Capítulo 7: Wallachia



Primeira Parte: A Noiva.

                “Prepare-se Allen Belmont, aqui dentro as coisas serão bem diferentes”.E assim disse a voz de Dracula. Dentro do salão de entrada do castelo começaram a aparecer mortos vivos envoltos em suas roupas rasgadas, com as suas carnes podres com partes do corpo caindo. Prontamente o Belmont pegou sua Vampire Killer e se preparou para o ataque, achou que isso não seria nada de mais, mas estava enganado, os zumbis eram rápidos e habilidosos, e eram muitos. Uma chicotada bastava para destruí-los, mas mesmo assim não era tarefa fácil a partir do momento que vinham de toda parte, era difícil ele caminhar enquanto lutava, tinha que prestar atenção para todos os lados. Quando viu um espaço de poucos segundo procurou por frascos de água benta em um dos bolsos mas não tinha nenhum. Um dos mortos-vivos pulou em cima com tal violência que os dois foram voando atravessando uma porta que dava para uma outra parte do salão, que também estava cheia de inimigos podres. Allen o chutou e depois golpeou com sua arma e mais vinham, parecia não ter fim. Uns o puxavam pelo braço o jogando no chão, ficou golpeando todos com socos e chutes para tentar se livrar, e o número crescia, ele tinha que se levantar, mas era quase impossível. Viu uma luminária no teto e ali estava sua chance, lançou sua Vampire Killer e ela se amarrou, subiu e se balançou para uma espécie de plataforma que flutuava no ar. Achando que estava salvo por um instante, logo sentiu que algo rasgava o seu ombro, um vulto preto e rápido havia passado que ele não podia ver o que era. Mas logo foi atacado novamente e viu que eram morcegos vampiros que vinham ao seu encontro. Mostravam os dentes ferozes e sedentos por uma mordida, ele foi golpeando um por derrubando-os, mas estava na mesma situação, parecia não ter fim, eram muitos, tinha que sair dali depressa. Mas não podia se lançar aos zumbis novamente, estava com problemas, e em um desses seu devaneios mentais ele perdeu a concentração e foi acertado no rosto, caindo no chão. O seu crucifixo saiu de sua camisa e logo um flash iluminou o lugar exterminando com todos. O lugar estava vazio, se levantou achando que era o fim, mas aos poucos eles vinham novamente, não podia perder essa chance tinha que correr enquanto ainda dava. E voltou a correr pelo corredor chicoteando os zumbis que estavam vindo e aumento o seu número novamente e logo mais a frente havia mais outra porta, com uma certa dificuldade ele passou por ela.
                Do outro havia uma escada que dava para baixo, e foi descendo, a luz foi ficando cada vez mais fraca e o lugar mais umido e frio, quando viu estava em um tipo de caverna, e havia um pequeno rio embaixo de uma ponte um tanto destruída. Foi andando e saltando para as partes da ponte para chegar ao outro lado onde tinha uma escada que o levaria para cima. De repente da água salta uma criatura avermelhada com escamas e cabeça de peixe e corpo de humano, algumas barbatanas verdes nos braços e pernas e a mesma ficou parada por um momento encarando o Belmont. Allen foi logo ao ataque, a criatura abriu a boca e de lá saiu uma bola de fogo, de imediato ele rolou no chão passando por baixo do fogo e ao final golpeou a criatura com sua arma, acabando com ela. Mas logo mais dessas coisas apareceram atacando-o de outra forma. Ele não pensou duas vezes em sair correndo e subir a escada novamente.
                Chegando ao fim da escadaria ele se depara com um corredor, com um tapete vermelho, e inúmeras armaduras de metal pelos lados, a luz da lua entrava pelas janelas, como não sabia o que podia esperar, não se demorou e correu. Uma das armaduras criou vida e virou a cabeça assim que Allen passou por ela, ergueu um dos braços pesados e laçou um machado gigante em sua direção, o Belmont ouviu o que vinha, se virou e logo os seus olhos dobraram de tamanho, via que a lâmina afiadíssima vinha em sua direção com extrema velocidade, se jogou para o lado em cima de outra armadura a desmontando toda. Se livrando do ataque, deu um suspiro de alívio, mas não por muito tempo, o machado estava voltando, sem que ele percebesse e foi rasgado novamente no ombro, soltando um grito de dor e caindo de joelhos no chão.  Ao levantar a pesada mão de aço, o cavaleiro pegou sua arma novamente, e no segundo seguinte se preparava para jogar novamente. Allen não podia esperar, se levantou e correu na direção de seu inimigo, mas nisso outra armadura criou vida, e com um chute acertando-o na cintura, o jogou em direção de outra parede derrubando outro cavaleiro de metal. Este segundo algoz tinha uma espada gigante, para a sorte do Belmont os dois eram lentos demais, mas só ao se movimentarem, pois em combate tinham uma agilidade monstruosa. O machado vinha mais uma vez, e ao mesmo tempo a lâmina da espada descia violentamente. Allen rolou para trás escapando do segundo cavaleiro, mas levando mais um corte do machado. O sangue descia pela sua roupa e o retorno da lâmina voadora do primeiro inimigo já vinha em sua direção fazendo o caminho de volta. A segunda armadura levantou a sua espada para outro golpe, nesse meio termo Allen deu uma chicotada e o machado se desintegrou, mas outro apareceu na mão do cavaleiro que o jogara. A espada desceu pesada novamente e por pouco o pé do guerreiro iluminado não foi cortado fora. A ponta desceu alguns centímetros ficando presa no chão, a outra arma vinha voando. Allen correu em volta e chicoteou a segunda armadura, fazendo com que o seu braço armado se apavorasse, centímetros perto de sua cabeça ser jogada longe o Belmont se abaixa esquivando mais uma vez do machado que já sabia que voltaria. E nesse momento correu para o primeiro cavaleiro e deu-lhe um golpe, mas não foi muito eficiente, apenas o empurrara para trás, e arma ainda vinha, então se virou e acabou com ela. O segundo cavaleiro agora sem um braço, caminhava pesado em sua direção. Uma terceira armadura criava vida, também com um machado mas com um escudo no seu braço direito. Não demorou muito para que fosse atirada a sua arma, e outra aparecesse na mão do primeiro oponente, Allen estava perto agora e podia destruí-la na mão de seu algoz. Enquanto o outro machado vinha voando, o filho de Christopher foi para trás da primeira armadura a segurou e deixou que o projétil de metal o acertasse o destruindo finalmente. O sem braço estava ainda a caminho, e Allen vou ao seu encontro, enquanto o terceiro já tinha outra lâmina em mãos pronto para arremessar. Mais uns dois golpes com a Vampire Killer e já tinha eliminado mais um. Faltava um, e não se demorou em correr em sua direção. E ao seu encontro vinha outro machado, Allen se esquivou e foi logo atacando, o outro se escondia por trás do escudo, o Belmont o castigava enquanto a arma não voltava, mas mesmo assim o inimigo continuava de pé. O jovem guerreiro estava ficando furioso com aquilo, estava realmente perdendo a paciência e para melhorar o seu humor a lâmina estava no caminho de volta, saltou e arma acertou o escudo pela última vez detereorando-o. Estava indefeso agora, outro machado estava aparecendo, mas não por muito tempo, mais uma chicotadas e finalmente o terceiro tinha sido eliminado. Cansado, ferido e irritado, Allen se sentou no chão olhando o corredor todo, ele era enorme e em todo ele tinha armaduras até o fim. Foi que aí todas as cabeças de metal se viraram para o Belmont cujo olhos triplicaram de tamanho, e não se demorou e correu como nunca, os ataques foram quase que simultâneos. Espadas, lanças, martelos, machados e todos os tipos de armas torturadoras possíveis eram obstáculos para o rapaz. Estava muito mais preocupado em sair dali do que ficar tentando derrotar todos eles, que se podia contar centenas, mais cortes ele ganhava, e mais dores vinham como presente, estava quase no final, e uns se colocaram na frente, se esquivou dos ataques e jogou seu corpo contra a porta, com o poder do impacto a mesma se abriu e ele estava em outra sala, fechou a porta para se salvar. O outro ambiente era vazio, com castiçais nas paredes iluminando o lugar, sentou-se no chão, ponto as costas na porta. O sangue de seus ferimentos descia e manchava a sua roupa.

