Capítulo 3: Nos Domínios do Conde Dracula.
Primeira Parte: A Floresta de Sangue.
Allen segura a sua Vampire Killer que está presa na cintura e dá os primeiros passos para entrar nos domínios do castelo do vampiro mais poderoso do mundo. Roberts o pára no meio do caminho, e diz que era para Allen tomar cuidado, porque da última vez que estivera em Castlevania essa floresta não existira. Alucard concorda com Roberts reforçando à Allen que tinha que ser o mais cuidadoso possível. O jovem guerreiro e acena com a cabeça e continua o seu caminho em direção aos portões enfeitados com dois monstros de pedra. De repente um vento faz o seu cabelo se mexer, Alucard dá um grito, todos eles se viram de imediato para ver o que havia acontecido.
- Ahá! Peguei você vampiro feio! Não, feio não, você é lindo!
- Ei, sai de cima sua safada!
Em cima dos ombros do belo e jovem vampiro está uma garota toda vestida em preto, com uma espada nas costas, um crucifixo enorme pendurado. É uma moça com os seus 18 ou 19 anos, ela é bela, tem os cabelos curtos lisos e pretos, os olhos grandes e castanhos claros, um rosto alegre que não esconde um sorriso. Com agilidade ela salta dando um mortal para trás e caindo de pé atrás de Alucard o abraçando por trás. Ele se vira e dá um sorriso alegre para ela e a abraça com carinho.
- Que bom que veio minha querida.- diz ele voltando a sua forma humana.
- E você estava achando que eu ia deixar o meu vampiro favorito se machucar aqui em lugar tão perigoso?
- Tudo bem, estou me sentindo um pouco esquecido.- diz Roberts olhando para o lado.
- Oh meu querido, como eu esquecer-me-ia de você?- diz a garota indo para ele e dando um beijo em seu rosto.
Ela olha para Allen e depois para Alucard e Roberts.
- Então você é o novo Belmont? O que aconteceu com Christopher?
- Ele morreu.
- Oh, eu sinto muito. Bem, então o destino está nas suas mãos. Está pronto garoto?- ela se vira para Alucard novamente.- Você não acha que ele é muito moleque não?
- E quantos anos a senhorita tem?- diz Allen irritado.
- Sou mais velha que você, embora não aparento. Claro, pois sou linda mesmo.
- Ela foi a nossa companheira de batalha contra Dracula um ano depois de Trevor Belmont, a conhecemos quando ela estava tomando uma surra de um dragão.
- Ah, nem foi tanto assim. Ele podia voar e eu não!
- Até que eu fui, e com um golpe o destruí, aliás há quanto tempo você estava tentando matá-lo?- perguntou Alucard.
- Uma semana...- diz ela em voz baixa querendo esconder a vergonha.
Todos caem na risada fazendo a jovem guerreira se irritar.
- Como é que é, vocês vão ficar aí rindo mesmo ou vamos entrar e chutar alguns traseiros de demônios? A propósito, muito prazer Belmont, eu sou Maya, sou uma caçadora de vampiros e estou disposta a te ajudar no que for.
- Obrigado, meu nome é Allen, e qualquer ajuda que vier vai ser bem-vinda.
- Hmm, educado. Acho que está na linha dos Belmonts a educação e a beleza também. Me lembre de me apaixonar por você. Estou à quinhentos anos sem marido...
- Quinhentos anos?- perguntou Allen surpreso.
- Bem... é uma história complicada. Quando eu te conhecer melhor gatinho, quem sabe eu não te conte... Agora vamos, senhores?
Ela foi a primeira a colocar as mãos nos portões que davam para os domínios de Dracula, estes portões eram os que haveriam de mudar a vida de todos ali presentes. Devagar ela empurra os portões de ferro, um rangido faz a pele de Maya arrepiar, mas ela prossegue não era tempo de desistir ou em pensar coisas parecidas, mesmo porque os feitiços dos castelo não permitiam. Allen empunha seu chicote, Alucard põe a mão na bainha de sua espada e continua a andar, aquilo era totalmente estranho para os três, eles já estavam caminhando nos domínios de Castlevania. Maya olha para cima e chama a atenção de Roberts e Alucard para ver algo que era completamente fora do comum. Haviam três pássaros parados no ar, Alucard e Roberts pareciam não se importar muito o único a ficar pasmo com o que vira fora Allen.
- O que é isso?
- Aqui o tempo pára, você não tem noção do tempo, podemos passar anos aqui dentro e para nós parecer minutos e vice-versa. Esquisito não?- explicou Roberts.
- Muito!
