois daquele momento eu não pude me conter a não ser pensar no que eu acabara de ouvir, eu não sei realmente o que havia acontecido, eu senti como se algo tivesse me sacudido por dentro. Fiquei lá mais um tempo observando aquele senhor de aparência abatida, estava terrivelmente pálido e calado sentado em sua mesa sem olhar para ninguém e muito menos falar. Cheguei a pensar uma hora em ir trocar umas duas palavras, mas achei melhor que naquele momento ficasse sozinho em seus pensamentos. Tenho para mim que foi o primeiro momento em que eu me senti alguma coisa em relação ao meu clã. Eu nunca tinha ouvido falar em tal doença antes, é claro que tinha um leve foco de peste negra nas redondezas, mas mesmo assim.
                Depois que eu saí do bar fui caminhando para casa, a lua estava imensa se escondendo por trás de algumas núvens que ficavam cinza escuras, o vendo , eu lembro bem batia de leve no meu rosto. Foi quando de repente eu ouvi uma voz ecoando pelas paredes e pelo ar. Parecia estar cantando alguma coisa, me detive alguns momentos. O frio da noite foi se intensificando mais ainda e a névoa apareceu por de trás de umas árvores. Meu coração acelerou naquele momento, senti que então eu segurava o meu crucifixo sem saber. Procurando de onde vinha aquela foz misteriosa fui me levando na direção de uma casa que não ficava a mais de vinte passos diante de mim. Foi ali que eu senti que o frio era mais intenso, que era quase mortal, esfreguei os meus braços para me dar mais calor, umas vozes sussurravam nos ares perto da casa, por mais que fossem baixas, parecia que haviam milhares delas ao mesmo tempo. Minha mente logo me alertou que ali era o palco de alguma coisa estranha. Me pus de frente para janela, e encarei dentro da residência, não havia nada além de breu.
                Apertei os olhos forçando minha vista a tentar enxergar o que poderia estar ali. Mas nada. Absolutamente nada. Foi aí que eu simplesmente pulei para trás num susto que quase me fez desmaiar, sem aviso um par de olhos vermelhos e grandes apareceram do outro lado do vidro, flutuando com dois minúsculos pontos pretos a me encarar. Me afastei uns dois passos, e algo saltou de lá de dentro.
                Uma mulher de vestido vermelho e cabelos de igual cor se estendia diante de mim. Um sorriso maléfico e totalmente malicioso tomava conta de seus lábios.

-         Então és tu o novo herdeiro dos Belmont.

                Não respondi de imediato, pois ainda estava com o coração palpitando na garganta. E antes que eu pudesse me mexer, saiu da porta da casa uma criança pálida como a lua, os olhos revirados e o pescoço escorrendo rios de sangue.

-         Está com fome criança? - a mulher pergunta para a menina que ficava ao lado dela.

                A garotinha fez um sinal que sim com a cabeça.

-         Pois muito bem, divirta-se!