                - Gosta de jogos, Belmont?-falou Dracula reaparecendo ao seu lado.

                Allen se levantou prontamente com a sua arma na mão cerrando os dentes e indo ataca-lo. Ao dar uma chicotada o Senhor da Escuridão desapareceu e se materializou atrás do rapaz envolvendo o pescoço com um dos braços e falando em seu ouvido.

                - Acalme-se rapaz, não vai querer morrer agora que chegou tão longe não é? Eu posso sentir... Posso sentir o seu sangue correndo por suas veias, um sangue sagrado de que tanto preciso, eu poderia acabar com isso agora, mas não. Eu vou me divertir com você.- ele passa um dedo no sangue que escorre de seu ferimento e põe na boca.- Ah, sim! Já teve o amor de uma mulher, Belmont? Já sentiu o frenesi, de uma pele macia e delicada, quente e fervorosa? Não, você é puro ainda, não foi dado aos pecados da carne, é por isso que é tão importante para mim. Terei você, terei a sua alma jovem rapaz. Preste atenção, aqui você poderá repor as suas energias e curar os seus ferimentos. Ao destruir cada castiçal que ilumina o meu castelo, você terá objetos que poderão ajudar o seu caminho ao meu encontro. Mas não pense que mesmo assim será fácil para você, se morrer, vou ao teu encontro e pego o que é meu por direito. Mas tenho que dizer que prefiro faze-lo no conforto de meus aposentos. Boa sorte, meu caro.

                E Dracula desaparece, Allen fica sozinho olhando para o corredor, será que poderia confiar nele? As coisas tinham se tornado bem mais difíceis sem a ajuda de Roberts e os outros. Mas afinal, a batalha não era de nenhum deles. Enfim, caminhou para um dos castiçais e os observou, pegou em uma vela e a retirou do lugar, nada aconteceu. Colocou-a de volta no lugar, deu alguns passos para trás, e chicoteou. Uma chama pequena queimou todo o objeto e de lá caiu um frasco com um líquido azul dentro. Ele se agachou e o pegou, abriu o pote, e olhou, tinha água. O Belmont, ficou fitando aquele frasco por um tempo, molhou um pouco a mão, e o resto escorreu caindo no chão, cada gota que caia se transformava em uma chama azul, queimando o assoalho.

                - Água benta...

                Olhou para o fundo de onde estava, e os castiçais que enfeitavam as paredes. E então chicoteou outro e de lá saiu um machado, era grande com o cabo revestido com couro, e sua lâmina era afiadíssima. Deixou o frasco no chão e foi pegar a outra arma que tinha aparecido. A movimentou para os lados golpeando o vento, sem querer escapou de sua mão cravando na parede. Desapareceu logo em seguida, voltou-se para trás e o frasco também não estava mais lá. Golpeou outro castiçal e de lá caiu uma cruz enorme, a pegou e não entendeu bem o que era aquilo e o que devia fazer, estendeu a cruz para cima para ver se fazia alguma coisa assim como a sua fizera, mas nada, e além de que esta tem todos os quatro braços do mesmo tamanho. Então experimentou lança-la, e velozmente foi cortando o ar em linha reta, chegou em um determinado ponto e fez o seu caminho de volta até parar na mão de Allen novamente. Não demorou muito para que o objeto se desintegrasse. Então entendeu que só poderia usar as coisas uma vez. Mais outro balançar de sua Vampire Killer, e um relógio de bolso aparece. O pegou na mão, seus ponteiro se movimentavam desordenadamente, o das horas ia em sentido horário e o dos minutos no sentido anti-horário, em uma velocidade fora do normal. Havia um pequeno botão em seu topo, ao qual o Belmont apertou, e de repente os ponteiros pararam e tudo se tornou cinza, menos ele. Olhou em volta, e reparou que em um dos castiçais a pequena chama havia parado de se mexer, olhando para o resto notou a mesma coisa. O relógio parava o tempo. Isso durou por alguns segundo e tudo tomou cor novamente, os ponteiros voltaram a andar e o relógio teve o mesmo fim das outras coisas que pegara anteriormente. A sala toda começou a se desmanchar, as tintas das paredes escorriam pelo chão, assim como os castiçais na parede. E por baixo do que havia, começou a aparecer lentamente um outro ambiente, era enorme e amplo, com estremo luxo. Um Hall com o chão de mármore branco e pilastras grossas verdes. As janelas com cortinas vermelhas balançavam com o vento, tudo se via na penumbra com apenas uma vela em cima de uma mesa de jantar. Allen olhou em volta do lugar, e uma das muitas portas ao seu redor se abriu, e ele pôde ouvir os passos pesados e metálicos vindo. O que saiu das sombras era gigantesco, uma armadura dourada e em seu capacete continha uma caveira onde deveria tampar um rosto. Em suas mãos um enorme martelo. Mecanimente virou sua cabeça olhando em direção ao caça-vampiros, e correu em sua direção, era muito ágil, aquela estrutura toda se movia com extrema leveza, saltou caindo em cima da mesa de jantar partindo-a ao meio com o seu peso, pegando novo impulso e se jogando para cima do Belmont. Ao vir descendo, foi com uma marretada que por pouco não pega o rapaz que salta para trás. Não levou meio segundo para que outro ataque fosse dado, Allen teve que desviar. O Martelo gigante havia acertando uma das pilastras e ficado cravado nela, com sua chance Allen deu duas chicotadas, mas foi o que pôde fazer, o monstro já estava livre para voltar a luta. Com um giro de seu enorme braço armado, o Belmont por pouco não fica sem sua cabeça. Rolou para trás e tentou mais uma vez ataca-lo, o gigante com o martelo segurou a Vampire Killer com uma das mãos e puxou arrancando-a das mãos do guerreiro. Jogou o chicote no chão, onde infelizmente Allen não podia pegar, não viu outra maneira a não ser correr, mas o outro corria também, e muito. Enquanto tentava fugir ele podia ouvir as pancadas do martelo acertando o chão atrás dele, um pouco do mármore despedaçado batia em suas costas. Virou a esquerda e entrou por uma porta fechando logo atrás de si.

                - Droga, tenho que pegar a Vampire Killer de volta.

                Quando se deu conta, viu que mais duas armaduras igualmente gigantes e parecidas viraram a cabeça em sua direção, uma delas estava segurando duas espadas, e a outra uma bola de metal presa em uma corrente. Os olhos de Allen triplicaram de tamanho, e de repente, uma mão dourada atravessou a porta, agarrou, pegando o Belmont pelo pescoço e puxando-o porta a fora violentamente. Voou alguns metros e caiu rolando no chão. Vendo que agora a sua arma estava longe do alcance do monstro, ele tentou pagá-la. A criatura metálica correu em sua direção mais uma vez de forma avassaladora para trucida-lo com o seu martelo. Por pouco o Belmont não leva um golpe na cabeça, se esquivando por milímetro, escorregando pelo assoalho até chegar o seu chicote e agarra-lo mais uma vez. Mal teve tempo de se recompor e teve que correr novamente para se livrar de mais golpes, por sorte esbarrou em um candelabro e de lá caiu um frasco de água benta! Além o pegou com extrema rapidez, o lançou para o ar, e disse o que havia aprendido quando criança, as palavras mágicas mais uma vez davam certo, a chuva começou a cair violentamente no seu terrível algoz, que aos poucos envolto em fumaça branca ia se desmontando. Primeiro foi o seu enorme martelo que se desintegrou, depois os membros superiores, a cabeça e por fim o tronco e as pernas. A Batalha estava terminada. Ou foi o que tinha pensado, quando se deu conta uma porta se abre calmamente por trás de si. Allen se virou abruptamente e viu um rosto horrendo, meio deformado em feição de terror, parecia que sua pele era colada no osso, a cor era meio cinza com um leve tom de roxo, as olheiras dos olhos arregalados de tal petrificante horror passado, fizeram com que o jovem hesitassem antes de chegar perto desse corpo ambulantes que vinha se arrastando pelas paradas tão suplicante. O ser deprimente enfim parou, estendeu a mão em súplica aos céus e caiu. Foi então que o guerreiro correu para ajuda-lo. Se ajoelhou ao lado daí começou a reparar nas vestimentas da criatura, vestia uma armadura, tinha o brasão de Wallachia, era um soldado, um soldado real. Olhando bem para a deprimente criatura, via que seu corpo estava seco, como se tivessem deixado dentro da salmoura para desidratar.  Como um esforço quase sem sucesso o corpo levanta o braço e o leva até o rosto do rapaz. Allen percebe que aquilo que um dia já teve feições humanas tenta lhe dizer qualquer coisa. Ele então vira o rosto e chega a orelha perto do coitado. E entre pigarreios, e gemidos ele escuta.