Maya salta, algo cai no chão violentamente, no ar a ninja saca a sua espada e desce pronta para dar o golpe, o que havia caído no chão se levanta e escapa do ataque. Outro agarra Alucard por trás, Roberts e Allen vendo a situação se preparam para a presente batalha. Até que finalmente Allen é atacado, mas o jovem Belmont se esquiva, rola no chão assim aparecendo atrás de seu inimigo a dando-lhe uma chicotada fazendo-o morrer, Alucard consegue se livrar, virar e com a sua espada decapitar o seu oponente. O corpo de Maya é jogado com extrema violência contra uma árvore e logo em seguida é novamente atacada, ela previne que as garras de seu inimigo encoste nela com a sua Katana, dá-lhe um chute seguido de um mortal passando por cima da cabeça da criatura e por trás enfiando a sua espada, o ser logo se desintegra.
- O que é isso?- pergunta Allen.
- Um lobisomem, mistura de lobo com homem, eles aparecem em noite de lua cheia.- diz Alucard.- Tome isso aqui. Este medalhão fará você saber o que você está atacando.
- Obrigado.- diz Allen colocando o medalhão no pescoço.
- Meninos, eu não quero apressar vocês, mas eu acho que não estamos sozinhos...
Todos eles olham ao redor e logo percebem que milhares de olhos brilham na escuridão. Estão rodeados por eles, dá para escutar alguns rosnados, estes que vão crescendo e ficando mais intensos.
- Bem, eu diria que como pessoas inteligentes que somos devíamos correr, vocês não concordam?- pergunta a moça.
- Eu não faço objeção nenhuma, diz Alucard.
- Nem eu, Allen?
- Por mim tudo bem.
E todos eles saem correndo o mais rápido que podem, no mesmo instante mais lobisomens saem da escuridão perseguindo-os. Maya pega na sua pequena bolsa amarrada na cintura uns frascos com água benta e começa a jogar nos monstros, alguns caem e morrem se desintegrando, mas não é o suficiente, os monstros não param de aparecer. Alucard faz o mesmo jogando os seus frascos com água santa, mas o mesmo efeito com Maya é dele também. Alucard de repente pára no meio do caminho.
- Alucard, o que está fazendo?- grita Roberts.
O belo vampiro não responde nada e toma a sua forma sobrenatural novamente, as criaturas o rodeiam. Os olhos dos monstros brilham em vermelho como o resto de outros demônios, alguns babam numa vontade animal de cravarem seus caninos na carne do filho do vampiro dono deste castelo. Maya empunha a sua Katana e vai para cima dos monstros.
- Fique aí!
- O que está querendo fazer, Alucard? Você é maluco, eles estão aparecendo cada vez mais!
Um lobisomem vem para atacá-la e ela corta a sua cabeça sem olhar para ele. Sua atenção está voltada para Alucard. Ele então cobre metade de seu rosto com a capa, seus olhos iluminam-se em rubro, uma ventania faz com que seus lisos cabelos voem, e de sua delicada boca saem as seguintes palavras.
- Soul Steal!
Uma luz clareia o local e de repente os inimigos se transformam em esferas de luz que entram no corpo de Alucard. Ele dá um longo suspiro como se estivesse em tremendo alívio. Retomando a sua forma natural ele olha para o resto espantados de ver como conseguira exterminar toda aquela multidão de monstros tão rápido. Mas a felicidade deles durou pouco, porque logo em seguida um numero maior de bestas apareceu e novamente todos tiveram que correr mesmo sem lutar, não havia outra maneira.
E enquanto corriam, na frente de Maya cai um outro tipo de ser, este que parecia humano mas era roxo com olhos amarelos e estava semi-nú, só se cobria com uma tanga. No seu braço ele tinha um osso em forma de lâmina de espada que imediatamente ele usou de repente e Maya não pôde se desviar assim ganhando um corte em seu rosto. Ela se recua e o monstro continua golpeando, Roberts vai em seu socorro e quando ataca, o monstro se esquiva enfiando a espada no seu estômago e o guerreiro com a lança cai desacordado no chão. Maya continua recuando até encostar numa árvore, sai muito sangue de seu corte no rosto. A besta se prepara para dar um golpe que decapitaria a ninja, mas esta se esquiva e o osso corta a árvore esguichando sangue no rosto de Maya. Ela salta para cima de seu inimigo e enfia a sua espada em um de seus olhos, depois empurrando a espada mais fundo ela atravessa a cabeça, puxando a espada para cima ela corta parte da cabeça do ser, girando logo em seguida e cortando-a fora. O corpo cai no chão e se faz uma chama azul e logo não tendo nada ali. Allen vai em socorro de Roberts.
- Eu odeio, esses bichos!- diz Maya passando a mão na ferida.
- Você está bem?- Pergunta Alucard.
- Estou, só foi um arranhão.
- Maldito demônio!- diz Roberts se levantando do chão.