                A menina abriu a boca e dois caninos enormes apareceram em sua boca! Ela parecia uma animal, rugiu como um cão e saltou em minha direção, antes que eu pudesse levar o bote, rolei para o lado me esquivando do primeiro ataque, foi aí que eu percebi que eu havia saído sem o meu chicote. A mulher que estava do lado também agiu da mesma forma, estendendo o braço a fim de me agarrar e triturar o meu pescoço. Corri para tentar me salvar, ainda pensando no que eu deveria fazer, estava muito assustado, era uma batalha real, não era apenas o treinamento que eu havia recebido durante anos e anos. As duas tinham uma velocidade incrível. Fui me levando para o meio das árvores, onde era muito mais escuro, e então percebi que estava sozinho, de alguma forma as duas pararam de perseguir. Aquilo não o suficiente para que eu mantivesse a calma, aliás, muito pelo contrário, fiquei desesperado olhando para os lados querendo descobrir onde elas teriam ido.
                De repente sinto duas mãozinhas agarrarem o meu pescoço com força me levando até o chão! A menina havia pulado em cima de mim de onde quer que estivesse. Segurei ela pela garganta a fim de mantê-la longe de mim. Lembro que eu pensava que eu não poderia machuca-la, pois era apenas uma criança, não tinha noção do que estava fazendo. Uma de suas mãos escorregaram para a minha cintura e ela gritou horrivelmente de dor aguda. A garota voou para trás com a mão fumegando, uma marca profunda, preta e queimada em forma de cruz tinha se desenhado na palma de sua mão. Foi quando pela primeira vez ela olhou para mim numa expressão de raiva ou ódio, arfando com os olhos cheios de lágrimas. Me levantei e a observei, sentindo piedade pela criança.
                Não durou muito tempo, porque a outra havia saltado para cima de mim, fazendo com que a menina também se levantasse na minha direção. Agarrando-me pelo pescoço, o que logo eu notei ser uma vampira, gritou para a menina que ela não se demorasse, para que viesse logo. A garotinha correu e abriu a boca perto do meu rosto, os caninos pontiagudos salivavam. Com uma de minhas mãos livres eu consegui pegar a minha cruz e encostei no abdômen da mulher que urrou de dor, enquanto uma fumaça branca e azul saiam dela. Com o joelho a joguei para o lado e tentei me levantar, a menina tentou me impedir e mostrei mais uma vez a cruz para ela, que logo virou o rosto e berrou em fúria.
                A vampira ainda se levantou com fumaça saindo de seu corpo.

-         Maldito Belmont! Maldito seja!

                Ela veio em mais uma investida, foi aí que naquela fração de segundo eu me lembrei do que meu pai havia me ensinado, então joguei a cruz para o alto e disse algumas palavras em latim, a mesma girou no ar e uma luz branca saiu iluminando tudo. Jamais me esquecerei dos gritos de dor e horror tanto da mulher quanto da menina. Depois que tudo terminou, a escuridão tomou conta da floresta. Apenas os esqueletos permaneciam no chão. Lembro que fiquei um mês com aquela imagem grotesca, os pequenos ossinhos escurecidos da menina no canto de uma árvore com a boca aberta. Meu pai ainda tentou me consolar dizendo que ela já não era mais humana. Mas mesmo assim. Acho que é uma coisa que ainda me assombra.

Terceira Parte: A Noiva Nos Corredores.


                - Abra os olhos Allen. – disse o homem estranho que estivera ao seu lado desde o início e o fim de sua narrativa.

                Allen abre os olhos que percorrem rapidamente para ter certeza que estava no mesmo lugar de antes. Se virou para o outro homem do seu lado que o fitava com um sorriso.

                - Agora acho que entendo um pouco o lado que percorre... esse seu... “destino”, não é isso? Me diga Allen, o que fez você continuar a sua busca, mesmo depois de ter visto aquela criança queimar diante de seus olhos?
                - Vi que algo que pode fazer um mal tão grande quanto fizeram com aquela criança, tem que ser impedido.
                - Entendo. Pois muito bem, eu vou indo então, seu chicote está no sofá ao seu lado junto com o resto de suas coisas. Eu coloquei uns adereços junto com suas cruzes e águas bentas.

                Allen se levantou finalmente se sentindo totalmente revigorado. Olhou para o sofá e sua arma sagrada realmente estava lá, ao lado da água benta e a cruz que usaria no resto de sua mortal jornada dentro do Castelo Dracula, haviam pequenas esferas luminosas. Ele se virou para o homem e perguntou para que serviam.

                - Experimente joga-las em alguma coisa. Mire em um alvo e as atire.

                Allen ainda se demorou um pouco nas esferas e pegou uma, sem falar nada se virou para uma parede, ainda deu uma fitada no homem que acenou afirmativamente com a cabeça. Então o caçador de vampiros ergueu o braço, um movimento para trás e outro para frente, assim que abriu a mão para largar a esfera, ela se transformou em algo grande, com uma haste de madeira curta, uma placa de ferro parecendo uma meia lua ficava na ponta, com um desenho na borda. A esfera se tornou em um machado pesado e totalmente ameaçador que foi girando e girando pesadamente, porém com uma velocidade incrível fincando-se na parede. Os olhos do caçador dobraram de tamanho.

                - Nossa! Isso é... – disse se virando para o homem que não estava mais lá. – fantástico...