                - O... Horror... Saia... Saia daqui...
                - Acalme-se... Primeiro me diga, quem te mandou aqui?
                - Morte... Peste... Caos... Walla...Chia... tudo perdido...
                - Meu Deus... Agüente, tudo vai ficar bem. Me diga, há outros com você aqui?

                Um grito horrível de terror ecoa pelas paredes do Hall onde estavam. O ser quase morto agarrou Allen pela gola de sua camisa com suas mãos secas e podres, os olhos amarelos dobraram de tamanho, e entre gemidos fortes e sem sentidos ele podia dizer.

                - SAIA! SAIA DAQUI! SAIA DAQUI!
               
                Quando o ar lhe acabou e caiu feito uma trouxa velha de roupa no chão. O coração de Allen estava acelerado de medo. E foi caminhando para a porta que tinha servido de passagem para o ex-soldado real. Ao entrar, encontra um corredor, escuro, sem velas nem nada para iluminar, olhava para frente e não conseguia ver o final. Nas paredes não haviam portas que dessem para qualquer outro lugar. Se virou para trás e a porta havia sumido, balançou a cabeça negativamente, segurou firme seu chicote e começou a caminhar. Com todos os seus sentidos alertas ele ficou esperando que algo acontecesse, e a cada passo que dava se concentrava mais ainda. Para que algo saltasse em sua frente não custava nada. O silêncio era o que mais o preocupava, já andava por um bom tempo e nada. Na sua mente começou passar a imagem triste do soldado em seus braços, obviamente não era o único dentro do castelo de Dracula. E se houvessem mais outros, teria que salva-los. Castlevania não era o lugar para meros mortais, por mais treinados que fossem. E Allen Belmont, não era um mortal qualquer, seu clã tinha o sangue divino, é claro que também poderia morrer como tantos Belmonts que infelizmente não foram capazes de derrotar o mal. Lembrou de muitas histórias que seu pai havia contado, dos seu ancestrais não lembrados que morreram bravamente em nome da humanidade. E que infelizmente pior que a morte, era que suas memórias fossem jogadas no abismo do esquecimento pelo fato de não terem sucesso. Será que isso também iria acontecer com Allen? Será que talvez estaria ali para simplesmente morrer? “Castlevania será o ultimo lugar que verá antes de morrer”.Essas foram as palavras de Alucard. Será mesmo que seria verdade? O Belmont não parava de pensar nisso, na verdade o medo estava tomando conta do seu ser. Ao se dar conta já estava andando há horas e nada de novo, o corredor não tinha fim. Os seus batimentos iam cada vez mais rápidos, e os passos também, a respiração aumentava, chegava a ofegar, não demorou estava correndo querendo achar uma saída, mas não havia. Parou e olhou para trás novamente e nada. Desesperado Allen Belmont começou a chicotear as paredes, mas nada fazia. Ele golpeava incessantemente, até cansar, e não adiantava, até que desistiu e se sentou vencido no chão.

- Não! Não posso ficar aqui! Não tem saída... O que eu faço?

Quando em meio ao seu desespero, abre uma porta no final do corredor, um final que acabou de aparecer, a luz brilha no belo rosto do rapaz. Não se demorou a levantar e correr para passagem que se abria. E ao chegar ao outro lado encontrou um enorme ambiente, com um candelabro enorme de cristal iluminando todo o lugar, haviam bancos de madeira enfileirados e entre eles um enorme tapete vermelho, com um altar totalmente luxuoso, e na parede ao fundo, uma imagem enorme de Jesus Cristo na cruz. Allen estava dentro de uma igreja. Ficou olhando para tudo com extrema admiração. Nada mais na sua cabeça fazia sentido, tudo estava confuso, a não ser pelo fato de ter reparado algo na frente do altar. Dois passos para frente, queria ver direito o que era. E quando os seus olhos mostram, ele vê uma mulher olhando para Cristo, com um vestido de noiva, e um véu enorme.

- Olá?- Chamou o Belmont.

Sem nenhuma resposta, ele continuou andando em direção a pessoa que estava de costas. Mais duas vezes tentou chamar a atenção, mas não obteve resposta. E foi andando até chegar bem perto, o cheiro que saía da mulher eram de rosas. Levou sua mão a encostar-se ao ombro dela. Então delicadamente a pessoa se vira, e aos poucos deixa um rosto ser visto. Era um rosto belo, de olhos castanhos e grandes, cílios cumpridos, boca carnuda e vermelha, pele bem branca. Um rosto angelical, com dois cachinhos caindo a cada lado de sua bela face.

- Estava esperando por você meu amor.- disse com a voz doce.
- Quem é você?
- Podemos começar a cerimônia?- pergunta uma voz grossa e calma.

Allen se vira e vê que no altar aparece um padre já de meia idade, segurando uma bíblia em uma das mãos os espera. E começa a dizer as juras de casamento. Depois das promessas ele se vira para a mulher e pergunta se aceita a mão de Allen Belmont como sei legitimo esposo. Ela o olha com um olhar terno e verdadeiro e diz com o peito cheio de felicidade que sim, que aceita. Mas o engraçado é que a pergunta não foi feita para o suposto noivo, e as palavras foram ditas, “Pode beijar a noiva”. Allen olhou para a mulher, mas algo aconteceu, estava se sentindo tentado a beija-la! Os rostos foram se aproximando, ele contemplou o sorriso radiante que ela dava, e a vontade crescia. Até que aconteceu. Os dois se beijaram com apaixonados de muitos anos, em que o amor fervia mais do que tudo. Durou muito. Quando finalmente acaba e o guerreiro abre os olhos, se depara com uma cena horrível. Um cadáver de mulher sendo segurada em seus braços a pele caindo dos ossos, os dentes podres, pouco cabelo, o vestido todo rasgado e podre. Segundos depois dos olhos abertos ela gritou! Um som agudo e aterrorizante fez com que o coração de Allen quase parasse, caiu sentado no chão. Olhou ao redor e viu rostos deformados e também cadavéricos a olhar. Ela continuava a gritar, estendendo o braço. O rapaz foi se rastejando para longe dela com medo. As vozes começaram a dizer. “Beije a noiva! Pode beijar a noiva!” Queria alcançar os seu chicote, com as mãos trêmulas de medo, mas não era capaz. Todos na igreja igualmente se levantaram, olharam para ele ali no chão, com suas bocas tortas e olhos amarelos. Finalmente com arma em mãos, deu o seu primeiro golpe. A mulher deu dois passos dementes para trás, mas mesmo assim continuou em sua direção. Correu para a porta da Igreja onde estava, deu uma olhada para trás e tudo voltou a estar deserto. O silêncio tomava conta... Deu uma volta em torno de si e nada. Sem se demorar voltou-se para a porta levando a mão na maçaneta, mas quando se vira a noiva novamente estava em sua frente, e com suas mão agarrou os braços do Belmont, e um choque ele levou, num misto de terror, ele tremeu todo caindo. Seus pulmões vazios procuravam desesperadamente se encher, com dificuldades tentou levantar, trêmulo ainda estava sobre suas pernas novamente, e novamente sentiu a mão gélida no seu ombro, e mais uma vez o choque tomou conta de seu corpo e mais uma vez foi ao chão. Allen Belmont sentia que sua energia vital a cada vez ia diminuindo, cada vez era mais difícil de respirar, vai engatinhando para a porta. Quando ouviu uma voz doce e mesmo assim aterrorizante dizendo:

- Dá-me um beijo meu amado.