Todos de pé novamente e a caminhada é retomada em meio as árvores com uma leve coloração vermelha. O silêncio é mortal, ninguém diz uma palavra. Allen olha ao redor, ele pode sentir que algo não está certo, eles estão caminhando por muito tempo. Depois de alguns minutos todos começam a sentir que algo estava muito errado, Allen diz o que está sentindo para Alucard e ele diz que o mesmo lhe acontece.
Maya se senta no chão, seus olhos estão um pouco vazios, ela parece cansada. Todos param um instante para descansar também. Roberts pergunta para Allen como ele estava se sentindo. Este o responde que estava tudo bem, que estranhamente se sentia acostumado com tudo aquilo. Roberts ri e diz que aquilo era só o começo. Alucard estende a mão para Maya se levantar, ela tenta mas cambaleia. Alucard a segura nos braços perguntando se estava tudo bem novamente, ela com dificuldade responde afirmativamente. Logo em seguida ela desmaia.
Segunda Parte: Maya Kishuu Kensei
- Maya-chan! Maya-chan! Acorda Maya-chan!!! Está na hora do treino! O papai está esperando lá fora, você é sempre a preguiçosa, quem sempre dorme mais, anda, acorda!
- Hmmm.
- Pára de resmungar Maya, acorda! Ou eu conto para o papai que você andou bebendo o sake dele de novo!
De imediato uma japonesa de cabelos escuros e lisos e olhos grandes castanhos claros sai de baixo dos cobertores.
- Ta, já vou, já vou, nossa como você é chata heim Naoko? Avisa para o papai que eu já vou indo! Deixa eu pelo menos acordar em paz!
- Não deixo não! Temos que treinar ou papai vai ficar bravo comigo por sua causa, e eu não quero isso! Você é mesmo uma desleixada! Sempre me atrasando!
- Por que você inventou de treinar agora? Só para ter o prazer de me acordar de manhã? E mesmo porque sua cabeça de arroz, eu não preciso treinar hoje.
- Eu sei, mas eu quero que você levante para me ajudar a treinar, eu tenho que melhorar as minhas técnicas, e você é a única que pode. Você é a única que luta como o papai.
- Então já que é a mesma coisa, por que você não luta com ele?
- Porque eu não quero, eu quero com você e agora!
- Ah me deixa em paz...- ela se vira e se cobre novamente.
A irmã mais nova fica nervosa e arranca o cobertor de Maya e sai correndo para a porta do quarto. Maya olha para Naoko e fala contendo a raiva.
- Me devolve o cobertor...
- Você o quer? Venha buscar...
- Eu não vou pedir de novo...
- Eu também não.
- Então acho melhor você correr, e correr muito, sua doença!
- E se eu não quiser, o que você vai...- ela interrompida por uma estrela laminada que aparece cravada ao lado da porta perto de sua orelha.- Maya! Você é...- Maya não estava mais na cama.- Maya? Maya...?
Naoko sai correndo em disparada para fora de casa com o cobertor na mão que ela havia levado junto sem perceber. Ela vai correndo em meio às árvores, a luz do sol ilumina o seu rosto apavorado com o que pode acontecer-lhe. Ela está sem fôlego e pára em uma árvore para descansar. Mas de repente na árvore aparecem mais três estrelas laminadas que são cravadas entre as pernas dela. Ela sai desesperada correndo novamente, depois de um tempo ela não agüenta mais e pára.
- Maya... Pode parar... Eu não quero mais brincar disso, chega! Estou cansada!
- Você não queria treinar comigo?
Naoko se vira e encontra com Maya furiosa atrás dela, ao momento que Naoko vira e dá de encontro com a irmã mais velha, ela dá-lhe um chute no estômago fazendo a sua irmã mais nova cair no chão de quatro.
- Então presta mais a atenção! Sua pentelha descontrolada!- Maya parte para o ataque com a sua espada.
Naoko agilmente se levanta em um salto com os olhos arregalados de medo. Maya sem esperar ela se recuperar começa a golpear com a espada. Naoko vai se esquivando gritando pelo amor de Deus para ela parar, mas não é o que acontece. Maya está extremamente enfurecida. Naoko vai caminhando para trás ao tentar manter-se viva, quando bate a cabeça em um galho fazendo-a parar de repente. Maya vê a sua grande chance e parte para cortar a sua cabeça ao meio. Chegando milímetros perto do rosto ela pára. Naoko está em lágrimas. Maya então guarda a espada e estende a mão.
- O cobertor, sua maldita...
- Ta aqui.- entrega com a mão trêmula.
- Você nunca vai poder ser nada na sua vida miserável, para poder ser uma ninja de verdade, você tem que ter olhos para todos os lugares. Agora vai brincar, sua idiota.- Maya dá uma banda na irmã fazendo-a cair de cara no chão.