                Allen girou nos calcanhares mas estava realmente sozinho naquele quarto luxuoso e muito confortável. Então na sua mente veio uma pontada de pensamento, tinha perdido tempo demais naquilo, teria que voltar para fora, teria que destruir Dracula. Apanhou sua Vampire Killer nas mãos e o resto das armas sacras na cintura. Colocou a mão na maçaneta ainda receoso, mas girou-a a porta abriu. Um vento gelado entrou no lugar, fazendo com que seu cabelo balançasse e o resto do seu corpo também. Mal saiu da quarto e a porta fechou-se. Se deparou então com um corredor escuro, com carpete vermelho sangue de um luxo e beleza sobrenaturais. As paredes eram de igual cor, embora não tivesse como ver as coisas, podia ainda assim notar certos detalhes aqui e alí. Não sabia que direção tomar, estava em um lugar muito diferente antes de parar ali, não sabia como também havia parado naquele quarto. A única coisa que lembrava era da...
Venha e beije-me meu amado!
Noiva, aquele defunto ambulante horrível com um cheiro de podre, a face seca e cinza, os olhos vazados. A imagem do puro horror com o vestido em trapos caminhando debilmente em sua direção.
Venha e beije-me meu amado!
                A imagem horrenda não saia da cabeça de Allen Belmont. Ele gostaria muito de não encontrar com ela novamente. De não sentir mais o que sentiu antes de perder os sentidos. Um medo tão concreto e avassalador como se houvesse sido atingido por um raio. Não que ele houvesse sido atingido por um antes, mas era a única definição que poderia encontrar para aquilo. E antes que ele pudesse continuar divagando sobre comparações uma silhueta apareceu no final do corredor. A mão do guerreiro apertou firme a Vampire Killer em seu poder.
Venha...
Venha meu amado...
                Ele apertou os olhos para poder ver melhor embora sua mente sendo sufocada tentava dizer-lhe do que se tratava, ele bem sabia o que era. Foi então que aquilo começou a andar com uma certa dificuldade em sua direção. Do mesmo jeito que sua mente havia dito. Um passo para trás, Allen estava com medo. Era a Noiva novamente que agora abria os braços a fim de te-lo novamente, de querer...
Beije-me, beije-me meu amado. Beije-me e morra! MORRA!MORRA!
                A boca do jovem secou enquanto aquilo caminhava com dificuldade, mas menos que antes. Será? Será mesmo que estava menos que antes, provavelmente seria só a imaginação, é o medo fazia com que ele imaginasse coisas. Mas com certeza estava diferente, não estava mancando mais, será mesmo? Não, que absurdo, era... era... é... um difunto, mas ainda assim... Allen arregalou os olhos e viu então que a noiva estava flutuando e vindo em sua direção com extrema velocidade. Enquanto ela chegava perto a sua boca horrenda abriu e então mil vozes de gritos e choros, de pedidos por clemência saíram de dentro. O vento gelado vinha junto com ela, o terror ia subindo na espinha do Belmont a cada centímetro que ela ia se aproximando. Horrível, estava sendo horrível.
                Allen então correu o mais rápido que ele pôde, ele tinha enfrentado coisas mais horríveis lá fora, como um simples morto vivo o fazia correr? Como podia ser possível?
Venha
Venha meu amado
Venha e beije-me.