Allen olhou para trás, e lá estava ela caminhando lentamente com os braços estendidos em sua direção. Ainda buscando ao ar, foi rastejando para a porta, mas era tarde demais, mais uma vez sentiu a mão no seu corpo, e tudo foi ficando preto, não ouvia mais nada. Desmaiou.



Segunda Parte: Meia-Noite.


Correndo pelas ruas ela vai desesperada à procura de um abrigo. Vira à direita numa rua estreita até que chega em uma praça, a lua vermelho-sangue iluminava tudo. Corpos mutilados e apodrecendo tomavam conta do lugar, com uma criança no colo, ela ainda seguia seu caminho. Chorava copiosamente com medo, até que ouviu o primeiro bater dos sinos, o que a fez ficar mais desesperada. Abraçou sua filha contra si, e foi em direção, e os sinos tocavam, já se passaram seis baladas, e ela estava chegando perto de onde ela queria. Mais duas, já eram oito, em meio a sua corrida e soluços, rezava. Mais dois toques, e podia ver, a porta estava logo ali. Era uma igreja enorme em um estilo gótico, cheia de arcos, e uma torre muito alta. Até que ouviu o último toque, era meia-noite. Foi aí que começou a esmurrar a porta e a berrar.

-Abrigo, por favor! Socorro! Abram essa porta pelo amor de Deus!

Sons esquisitos começaram a ecoar pelo lado de fora, as sombras tomavam vida, olhou para trás e viu os demônios surgindo. E com mais vontade continuou a bater na porta enorme de madeira. A menina que estava no colo acordou com os berros da mãe. Esfregou os olhinhos, e ao ouvir o choro e o medo, a abraçou mais forte.

- Mamãe...?
- Calma meu amor... mamãe está aqui, tudo vai ficar bem!- e continuando a espancar a porta, ela continua gritando.- Por favor, deixe-nos entrar! Estou com uma criança aqui fora, pelo amor de Deus! Abram essa maldita porta!

De repente, um dos demônios arranca a criança dos braços da mulher. E a leva para o alto voando.

- Não! Minha filha! Devolva a minha filha!
- Mamãe!- A menina gritava chorando.

                A porta da igreja se abre, e a mulher é puxada para dentro antes que outro demônio a ataque. Gritando desesperada pela filha, ela ainda podia ouvir a criança chamá-la. A porta da igreja se fecha. O lugar estava cheio de gente, famílias inteiras, todos ouvindo os gritos da criança. Até que o choro pára e se torna em um grito horrível de dor que subitamente se cala. Em seguida o som de algo caindo no chão é ouvido. Algo pesado. Depois outro ruído, parece que uma luta estava acontecendo lá fora. Todos olhavam querendo ver o que se passava do lado de fora, até mesmo a mulher se calou, estava agoniada, queria a sua filha de volta. E finalmente tudo acaba. Três toques e o padre novamente abre a porta. Em sua frente Alucard aparecia, segurando uma criança toda enrolada em sua capa, o sangue escorria pelo seu braço. A moça não podia acreditar, não era possível, não era a sua filha ali nos braços daquele homem. Mas era. Ela correu querendo pegar a menina no colo, mas não foi permitida. Com um sinal o Padre segurou a mulher aos berros e a levou para dentro. E passando pelo meio de todo mundo que olhava com suas expressões sem vida, outros choravam. E uma lágrima, desceu pelo seu delicado rosto. Maya e Roberts finalmente apareceram, e ele não disse uma só palavra. Ela tirou a capa para ver o rosto da menina, e logo em horror se escondeu abraçando o guerreiro de Orion.

                - Cheguei tarde demais.

                Cobriu novamente o rosto retalhado da menina com sua capa e foi para dentro. E pelas janelas o som da noite foi ouvido por todos, mais gritos eram ouvidos. Pedidos por socorro, o cheiro do lugar era de morte. Alucard, Maya e Roberts saiam toda noite para combater os demônios, até as seis da manhã. Traziam os feridos para dentro da igreja. Não podiam salvar todos obviamente, mas se esforçavam ao máximo. Os soldados da realeza ajudavam, mas não o suficiente. A maioria acabava morrendo ou se ferindo gravemente. Pela manhã as freiras e mulheres que estavam bem, cuidavam de todos. A comida era pouca e muitos ficavam doentes, outros não sobreviviam aos ferimentos e acabavam morrendo. E era toda noite assim.  Ao toque da meia-noite, os demônios atacavam a cidade, humanos e outros seres ficavam em guerra até o nascer do sol. Maya se sentou exausta na cama. Olhou para os dois cavalheiros que estavam ao seu lado.

                - Já faz dois meses que Allen está no castelo. Temos que fazer alguma coisa para ajudá-lo logo e acabar com isso de uma vez.
                - E o que você sugere?- perguntou Roberts indo se sentar ao seu lado.
                - Não sei... mas temos que achar um jeito de entrar no castelo novamente.
                - Meu pai não permitirá que entremos novamente. Ele só precisa do Belmont agora. E é melhor que fiquemos aqui pela cidade para ajudar a essas pessoas. Não há nada além disso que possamos fazer.
                - Chega a ser engraçado...- disse Roberts com um sorriso de canto de boca.
                - O que?
                - Que o castelo esteja de pé novamente por causa de uma Belmont. Essa tal de Eleonora foi mulher do irmão de Allen Belmont. E agora, o mesmo nome que ressuscitou vai destruí-lo... O quanto a vida pode ser mais irônica que isso?
                - A vida em si é cheia de ironias.

                O padre apareceu no quarto deles.

                - Temos mais notícias da realeza, estarão mandando mais homens de seu exército para nos ajudar na batalha.
                - Mais vítimas...-retrucou Alucard.
                - Acho que qualquer tipo de ajuda é válida.
                - E quando estarão chegando?- perguntou Roberts.
                - No final da tarde estarão presentes, mais de cinco mil homens. Trarão também mais armas e suprimentos para os feridos.
                - Isso é bom.
                - Mas não é tudo. Contaremos com uma força extra. Virão quinhentos padres e magos para ajudar com magia.
                - Isso pode ser mais eficaz que espadas.- disse o filho de Dracula.

                E assim se passou o dia, os feridos sendo tratados, as crianças também. Alucard e Roberts saíram na rua a procurar mais gente que precisasse de ajuda, mas nada de muito produtivo, em todo o lugar só se via sangue e corpos espalhados por toda parte. O sol começando deu motivo para a espera de que a ajuda chegasse. E foi o que aconteceu, sem se demorar, foi visto entrando pela cidade uma vasta cavalaria. Soldados bem vestidos, com uma espada na cintura e espingardas na mão. Outros muitos vinham a pé. Vestidos em batas, logo após apareciam os padres, sacerdotes, magos e feiticeiros de todos os cantos da Europa. Alucard se sentiu satisfeito em ver que homens com poderes mágicos vinham em grande número. Os suprimentos foram levados para a enorme igreja. E a noite foi cobrindo a todos. A lua mais uma vez imensa e rubra. A hora estava chegando. Era como se a morte mais uma vez rondasse a todos só esperando a hora de agir. As tensões aumentavam. Conforme as horas iam passando o silêncio era maior. Adrian e os outros estavam do lado de fora. Quando uma voz de uma mulher chamou a atenção de todos.

                - Viemos aqui para ajudar.- Uma mulher em um belo vestido negro, colado ao corpo que a cobria por inteira, um rosto pálido delicado e bonito, com cabelos pretos e longos descendo até a cintura foi quem disse estas palavras.

                De trás de todos o padre saiu em protesto.