Naoko fica deitada ali com a cara na areia e começa a chorar em vergonha. Se levantando depois ela caminha entristecida pela mata. Pensando o quanto ela odiava Maya. Como ela podia ser tão estúpida assim? Só porque era a mais velha achava que podia mandar nela. Ela odiava aquilo, odiava ser a mais nova, odiava ser humilhada. Mas ainda ia mostrar para todos, ia mostrar que podia ser uma grande guerreira, que podia ser uma grande lutadora.
Maya se deita na cama resmungando puxando o cobertor para se cobrir novamente, quando é chamada pelo seu pai.
- Maya-chan. Levante-se, chegou a hora.
Ela de imediato se levanta e olha para ele com apreensão. Seu pai está com um olhar reconfortante e calmo, já Maya está mais que preocupada. Ela acaba de ser avisada que estava pronta para se tornar a mestre das próximas gerações, mas que para isso ela tinha que passar por uma última prova e isso era o que ela mais temia. Todo aprendiz para se tornar um mestre tem que derrotar o seu próprio, só assim estará pronto para passar todo os seus conhecimentos. E para isso ela tinha que ter uma batalha até a morte com o seu próprio pai este que havia lhe ensinado tudo o que sabia para ser uma assassina. A família de Maya Kishuu Kensei, era a família que protegia por anos os imperadores da dinastia mais importante de todo o Japão. E sendo a mais velha herdeira era a sua obrigação proteger os Kizumoto.
Sem falar nada ela pega a sua Katana de Ofasume, espada que uma vez pertenceu uma vez a sua mãe que morreu dando a luz a Naoko. Seu pai já não estava mais no quarto, ao pegar na arma, uma lágrima acaricia seu rosto, mas tinha uma coisa em mente, era o seu destino, era a sua vida e não tinha volta.
Caminhando lentamente para fora a luz do sol bate no seu rosto. Seu pai está lá fora esperando com a sua espada na bainha. Sem olhar direto para ele, Maya se posiciona. Seus olhos lentamente se levantam, ainda estão cheios de água, quanto ao seu pai, ele está sorrindo, para ele, hoje é um dia glorioso.
- Maya-chan. Espero do fundo do meu coração que você tenha aprendido com tudo que eu te ensinei. Eu sempre soube que você daria uma ótima guerreira, uma ótima guardiã para os imperadores. A nossa família, eu, meu irmão Otomo, e sua mãe Kaede, todos nós nascemos para proteger. Foi esse o destino a nós escolhido. E eu agora lhe pergunto Maya, você está disposta a dar a sua vida para tomar o meu lugar como protetora dos Kizumoto?
Nada mais que um aceno afirmativo com a cabeça é o que ele recebe. Sua expressão fica séria, seus olhos se cerram, os sentidos se aguçam, seus pés ficam mais firmes no solo, mão na bainha, olhos fixos, respiração diminuída, ele estava pronto para atacar. De um impulso ele já se projetava em um salto tirando sua espada da bainha pronto para atacar Maya.
Esta que rola para trás escapando do golpe, sua respiração está ofegante, seu oponente sem esperar vai novamente ao ataque, ela continua a se esquivar como se fosse por instinto, sua mente não está na luta, ela só escutava a sua própria voz se perguntando, por quê? O que eu devo fazer agora? Eu não posso matá-lo ele é o meu pai e eu o amo.
A lâmina da espada passa milímetros perto do rosto da moça que logo se assusta e fica mais concentrada no que está acontecendo. A sua Katana ainda não saiu da bainha, seu pai está lutando como se ela fosse um oponente real, como um verdadeiro inimigo. Vendo que seus golpes com a espada não são muito efetivos ele tenta variar com um salto para trás e no ar lançando cinco estrelas lâminas de uma vez. Maya consegue desviar das quatro, mas uma acerta o seu braço, ela fica de joelhos no chão sem emitir nenhum som, e friamente ela tira a arma lançada do seu braço. Seu pai não é mais seu pai, agora era só um inimigo e ele agia como tal, Maya não tinha como colocar essa idéia na cabeça, mas era forçada. Novamente como um relâmpago ele vai ao seu encontro, o golpe é desferido, ela esquiva e seu joelho vai no estômago. Seu pai dá dois passos para trás sem ar.
Maya já não tem mais nada na cabeça para distrai-la, sua espada finalmente deixa o sol brilhar em sua lâmina, ela não olha diretamente nos olhos dele, não era em seu pai que ela estava pensando, era só um inimigo, ninguém conhecido, isso, seria mais fácil assim.
EM CASTLEVANIA:
- Tome cuidado Allen, Maya não é ela mesma!- grita Alucard.
- É perceptível!- fala ele dando um mortal para trás.