                Olhou para trás mais uma vez e aquilo ainda estava perseguindo-o. Estava com seu chicote na mão, porém não conseguia se lembrar que poderia usá-lo para derrotar aquilo. Allen estava com medo, estava aterrorizado, por que? Por que? Foi quando ele olhou para frente novamente, havia chegado no final do corredor e notou que estava muitos andares acima, a velocidade com que ele corria era tanta que não conseguiu parar, havia um parapeito, bateu sua barruga e mesmo assim o corpo foi pra frente, a cabeça pesou e ele começou a cair, um movimento rápido e chicote agarrou no parapeito, ele balançou e bateu com a costela em uma gágula chifruda que havia embaixo do assoalho. Urrou de dor mas mesmo assim não soltou o chicote, olhou para baixo e não viu nada a não ser o breu. Se virou para cima lá estava ela, com o véu tampando aquele rosto seco e morto, a face deformada pela morte. Foi então que ele se iluminou, sabia agora por que sentia tanto medo. Quando a Noiva havia tocado nele na igreja, ele sentiu que iria morrer da forma mais cruel e de uma dor que seria inacreditável até para os imortais ou deuses. A sensação de morte era concreta. Era por isso que ele estava com tanto medo. Era por isso que estava horrorizado e aterrorizado. Porém não podia ficar ali por muito tempo, ia cair se não fizesse alguma coisa.
                A coisa colocou suas mãos retorcidas na Vampire Killer a fim de puxá-lo de volta, mas logo soltou com um grito agudo e horrível de dor, suas mãos fumegavam. Allen tinha que sair dali, tinha que enfrentar aquilo, não podia sentir mais medo, não devia sentir mais medo, teria que ser bravo, pois sua coragem acabaria com o medo de muitos inocentes de sua cidade. Com a outra mão ele se sengurou mais firme no chicote e lentamente foi subindo, apoiando-se no parapeito a Noiva se inclinou para ficar cara a cara com o Belmont, iria beijá-lo. Allen se esforçando para deixar o medo de lado, tal qual parecia um rinoceronte com as patas enraizadas na terra, com muito esforço e evitando olhar sempre para a Noiva, pegou um frasco de água benta e jogou na cabeça da criatura. O véu se desintegrou como fumaça. Ela colocou as mãos no rosto e gritou flutuando para trás e entrando em uma porta. Allen finalmente subiu e pôs de pé novamente.
                Passou a mão nas costelas, estavam doendo muito da pancada. Olhou para os lados, se certificou de que não havia ninguém. Derrotou a Noiva, finalmente, não teria que enfrenta-la nova...
                Ela saiu de uma porta pulando em cima dele, que gritou horrores. O seu corpo ardia em choque, era como se uma enorme carga elétrica de medo corresse por todo o seu corpo. Não havia mais nada em sua cabeça agora, a não o ser o simples fato de que ia morrer. Ele iria morrer, não tinha como correr, não podia se mexer nem nada mais, a coisa estava vindo ao seu rosto.
Me beije! Me beije!
                Ela ia dar-lhe o beijo da morte, seria mais uma alma que correria pelos corredores de Castlevania para toda a eternidade. Ele não queria olhar, ficava de olhos fechados e virava o rosto para aquilo que com seus detos tortos e secos, agarrou o seu rosto e fez com que ele a fitasse diretamente. A outra mão apoiou no meio de seu peito. Foi aí que o grito que uma vez foi agudo se tornou grave e gutural, uma fumaça branca saiu em abundância. Novamente ela voou para trás, Allen pôde se levantar no segundo seguinte ainda arfando, então a Noiva entrou em outra porta. Allen olhou para todos os lados e algo fez com que ele aumentasse o horror que estava sentindo. Não havia mais um fim. O Corredor não tinha mais fim, nem de um lado como de outro, como já estivera antes. E todas aquelas portas, infinitas portas por onde a Noiva poderia sair. Ele não se arriscou e entrar por nenhuma delas, pois ainda dizia que se ele entrasse em qualquer lugar, não sairia mais.