                - Saia daqui criatura nefasta!
                - Eu não vim para brigar com você novamente. Não quero rebaixar-vos diante aos olhos de todos.
                - Ora como ousa sua pagã?- disse o homem enfurecido.
                - Deixe de pouca conversa homem, eu preciso falar com o líder de vocês.- começou a andar na direção de todos.
                - Vera, não se atreva a se mexer, ou eu...
                - Está tudo bem Padre.- Alucard interferiu.- Quem é você?
                - Eu sou Vera, e é só o que precisa saber. Eu vim aqui para ajudar a vocês. Eu e minhas irmãs.
                - Eu sou...
                - Você é Adrian Fahrenheight Tepes, o filho de Lord Vladmir Tepes IV. Eu sei quem você é jovem Alucard. Filho que renega ao sangue de seu pai por possuir alma humana.
                - Alucard, ela é uma bruxa!- gritou o padre.- Ela é uma seguidora do Diabo.
                - Se eu fosse você Padre Amadeus, aprenderia do que se trata o Paganismo e o Satanismo e principalmente a Bruxaria, para saber que o que o senhor fala referente a mim é tão vazio quanto ao barril de vinho que guardas na adega escondida.
                -Basta, você disse que trouxe mais alguém com você.- Alucard olha para os lados procurando.- Onde estão.

                Vera ergue um dos braços e estala os dedos. E de todos os lugares saem mulheres bonitas, também em vestidos negros e longos. Eram diferentes, a única semelhança era a beleza e a altura dos cabelos. E eram em enorme quantidade, se fosse para contar davam duas mil delas aparecendo por todos os cantos. Alucard ficou mais satisfeito ainda. Amadeus é que sentiu o seu corpo todo estremecer ao ver todas aquelas mulheres aparecendo.

                - Meu Deus, estamos perdidos....
                - Vocês estão realmente do nosso lado, a magia de vocês é realmente boa?
                - Alucard, uma faca, é boa ou ruim?
                - O que?
                - É igual a magia, depende de quem usa... Meu caro, terá que confiar em mim e nas minhas irmãs.
                - Bem, já que não temos muitas escolhas, será bem vinda. Mas se houver um sinal de traição, mato você e elas em questão de segundos.
                - Alucard, que coisa mais deselegante para se dizer à uma dama, sendo filho de um Lord devia aprender a ter mais boas maneiras. E preconceito é uma coisa muito horripilante também, jamais se deve julgar um livro pela capa.
                - Não estou julgando ninguém, estou sendo cuidadoso. Afinal bruxas...
                - Bruxas o que? E o que dizer de um vampiro, que só sobrevive tirando vidas humanas? Não ache razões onde não tem Alucard. Agora vamos parar de bater boca, e vamos cuidar do que é importante. Não pudemos fazer nada antes, porque vivemos afastadas da cidade, e até então não tínhamos sentido as forças de Dracula. Eu não sei como isso aconteceu. Nós sempre tentamos impedir com que ele voltasse. Mas os nossos poderes não estão mais segurando as correntes malignas. Por séculos o nosso clã junta as forças com outra família que é conhecida a todos vocês. Felizmente eles são bem mais poderosos que nós não é mesmo? Inclusive, um jovem rapaz, Allen, não é esse o nome dele? Está seguindo o seu destino, não é mesmo? Isso é bom, a nossa missão, porém é outra, está escrito assim. Não adianta terem o pensamento de entrarem no castelo para ajudá-lo, vocês não fariam a menor diferença. Isso é trabalho para um Belmont somente. Infelizmente eu não posso te dizer o que irá acontecer. Meus poderes não chegam até aí. Só nos resta esperar. Mas tenhamos fé, ele é um homem cuja alma tem um poder incrível. Dado que ele é filho de um dos mais talentosos Belmonts que já existiram. E agora aqui fora cabe a nós ajudar não só a ele, mas a quem precisa.
                - Suas intenções são boas, a sua ajuda e de suas irmãs são bem-vindas.
                - Muito obrigada. E então quando começamos?
                - A meia-noite. É a hora em que eles atacam.
                - Está certo, eu vou chamar as irmãs e vamos nos preparar.
                - Espere, se me permite perguntar, qual é o nome de seu clã?
                - Belnades...- disse depois de hesitar um pouco.
                -...
                - É eu sei que Eleonora acordou Dracula, mas você sabe tão bem quanto eu, que quando uma de minhas irmãs encontrou com vocês dentro do castelo, ela contou-lhes o motivo para tal ato.
                - Eleonora tendo feito o que fez ou não. Vocês são uma família honrada, e será uma enorme honra batalhar ao seu lado.-disse Adrian.

                E assim se cumprimentarem se separaram. E as horas foram passando. A noite foi ficando mais fria, e todos estavam ficando meio inquietos. Alucard organizou que todos os que possuíam magia deviam ficar juntos. Maya, Roberts e ele ficariam na frente e pegariam o primeiro impacto junto com os soldados. E mais algumas horas passaram, até que a primeira balada do sino percorreu o ar e entrou no ouvido de cada um. Todos ficaram olhando em volta, apreensivos. E o segundo toque, daí as mãos se fechavam agarrando as suas armas com mais força. Outras ficavam suadas de tanto nervoso. A terceira balada Roberts fixou o seu olhar para frente. As Bruxas, Magos, Feiticeiros e todos os que possuíam poderes místicos se concentravam. A quarta balada e o céu se fechou de repente, e uma densa névoa cobriu o chão. E assim foi tocando o sino, a cada balada era como se as forças demoníacas fossem entrando pelos poros de cada um ali presente. Era como satã viesse pessoalmente acabar com todos. E dessa vez não era como das outras vezes, a tensão maligna era maior. Era como se fosse expelido por todos os cantos, o cheiro da morte novamente vinha acariciar o rosto de todos. E eram assombrados por uma companhia que não era das mais divinas. Vozes deformadas iam correndo pelo lugar. Gritos e uivos perdidos ao vento. Apreensão por conta de uns, medo e terror por conta de outros. E quando notaram a última balada tinha sido dada.

                - É agora...- Alucard disse para si, pegando sua espada.

                E a névoa que antes era meio cinza se tornava negra, as sombras tomavam vida, e das paredes começaram a aparecer criaturas. Mas era engraçado, não era como todas as vezes, o ataque não era súbito. Eles vinham caminhando, uns rastejando, todos lentos e enfileirados, e em duas colunas com um espaço no meio para alguém passar.
                O Filho de Dracula ficou esperando para que o primeiro passo em falso fosse dado, com a espada na mão. E todos ficaram na expectativa. Até que os seres obscuros param, e um cheiro forte de flores tomam conta do lugar, era um cheiro doce, e muito agradável à todos, e do meio do breu, uma mulher vestida em um belo vestido longo e vermelho-sangue. Dona de um corpo esguio belíssimo, envolto pelo tecido que ficava colado a sua pele, um decote que salientava os seus seios fartos. O rosto fino, pele mais branca que a superfície da lua. Os olhos pequenos, mas frios e cortantes, vermelhos e brilhantes. Cabelo fino, negro, liso e longo até um pouco abaixo da cintura. Contemplou a todos que estavam ali e deu um sorriso, com a sua boca fina e delicada. Mirou em Alucard e caminhou em sua direção.

                - Então és tu o filho de meu amigo. Ora que presente para meus olhos. Banha minha alma com tal jubilo querido. Nunca pensei que fosse encontrá-lo. Mas agora que o fiz, sinto-me tão contente.
                - Embora seja de meu deleite olhar-te, não posso dizer-te que também é um prazer para mim.
                - Entendo. Bem, embora estamos aqui em condições não muito agradáveis Alucard, gostaria de dizer-lhe que admiro muito a teu pai, e logo a você também, vocês dois, senhores da noite. Aliás, assim que terminarmos aqui hei de visitá-lo em seu castelo. Quero dar-lhe as boas vindas.
                - Façamos um trato. Aquele que sair daqui, dirá olá ao meu pai, pelo outro.
                - Combinado.- ela dá uma risada elegante.- Vejo que puxou o charme de seu pai, muito bem Adrian, que assim seja. Mas antes que venha a me confrontar, estou a esperar mais uma pessoa. Ela já está para chegar.
                - Quem está para chegar?
                - Não sabe? Ora, mas isso é por demais esquisito. Pensei que já estava a esperar.
                - Esperar a quem?
                - Então não faz a menor idéia do que se passa?
                - Do que está falando?
                - Nada... vou deixar que ela te explique. Bem Alucard, eu gostaria de ficar e conversar mais, mas eu tenho outros assuntos a tratar, não posso ficar e me divertir com vocês. Até logo.
                - Não! Lilith, espere!