Maya está com os olhos revirados, sua Katana está na mão atacando Allen. Ela vai para cima dele com vontade para dar-lhe um golpe, mas é inútil, Allen rola novamente no chão aparecendo por trás dela dando uma banda na ninja. Roberts vai para o outro lado para tentar segura-la, Alucard toma outra posição, e Allen continua em combate com ela, ele não usará o seu chicote.
- Nós temos que arranjar um jeito de fazê-la parar!
- Tente empurra-la para trás e eu a agarro!- grita Roberts.
Allen então corre na direção da moça, esta que faz o mesmo com ele, se esquiva da lâmina da Katana e com o ombro a empurra com força para trás fazendo com que Maya caísse nos braços de Roberts. Ela começa a se debater, os três a seguram.
- O que pode ter feito isso com ela?
- Eu não sei.- disse Alucard.- De repente ela desmaiou.
Alucard então põe a mão no rosto de Maya e no instante seguinte sua cabeça pende para baixo.
- Deitem-na aqui. Eu vou examiná-la.- disse Alucard tirando a sua capa e colocando no chão para deita-la.
MAYA:
A faísca brilhante paira pelo ar em pequeno espaço de tempo, as espadas estão lâmina a lâmina, os olhos de pai e filha se encontram como inimigos. Se afastando um do outro eles ainda se encaram. É Maya quem parte para o ataque agora, seus olhos estão vazios, ela não sabe mais o que está fazendo, sentimentos somem, a mente dela não tem nada a não ser branco, os sons já se foram há muito tempo. É como se os movimentos fossem controlados pelo instinto, as espada já não pesava mais, ela não tinha nenhuma limitação, era fria e calculista. Não parou para pensar um segundo sequer quando viu que o seu golpe tinha sido evitado, deu-lhe outro e mais outro, todos defendidos com grande maestria. Dando um salto para trás ela volta a se posicionar, mais uma estrela laminada vem em sua direção, Maya rola no chão se levanta até ficar de joelhos pega a estrela no ar e no milésimo seguinte ela o arremessa para onde ela veio, seu pai não esperava por isso e com um reflexo ele esquiva a cabeça. Um pequeno risco vermelho aparece em seu rosto, depois sangue começa a descer. Um pequeno sorriso de satisfação surge no rosto de seu pai, mas que não é percebido pela jovem.
Enquanto a batalha tinha continuidade a pequena Naoko continua andando pela floresta extremamente aborrecida até que algo chama a sua atenção, há uma pequena pedra azul e brilhante no chão, ela é linda parece que tem luz própria, prontamente Naoko se agacha para pegá-la. Um flash de luz faz com que a menina desmaie. Logo em seguida alguém vem e a pega no colo.
- Bem, Maya-chan! Com os olhos você é muito eficaz, vamos ver, com os ouvido, e os outros sentidos.- Ele se impulsiona para cima.
Ela tenta segui-lo com os olhos, mas quando ela olha para cima ele já havia sumido. O silêncio era o maior som escutado por ela, ao fundo podia escutar alguns passarinhos piando, o vento, as folhas batendo de leve nos galhos, seu pé dando um leve arrasto no chão um tanto arenoso. Quando um vento não parece estar em ordem, ela se vira prevenindo um ataque lateral, num salto ela faz a mesma coisa que seu pai, agora era a sua vez de se esconder. De onde ela estava ela podia ver que seu pai ficava um tanto imóvel, os olhos de Maya piscam, e quando voltam a abrir ele não está mais lá. Ele aparece ao lado dela no galho da árvore e a empurra de lá de cima, ela consegue se agarrar em outro e subir nele agilmente, seu pai havia desaparecido novamente. Ela desce da árvore e espera, a espada desce, ela não quer mais lutar, não com o seu pai, ela sente que ele se aproxima novamente em extrema velocidade. Ela se esquiva, dá um golpe que faz a espada dele voar, depois um chute no abdômen que o faz cair de bunda no chão, segundos a espada cai ao lado. Os dois se olham profundamente por uma fração de segundos, ofegante o pai de Maya se põe de joelhos no chão.
- Você podia ter terminado isso assim que começou, mas você quis continuar, quis prolongar. Mas agora acabou Maya, acabe logo comigo, me faça encontrar com a sua mãe, eu a amo. Me mate e siga o seu destino.
- Não, eu não quero fazer isso!- diz ela com a espada na mão.
- Você tem que fazer! Eu já fiz o que tinha que fazer, eu já te ensinei tudo o que sei! Mate-me logo de uma vez Maya!
- Não! Não!
- Maya! Vamos, acabe logo com isso, eu quero encontrar com a sua mãe, você não sabe o quanto eu a amo, não me deixe esperando mais!
- Kyah!- ela dá um golpe forte cravando a espada no chão até a metade.