                - Allen, acalme-se. Você não pode ter medo! Você não deve ter medo! Todos estão contando com você!

                Então ele começou a correr em uma direção, e algo de assustador aconteceu a medida que ele ia passando as portas iam se abrindo atrás dele, e uma Noiva do mesmo jeito que ele havia enfrentado ia saindo. Allen tentou com todas as forças não deixar o desespero tomar conta e continuar correndo, não podia se entregar dessa forma. Mas parecia que a cada vez que tentava se convencer de que tinha que ser forte, a palavra Morte ia se tornando cada vez mais concreta em seus pensamentos. Tirou um frasco de água benta e olhando para trás jogou nas Noivas que iam atrás dele, voando e esvoaçando os seus vestidos. O pequeno frasco azul se partiu quando bateu em uma delas e fez com que ela caísse em chamas da mesma cor. A outras que passavam por aquela que havia sido exterminada também pegavam fogo pois passavam por ele. Allen então pensou que se fizesse chover água benta ali dentro conseguiria destruí-las. Mas como fazer para ter tal distância a fim de ter tempo para falar as palavras mágicas, se parecia que a cada passo que ele tava uma brotava de uma porta?
                Tentou correr mais rápido ainda, para que desse tempo de ele ter uma certa distancia de quando as noivas saíssem das portas. Ela vinha depressa também, todas de braços erguidos, o cheiro de podre tomava conta do corredor sem fim. Allen finalmente viu que tinha uma distância boa de todas, jogou o frasco para cima e então disse as palavras que eram usadas pela sua família por séculos. Gostas incessantes de água benta caíam furiosamente. As Noivas iam caindo como bonecas velhas no chão em chamas azuis. Allen então jogou outro frasco e novamente fez o ritual, e mais água caia em cima daquelas mortalhas vivas. Um alivio voltou ao seu peito, agora as veria ser destruídas, e de um instante para o outro, o corredor ficou todo em azul por cousa das chamas. E logo em seguida não existia mais nada. Só existia ele e o corredor sem fim. A chuva ainda caía, ele fez conchas com as mãos e deixou que um pouco da água se juntasse para que pudesse beber.
                Seu cabelo se mexe por conta de uma baforada fria que havia recebido no pescoço. Allen se vira, e encontra então com a Noiva atrás dele, maior com uma cara mais deformada e ainda assim demoníaca. Era ela finalmente! Era ela quem dava tanto medo, e agora o seu vestido era negro. Allen congelou de medo, estava apenas a milímetros de distância daquela coisa. Ela levantou a mão e colocou no coração do rapaz, uma luz vermelha e um choque fizeram com que o caçador de vampiros voasse alguns metros para trás. Ele ainda se contorceu de dor, parecia agora que ele ia morrer mesmo. A dor era enorme, de uma extensão que nenhum ser humano poderia descrever, era como se o seu coração estivesse sendo espremido sem dó para meio centímetro. O corpo todo formigava e ardia. A musculatura estava rígida. Enquanto isso ela vinha, calmamente para o seu encontro, vinha para matá-lo, vinha para beijá-lo finalmente.
                Allen se virou no chão, seu corpo poderia pesar quarenta cavalos e o braço teve que aguentar esse peso o mais rápido que fosse possível para que então ele ficasse de pé novamente. Ela vinha chegando mais perto, a Noiva ia pegá-lo, ia agarra-lo para nunca mais soltar, levaria-o para a eternidade que jamais ninguém sonhou, para um inferno que ninguém conhecia. Foi quando sua cabeça violentamente dobrou para a esquerda, um som agudo e uma fumaça azul saiu pelo lado. Mais outro estalo, e a cabeça foi para o outro lado. A criatura gritava a cada estalo que fazia. Se dobrou para frente e outra fumaça saía de sua barriga. Um braço caiu em outro estalo. Allen estava chicoteando-a sem parar. E não ia parar enquanto não visse a maldita se desfazer na sua frente. Começou uma, duas, três vezes golpeando. Agora um sorriso um tanto sádico apareceu em seu rosto. Um grito distorcido saiu da boca da Noiva, parecia uma grito amedrontado, pedia então por misericórdia, as milhares de vozes que vinham daquela boca pediam por perdão, para que o guerreiro parasse com isso, falavam que doía, que ele pelo amor que ele tinha a Deus parasse com isso. Mas Allen não ouviu um só pedido. Não quis saber de mais nada, e a chicoteou várias vezes, ela se ajoelhou estendendo a mão com último recurso de salvação, mas esta foi arrancada fora com outro golpe. A noiva foi sumindo em meio a chama que saia de seu corpo, ela estava morrendo, Allen não parou de chicotear, ela caiu como uma boneca de pano de lado no chão. E mesmo assim o Belmont não parou. Não queria parar, não ia parar até que tudo estivesse realmente, REALMENTE..... acabado.
                E não restou mais nada da Noiva, e então o corredor voltou a ter fim, e ele se deparou com uma porta, onde haviam umas heras pregadas em sua madeira. Ele caminhou em direção a porta. Ainda deu uma última olhada, mas a noiva não estava mais lá. Pegou na maçaneta e a girou para contemplar uma lua cheia vermelho sangue nos...