                E junto com a névoa ela some, e logo as criaturas começam a mostrar toda a sua fúria, e a batalha começa com a força de um trovão! As bruxas, magos e padres vão todos lançando magia, e são bem eficazes. Alucard, Roberts e Maya, agem mais como os soldados, e lutam fisicamente, com suas armas. Já de inicio a batalha é feroz. E para todos não é fácil dar conta de tantos demônios. Dentre os que usam magia, Vera e suas irmãs são as que melhores conseguem se sair bem. Mas mesmo assim algumas das mulheres, são trucidadas pelas criaturas. Bolas de fogo, raios, mordidas, golpes com espadas, lanças arcos e flechas, mosquetes, tudo, absolutamente tudo é usado para combate. O filho de Dracula estava levando a batalha como se fosse mais uma dentre todas que a havia lutado, estava lutando com quatro monstros, dois esqueletos, e duas criaturas, mais pareciam lobisomens. Tudo estava em um certo, cada um por si, a luta toda tomara um rumo que não havia como ter organização de um grupo, ainda mais um grupo enorme que era. As casas e tudo mais estavam sendo destruídas, algumas partes já estavam em chamas. Muitos gritos de dor, de humanos e monstros era ouvidos por todos. A batalha da meia-noite, sangrenta e mais que violenta tomava proporções ainda maiores.
                Depois de derrotar duas das quatro criaturas, Alucard ia para terceira, e quando ia desferir um golpe, sem perceber seria o alvo de um ataque inimigo, quando algo aparece em sua frente como se fosse um escudo. O ataque do algoz é subtraído por esse “algo” que havia se posto no meio. Alucard depois de se livrar de mais um olhou. Estava de costas, tinha um cabelo da cor do seu, do mesmo tamanho, e estava usando uma capa enorme preta nas costas. Tinha um aroma indefinido porém muito agradável. Ao virar um pouco, notou que era uma mulher. E logo seus olhos triplicaram de tamanho. “Ela é...” Era inacreditável para ele, mas era verdade, seu rosto, suas feições eram iguais. Depois de ter derrotado o monstro, a mulher também o contempla com admiração. Mas tudo dura segundos, eles tinham que voltar suas atenções para a batalha. Não tinham tempo para devaneios. Alucard logo se afastou para enfrentar mais alguns monstros. Maya foi fatiando todos os inimigos que via pela frente, e Roberts também lutava com maestria. Os soldados, eram os que mais tinham dificuldades, muitos ali iam perecendo, mas lutava bravamente. E assim foi por horas e horas de batalha sem fim, e sem descanso. A madrugada foi sangrenta, e cheia de horror, mas para a sorte de muitos e alivio de outros, o sol foi nascendo botando fim a batalha. Os monstros de uma hora para outra desapareceram. Mas algo estava diferente. A mulher havia aparecido dessa vez. Lilith, a senhora de todas as vampiras, dona de todos os pecados na terra, vinha falar mais uma vez com eles. Mas agora não era Alucard quem ela queria, e sim a mulher misteriosa que havia aparecido.

                - Estava esperando por ti.

                E pela primeira vez foi ouvida a voz da moça.

                - Está tudo acabado Lilith, sua busca acaba nesse instante.
                - Achas tu, que só porque derrotou Carmilla, é capaz de me enfrentar e ter o mesmo resultado?

                Alucard olhou surpreso para as duas. Pensou “então essa moça derrotou Carmilla, ela deve ser extremamente poderosa. Mas quem é ela? Como pode ser tão... parecida comigo?”

                - Eu não acho que posso te derrotar, tenho certeza.
                - Ah, que maravilha! Vocês são todos iguais, todos corajosos, firmes. Simplesmente encantadores. Vejo que o sangue de Dracula é por demais forte, não é mesmo?
                - O que?- Alucard não conseguiu se segurar.
                - Deixe-o fora disso, Lilith.
                - Ora, mas por que? Não era isso o que queria? Não era rever o teu irmão, o que tanto almejava?
                - Irmão...?- Maya falou surpreendida.
                - Chega de conversa! Estou cansada! Não é para me enfrentar que vocês vieram? Achando realmente que podem comigo? Pois muito bem! Heis aqui uma pequena demonstração do que eu posso fazer a um de vocês!

                E com um gesto, Lilith ergue os braços. Uma luz vermelha, tal qual o seu vestido, sobe por baixo de Roberts e o envolve todo com violência, o guerreiro de Orion dá um berro horrendo de dor. Mas foi tudo muito rápido, Alucard e Maya gritaram o seu nome, e saíram correndo em sua direção, enquanto Lilith gargalhava sadicamente e desaparecia. O homem estendido ao chão não se mexia o corpo todo machucado, e sangrando, fazia um pequeno rio ao seu lado. Ao chegarem o encontraram olhando fixamente para o nada, ainda com vida. O filho de Dracula se ajoelha do seu lado, o segurando em seus braços.

                - Agüente firme meu amigo! Está tudo bem. Vamos cuidar de você!
                - Eu... sempre... esperei... por toda a infeliz eternidade a qual eu fui fadado...- disse tentando sorrir.
                - Não fale, Roberts.- ele se vira para a multidão e grita pedindo por socorro.
                - Alucard... não...
                - Mas...
                - Eu posso senti-la novamente...- sangue sai de sua boca.- O seu cheiro... Helena. Por amor... eu me condenei a viver séculos de solidão...

                Em meio a todos, uma bela mulher em um vestido branco aparece e fica de frente ao guerreiro de Orion, ao vê-lo alí deitado, dá um sorriso, o mais belo que um dia o homem já havia visto. Os olhos de Roberts se encontram aos dela, e lágrimas saem de seus olhos, Adrian olha para onde o seu amigo olhava mas não via nada. Maya estava aterrorizada em prantos.

                - Meu amor, senti tantas saudades.- disse a mulher.
                - Eu também...
                - Vem, vamos para casa.
                - Sim...- e os olhos se fecham para ir embora com o seu amor que por tanto tempo foi-lhe arrancado de maneira cruel.
                - Vá em paz bravo guerreiro de Orion, nunca será esquecido por seus atos, e será perdoado por todos os pecados que houver cometido, pois agora se tornam ínfimos diante de tanta bravura. Vá com Deus meu amigo, acabaremos com esse inferno em sua honra.- Alucard pega sua capa e o cobre.

                E eis que finalmente depois de anos de sofrimento e solidão o guerreiro inglês refugiado à Romania, Sir Roberts Leonard Mcleland, comandante do batalhão real da Inglaterra, nascido em 1398 na perdida cidade de Orion, deixa esse mundo depois de mais ou menos quatrocentos anos em vida enfeitiçada, para voltar a unir-se à Helena, o seu único e verdadeiro amor, para viver de um sentimento que agora sim será eterno, não neste mundo, mas em outro que com certeza é muito melhor, onde nada e nem ninguém poderá atrapalha-los, a viver o que jamais deveria ter acabado.
Terceira Parte: Lilith


                Depois de sentirem essa perda, todos os que lutaram foram cuidar dos resultados dessa batalha, Maya foi ajudar aos feridos, enquanto Alucard virou-se para a bela e misteriosa mulher que aparecera do nada. Caminhou devagar, olhando-a com tal seriedade que a deixava desconcertada. Parou em sua frente e sem se demorar foi perguntando.

                - Quem é você? O que Lilith disse, é verdade?
                - Sim...- depois de engolir seco, ela respondeu na mesma frieza.
                - ...
                - Acho melhor, conversar-mos sobre isso, quando tudo acabar, o que é mais importante, é destruirmos Lilith. Se ela coneguir o que quer, Dracula voltará a vida.
                - Pois acho que não está muito ciente do que acontece... Dracula já se faz vivo.
                - O que? Mas... como? Não pode ser...
                - Por que não? O que está acontecendo? Quem é você?- ele levantou um pouco a voz.
- Alucard, agora não é...