Maya dá as costas e vai embora, o pai dela ainda está ali parado.
- Pois você se esquece que eu o amo também.- diz ela com lágrimas nos olhos.
- Você é uma assassina! Tem que agir como tal!- grita ele nervoso.
- Antes de assassina eu sou humana.
Se virando novamente para onde ela estava continua caminhando em meio às árvores.
CASTLEVANIA:
- Allen, você fica e toma conta de Maya, nós vamos procurar algumas ervas para fazer um antídoto.
- Então ela foi realmente envenenada?
- Foi, ela ainda pode delirar mais um pouco por causa da febre, mas não há problema por enquanto.
- E você ainda não tem idéia do que pode tê-la envenenado?
- Tenho.- responde Alucard.
Ele caminha para a árvore que foi cortada pelo demônio que atacou Maya. Ele se aproxima dela, e faz um outro corte, este que começa a sangrar. Ele passa o dedo e depois esfrega com o outro.
- Essas árvores têm um tipo de sangue dentro delas. É como se fosse sua seiva. Quando eu examinei o sangue de Maya, eu vi que algo de peculiar tinha ali. Segundo os meus conhecimentos, eu pude concluir que o mesmo veneno que corria nas veias dela era veneno de cobra.
- Cobra?- pergunta Roberts.
- É estranho não é, mas a composição é a mesma. Não sei como pode também. Mas a contaminou quando o sangue dessa árvore espirrou no rosto dela e entrou em contato com a ferida, era o único meio de entrar na circulação. Então Allen, nós vamos procurar algum antídoto, eu conheço um lugar aqui por perto. Essa floresta pode parecer nova para vocês, mas para mim não, meu pai tentou uma vez usa-la contra seu ancestral Simon Belmont. Tem muitas coisas aqui nos domínios do castelo que meu pai não gosta de mudar. Bem, chega de conversa, vamos Roberts, Allen tome conta dela, não deixe que nada aconteça a ela entendeu?
- Tudo bem, ficarei de olhos bem abertos.
Então Roberts e Alucard partem em meio às árvores vermelhas. Allen volta o seu rosto para o belo rosto da jovem. Com certeza era um rosto bonito, os traços delicados um tanto angelicais, seus olhos fechados o rosto um tanto preocupado, mas mesmo assim demonstrando um pouco de paz por estar descansando. Os olhos de Allen seguem os cabelos lisos da guerreira que agora estava tão indefesa. A boca dela está entreaberta mostrando um pouco os dentes brancos. Os lábios da moça eram delicados e bonitos, um tanto vermelhos. Allen a observava, e um pequeno sorriso se formou no canto da boca. Havia uma mecha de cabelo no rosto da moça, que serviu para que Allen tivesse como pretexto de encostar em tal beleza. Ele delicadamente como se estivesse fazendo carinho tirou o rosto da frente o colocando para o lado. Seus olhos ainda se mantinham nela, e a mão também. Mas agora que estava ali, qual era o problema de acariciá-la? Afinal, é bom. Ela era uma aliada e devia estar cansada, uma vez sua mãe contou que o melhor para que Allen ficasse calmo quando era bebê, era um carinho em seus cabelos, que na época era uma pequenina penugem, bem suave. Allen então gentilmente passa a mão no rosto da jovem, alisando um pouco os cabelos, estes que eram de extrema maciez, era também um carinho para as mãos do jovem caçador de vampiros.
Um tanto longe dali Roberts estão conversando no caminho para achar o antídoto.
- Como é que você chama aquele truque legal que faz?
- Qual truque?- pergunta Alucard.
- Bem, agora você é humano, depois, quando entra em batalha se transforma em vampiro.
- Ah.- Alucard dá uma leve risada.- Meu pai me ensinou como se fosse o “Dark Metamorphosis”.
- Legal, isso te deixa mais forte?
- Deixa, acho que cinco vezes a mais, não estou certo. Bem, e assim, quando o sangue de algum inimigo de alguma forma respinga em mim, meu corpo absorve, me revitalizando. Bem, não que eu precise disso, pois eu aprendi a controlar os meus impulsos vampirescos, posso comer como um humanos normal.
- E não sente falta de sangue?
- Sentir eu sinto, mas é errado eu tirar vida de outros seres por um capricho meu, não acha?
- Bem, tem razão.- Roberts coça o nariz.- e então o que acha do novo Belmont?
- Ele é com certeza um homem diferente. Pude sentir que ele era muito mais poderoso que Christopher e Trevor juntos. Ele será de grande ajuda para derrotarmos meu pai.
- Aí outra coisa que me intriga. Por que você não se juntou a ele?
- Minha mãe pediu.
Roberts fica olhando para o vampiro, que dá-lhe um sorriso e depois continua andando. Alucard pára da caminhar.
- Você ouviu isso Roberts?
- Sim, dá onde vem?
- Perto... Muito perto.
De repente o chão começa a tremer e a ficar instável, antes que os dois pudessem sair dali abre-se uma fenda onde os dois caem, em meio ao escuro eles não enxergam para onde estão caindo, estão escorregando pelas paredes do buraco. De alguma forma eles tentam se segurar mas não adianta, continuam caindo sem saber onde, até que enfim eles alcançam o chão... O lugar é amplo agora, uma caverna subterrânea. Se pondo de pé eles analisam o lugar. Há um monte de raiz no teto, mas elas estão ligadas uma na outra, elas seguem uma direção para dentro de uma outra caverna escura. Dá pra ver que por essas raízes passam com um pulsar um liquido vermelho. No ar dá para escutar o som de batidas de coração, bem grave.
- Isso é nojento.
- Eu acho que isso é tudo o que não estávamos precisando.
- Como assim?- pergunta Roberts.
De repente um som horrível sai da caverna, e com ele uma enorme cabeça de cobra, é muito grande, gigantesca, feia e assustadora. Um tanto deformada por ter mais duas cabeças como apêndice. Os dois encaram a besta perplexos. Alucard faz uma cara de desgosto de depois:
- Isso não vai ser nada divertido. Dark Metamorphosis!- diz o vampiro.
- Eu queria saber fazer isso!- diz Roberts preparando a sua lança-tridente!
A cobra gigante de três cabeças está furiosa, sem motivos, mas como instinto animal, e não se demora a atacar com um bote para cima dos dois que escapam saltando dali imediatamente. No ar Alucard invoca o Soul Steal, mas só causa um pequeno dano para a fera. Roberts gira seu corpo no ar e desse com toda velocidade para fincar a sua lança nas costas do réptil mutante. Outro grito horrível à cobra solta! Os dois reparam que as raízes estão ligadas ao corpo da cobra. Alucard cai em cima da cabeça da cobra mas se impulsiona para pular novamente e voa em direção cortando uma das raízes. Mais gritos de dor da cobra ela se mexe violentamente fazendo Roberts cair de cima dela. A cabeça da direita olha para ele e lança uma bola fogo, agilmente ele rola para o lado se levanta e salta escapando de ser outra vez assado. Alucard pára em seu lado. A cobra levanta o seu corpo, abre a boca e começa a regurgitar, e sai uma quantidade enorme de cobras da boca dela, e saem sem parar.
- Mas o que é isso? Imagina se eu tivesse acabado de comer?- olhando para cobra.- Está muito bem, sua nojenta mal educada, eu vou acabar com você de uma vez para não ter que ver esse tipo de coisa!
- É com certeza algo de virar o estômago.
As cobras que saem da boca da gigantesca besta tomam todo o chão e vão em direção aos dois.
- Bem... Alucard, está na hora...
- De que?
- Do Soul Steal!
- Não posso!
- O que? Pára de brincar Alucard, as cobras estão chegando!
- Eu não estou brincando! Eu bem que gostaria, mas não posso, o Dark Metamorphosis está tomando toda a minha energia, eu ainda não sei como usar duas magias ao mesmo tempo!
- Bem, agora é uma boa hora para aprender!- fala Roberts pegando a sua lança fazendo-a virar um tridente.
- Tente cortar todas as veias dela! Elas estão ligadas as árvores!
- E daí?
- Eu não sei! Mas ela perdeu muito sangue quando eu cortei uma!
Seguindo as ordens do vampiro Roberts cai nas costas da cobra, enquanto as três cabeças juntas continuam a atacar Alucard. A cobra está pronta para dar outro bote, mas algo a interrompe, Roberts está cortando freneticamente todos os vasos sangüíneos do monstro. Alucard pega a sua espada e vai para cabeça centra e a corta fora. Finalmente o monstro cai por inteiro no chão, todas as pequenas cobras que estão ali vão secando, assim como faz a gigantesca. As duas outras cabeças continuam se contorcendo, mas é inútil. Ela morre. E logo desaparece em uma grande fumaça branca.
Um movimento é ouvido pelo Belmont que estava tomando conta de Maya. Ele olha ao redor sem dar muita atenção, mas novamente o barulho entra pelo seus ouvidos. E por trás da escuridão das árvores saem as mesmas criaturas que atacaram Maya. Allen pega o seu chicote, fixa seu pé com firmeza no chão, cerra os dentes e se prepara para o ataque. Ele está cercado, é só ele as criaturas e Maya, mas como ela está um tanto inútil no momento, é melhor dizermos que só está ele e as criaturas. A atenção tem que ser bem divida agora, ele tem que tomar conta de si mesmo nessa batalha e na ninja deitada e indefesa ali, ele tem que tomar cuidado para que nada aconteça a jovem. Não demora muito para o primeiro impacto, um golpe na altura da cabeça de Allen que é defendido pela Vampire Killer. Um golpe, e um inimigo a menos. E os monstros vão atacando debilmente, sem piedade, e o bravo Belmont vai tomando conta de um por um.