Alucard a interrompe com a espada em sua garganta prestes a corta-la, segurando um de seus braços,
seus olhos brilhavam em vermelho e os caninos salientes.

                - Escute aqui, acabei de perder o meu amigo, estou aqui em uma luta que parece nunca ter fim, e sou obrigado a ver pessoas inocentes morrerem, principalmente nos meus braços, Lilith aparece sem explicação, e agora você! Eu não tenho tempo para charadas se você não percebeu ainda, não me sinto no meu melhor humor, e para te degolar não custaria, então eu vou perguntar mais uma e uma única vez. Quem é você e o que está fazendo aqui?

                Aquilo foi o suficiente para a mulher tremer, seus olhos se fixavam nos dele, era uma mistura muito curiosa de sentimentos, sentia o seu rosto perto do dela, mas ao mesmo tempo a lâmina da espada a deixava aterrorizada. Quando ele apertou mais forte o seu braço, exigindo mais uma vez uma resposta, finalmente ela abriu a boca para falar, gaguejando.

                - Tudo bem... eu falo... Meu nome é... Tis...
                - Como?- Logo Alucard a soltou. - Tis, Lady Tis? A mercenária?
                - Sim... - ela deu um leve sorriso.
                - Seu nome corre por todos os lugares da Europa, dizem que é a melhor caçadora de recompensas do mundo.
                - Bem, é o que costumam dizer.
                - Mas, o que Lilith disse é verdade? É mesmo filha de meu pai?
                - Sim.- sua feição ficou muito séria.- Eu sou uma Dhampira, assim como você Alucard. Ele teve um caso com uma feitiçeira Inglesa, não foi exatamente, um caso, segundo ele mesmo me disse uma vez, queria acertar para compensar o erro do passado, eu nunca entendi o que ele quis dizer até atualmente, desde quando eu fiquei sabendo de você. Desde quando eu o vi pela primeira vez.- nessas últimas frases Tis foi ficando com um tom romântico.
                - O erro seria eu, que não quis sentar ao lado de meu pai no governo ao mundo.
                - Isso. Mas nem a mim, ele tem. Ele matou minha mãe. Na verdade eu rodo o mundo, atrás de casos em que demônios e vampiros estejam envolvidos, para que me levem até Lord Dracula. E assim possa destruí-lo de uma vez por todas.
                - Então você busca vingança?
                - Por dois séculos e meio.
                - E como veio parar aqui? O que Lilith está fazendo aqui?
                - Eu fui chamada para uma missão, eu tive que resgatar os setes tesouros de Samael.
                - Samael? Ele é mais poderoso que Mephistus!
                - Exatamente, as sete estatuetas juntas, dão a um vampiro, a eternidade plena sobre a natureza, o tornaria um Deus, soberano sobre todos os seres deste mundo e do outro. Lilith possui uma dessas estatuetas, nos temos que pegar de volta antes que ela recussite Dracula.
                - Mas como eu já te disse antes, Dracula já está vivo, mas ao que parece foi por outros motivos, eu nunca ouvi falar de tal história.
                - Isso é muito estranho, me disseram que seria assim.
                - Então mentiram para você.
                - Isso está muito confuso Alucard. O que eu achava que seria mais uma caça ao tesouro se tornou mais intenso, deixe-me perguntar, como Dracula recussitou?
                - Por uma mulher de nome Eleonora Belnades, casada com um dos Belmonts.
                - O clã Belmont? Então eles existem mesmo?
                - Sim, e um deles se encontra no castelo.
                - E acha que ele pode derrotar meu pai?- pergunta Tis.
                - Talvez, o que me preocupa agora são os seus relatos, se isso chegar na mão de meu pai... ou melhor...- agora Alucard lembrava da frase que tinha escutado da mulher das flores.- De nosso pai... - ele a presenteou com um leve sorriso.
                - Nosso... - ela o contempla com tamanha admiração.
                - Enfim, se isso chegar nas mãos de Lord Dracula, tudo estará perdido. Mas agora Lilith desapareceu.
                - Isso não é problema, sei como encontra-la. Venha comigo.
                - Sim, mas antes eu tenho que resolver umas coisas.

                Alucard a deixou e caminhou em direção a Maya que estava cuidando de um soldado ferido. Tocou em seu ombro,  a oriental o olhou com os olhos cheios de lágrimas, se levantou limpou o rosto, e tentou se recompor.

                - Maya, eu vou atrás de Lilith.
                - Então espere um minuto que eu já preparo as minhas coisas.
                - Não. Lilith, não é uma vampira qualquer, ela é muito poderosa, quase iguala aos poderes de meu pai.
                - Alucard, eu vou.
                - Me escute Maya, você viu o que ela fez com Roberts, eu não posso arriscar a sua vida, não seria justo com Allen, eu não vou tirar, o que ele preza tanto. Fique e espere por sua volta.
                - Alucard, mas...
                - Eu não vou perder outra amiga, está entendendo? Você fica!- disse autoritário.- Você é uma excelente guerreira, precisa ficar para defender esse povo.
                - Tudo bem. Mas tome cuidado.
                - Terei, caso eu não volte, eu te digo adeus, talvez nos encontremos algum dia, ou em outra vida.
                - Adeus Alucard.- e ela o abraçou.

                Alucard caminhou se distanciando, e voltando a encontrar sua irmã. Não se demoraram e partiram, a mulher possuia um cavalo negro como a noite, e ele se transformou em um enorme lobo cinza. E muito rapido percorreram as ruas da cidade por um tempo, Tis parou, e rodou em seu cavalo olhando para os lados, olhou para o seu irmão ao lado, e fez um sinal dizendo que era ali, mas estavam no meio de uma estrada, não havia nada além de árvores.

                - Apareça Lilith!- Tis gritou.

                Foi quando do céu um buraco negro apareceu sugando os dois para dentro. Alucard voltou a sua forma normal e pegou a sua espada, Tis desceu desceu de seu corcel. Embora estivessem em pé e firmes, parecia não haver chão, nem paredes e muito menos um teto, era como se estivessem no espaço fora do planeta, estrelas passavam pelos dois, viam planetas, o que para eles era uma coisa incrível, pois nunca imaginaram em suas eternas vidas verem algo parecido com isso, embora enfrentassem na maioria das vezes coisas além de suas imaginações. E então a dama novamente apareceu, belíssima, em seu vestido longo.

                - Entregue a relíquia.
                - Minha cara, se eu tivesse em posse de tal preciosidade eu não a entregaria.
                - Não está com você?- perguntou Tis surpresa.
                - Não, por que acha que Wallachia é atacada toda noite? Mando o meu exercito procurar por quem a possua, fiquei sabendo que é um dos mortais que a tem.
                - Então diga quem é.
                - Tis, sabe, pelo o que eu ouvi tanto de ti, parece que não é uma pessoa muito brilhante não é mesmo? Se eu soubesse quem fosse, eu já teria a estatueta comigo, não acha? Agora, não fica bem uma dama como eu, ir perguntando de porta em porta se cada pessoa da Romenia contém um objeto sagrado, não acha?
                - Entendo, de qualquer forma, foi muito bem, encontrar com você, eu acabo com você assim, como eu fiz com as outras.- disse toda confiante.
                - É isso o que vamos ver, o que uma Dhampira como você, poderia fazer comigo?
                - O que acha de uma dor que não esquecerá por toda a sua eternidade?
                - Mostre-me do que é capaz! Quero ver se sua lâmina é tão afiada quanto a sua língua.