- Esses malditos são muitos!
E o bravo guerreiro pega uma cruz, a estende para o alto, as bestas logo param de atacar e se
retraem com medo. Ele a lança para o alto, ela vai girando até parar, uma luz forte sai de dentro da cruz iluminando todo o local da batalha, inclusive o corpo de Allen, que também sobe ao ar e ele fica como se estivesse pendurado em uma cruz, seus olhos novamente brilham em azul, e do meio de seu peito uma bola de luz se forma. Abrindo os olhos ele começa a rezar, a luz vai se tornando maior e mais intensa e do peito passa para uma das mãos. E na mão que está sobrando vai a cruz. Ele posiciona as mãos fazendo com que a cruz fique atrás da bola de energia, e como se fosse uma arma, ele dispara contra todos os inimigos. Uma luz enorme toma conta do lugar, e os monstros todos vão se desintegrando.
Nesse momento Alucard e Roberts chegam ao local a tempo de presenciarem o que havia acontecido. Depois de tudo acabado, meio que exausto o jovem Allen, vai em direção a Maya e vê os dois olhando-o.
- Muito bom, garoto, muito bom. Nota-se que realmente tem o sangue dos Belmont.- diz Alucard, segurando um pequeno saco.
O vampiro abre o saco e pergunta se alguém tinha uma garrafa de água, Allen responde que tem frascos de água benta, que foi bem aceito. Ele misturou o pó das sementes com a água e fez com que Maya bebesse.
MAYA:
Sangue voa pelo ar, o rosto de Maya está marcado.
- Pare Naoko! Você não sabe o que está fazendo!
- Ah sei sim! Eu vou acabar com você sua maldita!
As duas estão em posição de batalha, Naoko está com um olhar diferente, ela está segurando uma Katana, toda negra e montada num cavalo de igual cor.
- Por que não se junta a mim Maya? Os Kizumoto são os nossos inimigos, eles são inimigos de todo o Japão, será que você não entende?
- Não! Quem foi que te disse uma coisa dessas? Isso é absurdo Naoko, eles sempre foram justos, com todo o povo, e principalmente com os mais pobres, com a nossa família, Naoko, se a gente tinha onde morar era graças a eles, e ao emprego que deram à nossa família.
- Aaargh, maldita!
Naoko sai do cavalo, e corre em direção a Maya para atacá-la, Maya faz um movimento de ataque, Naoko faz outro. De repente os olhos das duas estão fixos em um ponto. Sangue escorre no canto da boca de ambas. A espadas haviam atravessado as duas.
- Nngh... Maya.... Maya.....chan.... Gomen...- Naoko força mais a espada contra o corpo da irmã.
- Aaaaaaaaaaagh!- grita Maya.- Sua maldita!!! Como pôde.
- Eu... Sou... nnngh, melhor que você... quero que você morra sabendo...
De repente Maya tira o seu corpo da espada da irmã, e a sua katana sai do corpo de Naoko.
- Isso... não...hmmm... aahh... vai acontecer, nunca!
Maya sem piedade alguma passa a lâmina de sua katana degolando a irmã. Ela dá as costas dá dois passos a frente, e cai morta no chão.
De trás das árvores aparece alguém, o mesmo alguém que tinha pegado Naoko. Ele se dirige ao corpo de Maya, a vira, olha o seu rosto e diz:
- A guerreira que não teve medo de matar a irmã..., a minha guerreira perfeita, sem coração, sem sentimento algum, a minha perfeita guardiã.- o ser beija a boca de Maya e logo desaparece.
Segundos depois os olhos da ninja se abrem. Ela fica ali deitada olhando para cima um pouco aturdida, ela se põe sentada, olha para os lados. E vê o corpo sem cabeça da sua irmã jogada no chão, como se fosse mais uma folha que caia de uma árvore.
CASTLEVANIA:
Maya acorda gritando desesperadamente. Allen a segura pelos braços.
- Lady Maya! Lady Maya!
- Me disculpe Naoko one-san! Me disculpe por favor! Naoko one-san! - ela começa a chorar descontroladamente.
Allen a abraça com carinho, ela chora em seu peito.
- Calma, está tudo bem, minha querida, está tudo bem agora. Estamos todos aqui para você.
- Por favor,... Perdoe-me... Naoko...- ela começa a chover em lágrimas extremamente sentidas.
- Calma...- ele beija os seus cabelos.- está tudo bem.