                Ao final de suas palavras desapareceu, e num piscar voltou a se projetar em um golpe para cima da vampira que respondeu com outro mais feroz, Alucard também não se demorou a partir para cima, deixando que mais uma vez a sua forma mais vampírica tomasse conta. Levou alguns golpes, mas respondeu com magia, duas enorme bolas de fogo atingiram ao jovem Tepes, jogando-o em uma certa distância. Tis, ainda veio para cima, também com sua espada para atingir a inimiga. Dois foram certeiros, um no rosto e outro na barriga, a mulher atingida, passou lentamente a mão no rosto limpando o sangue, e colocando na boca, dizendo que não devia desperdiçar. Começou a voar ao redor dos dois, lançando raios em cima deles. Com pouca dificuldade foram se desvencilhando dos ataques, mas não era fácil chegar até Lilith. Tis desapareceu em uma núven negra, e depois reapareceu por trás agarrando a dama pelo pescoço.

                - Agora Alucard!

                E seu irmão foi com a espada mirando no coração da mulher, mas logo ela se soltou e desapareceu, quase que Alucard acerta Tis por pouco. Uma enorme esfera de poder, acerta aos dois, no chão eles não conseguiam se levantar, o que tirou gargalhadas maléficas da poderosa algoz. E os maltratava jogando-lhes mais bolas de fogo enormes. Mas logo parou, caminhou em direção ao filho de Dracula, ficou do seu lado, e o levantou sem toca-lo. Este que ainda lutou um pouco mas em vão, Tis ainda estava paralisada, o que não poderia atrapalhar Lilith. E como não poderia deixar de ser em mais um movimento, ela lançou mais uma magia e tudo desaparecera. Só havia Adrian, ele olhava ao redor e se encontrou em um lugar familiar. Um corredor, quando de repente um homem sai de uma porta, com uma besta em mãos. Logo para seu susto mais uma vez ele viu o rosto do homem que matou sua mãe. Ficou atônito ao ver o homem caminhar sorrindo em sua direção.

                - Ora, ora, ora, o que temos aqui, o filho do bruxo. Mas que nobre honra!- e deu uma gargalhada.- Sim, agora eu me lembro, é o rapaz que devia ter morrido, mas por infelicidade do destino a sua querida mamãe se pos na frente não é mesmo?

                Em grito de raiva, Alucard partiu para cima do homem e em um golpe rápido o degolou. O filho de Dracula chorava de raiva e urrava em ódio. Quando novamente o homem sai da mesma porta, segurando a mesma arma, e o mesmo ria e ria. Sem pensar duas vezes mais uma vez o Dhampiro ia para destrui-lo, mas não adiantava, quantos matasse, mais saiam da mesma porta. E assim foi indo, aniquilando quantos ele pudesse e visse.
                Voltando a outra realidade, Tis chamava por Alucard, que lutava contra o ar, e a rainha dos vampiras, ia se deliciando com a cena. Vendo que a mulher estava distraída, foi por suas costas em silêncio pegou sua espada. E em um único porém efetivo golpe, cortou a sua cabeça, sangue jorrava tal qual fosse uma fonte. O corpo cai no chão, depois Tis corre para Alucard que havia desmaiado e tenta reanima-lo. Sem perceber o corpo de Lilith se faz em uma névoa rubra, e sutilmente toma a sua forma anterior.

                - Para mim já chega! Vou acabar com vocês dois agora!- E lança duas esferas enormes e flamejantes na direção dos dois.

                Os irmãos são lançados no abiente em que estavam e cairam desacordados. A mulher virou suas costas e desapareceu. Voltando a Igreja, Maya estava conversando com a bruxa que liderava suas irmãs.

                - É incrível como homens têm a tendência da desorganização. Soldados, não têm a menor disciplina. Precisamos de uma estratégia nova.- Disse Vera olhando ao número enorme de mortos e feridos.
                - E o que tem em mente?
                - Que fiquemos todos juntos, e na hora de atacar, seja em um golpe só, daremos a primeira onda de ataques com magia, para dizimar a enorme massa, e depois os que sobrarem usaremos os punhos.
                - Acha que pode dar certo?
                - Tenho certeza, agora vou falar com Amadeus, o padre covarde que na hora da batalhe se escondeu na igreja, e contar-lhe meus planos.

                Vera caminhou para dentro da igreja a fim de encontrar o padre. Chamou-o por todo o lugar mas não encontrou, entrou em uma porta à direita do altar e continuou chamando por ele. Entrou em um pequeno corredor, onde dava para o seu quarto. Bateu na porta e não obteve resposta, levou a mão para a maçaneta e a girou, abriu a porta e nada encontrou. Então uma luz clareou suas idéias, apressou-se em sair do quarto, e continuar reto, ao final havia uma pequena porta, empurrou-a e abriu, levando uma escada que descia na escuridão. Desceu então em silêncio pois esparava encontra-lo lá, ao final, achou um monte de barris de vinho amontoados em um canto, um sorriso no canto da boca se fez em seu lindo rosto.

                - Velho cretino.
               
                Continuou andando, mas ninguém estava ali dentro, deu a volta em torno de si mesma procurando-o, mas novamente certificara que não tinha ninguém, achou estranho, se perguntou onde o padre poderia estar, deu a volta para poder sair, quando ouviu um som abafado, parecia uma risada. Ela continuou seguindo o barulho, até que seu sentido a levasse para uma parede, encostou a orelha e lá ouviu de onde vinha. Era do outro lado, ma segundo seus conhecimentos, não havia como chegar do outro lado. A não ser, então pensou, que houvesse uma passagem secreta, mas como iria achar em tal adega? Bem, para isso só havia uma resposta, devia procurar. Cutucou e mexeu em todos os cantos, mas não tinha resultado algum, quando pensou que o único jeito fosse esperar para o padre sair, encostou em um dos barris e acidentalmente abriu uma de suas torneirinhas. E tudo deu um estalo, e num estrondozo ruido a parede se movia para o lado, ao encontrar do outro lado Amadeus segurando um pequeno objeto, e olhando com susto para ela.

                - O que está fazendo aqui Amadeus?
                - Saia daqui!- disse furioso, guardando um pequeno objeto numa sacola preta de camurça.
                - O que tem aí?
                - Não te interessa! Saia! Saia já daqui!- suor saía de sua testa.
                - Dê-me isto, velho maluco!- disse avançando para cima dele, e pegando a sacola a força. - Vamos ver qual é o motivo de tanto nervosismo.
                - Não!! Devolva-me!- gritou querendo pegar novamente.
                - Fique quieto!- ela lançou-lhe um feitiço para não chegar mais perto.

                Abriu a sacola, e pos sua mão dentro, e de lá tirou uma pedra por demais curiosa, parecia um diamante negro, lapidado em forma de cabeça de bode, em seus olhos havia duas pedrinhas vermelhas de rubí. E o mais curioso é que dentro de sua transparência, havia uma luz vermelha que pulsava forte. Ela logo reconheceu o que era, sua pele empalideceu, e sua temperatura caiu bruscamente. Voltou-se para o padre e perguntou onde tinha conseguido aquilo, mas este se recusou em responder-lhe, só pedia novamente para que devolvesse o objeto. Perguntou novamente e a resposta foi a mesma, então furiosa estendeu o punho com a mão aberta e começou a fechar como se estivesse espremendo o ar, mas isso teve o seu efeito no homem, pois ele começava a gritar de dor, dizia que estava apertando-o e que iria morrer se ela não parasse, mais uma vez, ela fez a mesma pergunta e a mesma resposta foi dita, então apertou mais a mão, e som de três ossos se rompendo, exatamente três costelas foram ouvidas, uma delas rasgou a carne e ficou com a ponta para fora. O senhor quase desmaiou depois de um berro, que foi ouvido por todos do lado de fora. Perguntou mais uma vez, e antes que caísse inconsciente ele contou, que um homem alto, vestido de preto, tinha dado e explicado o poder de tais objetos, foi tão persuasivo, que decidiu aceita-las, mas precisava de provas do que o homem misterioso dizia, então, juntou todas as pedras, e elas formavam um demônio chamado Samael, soberano dentre muitos demônios, braço direito do todo poderoso Lúcifer o demônio-rei conhecido também dentre muitas outras culturas como: Capeta, Cão, Príncipe das Trevas, Diabo, Diogo e até mesmo Dracul, onde sua função é atrair as almas pelos seus pecados, mestre em jogos psicológicos e persuasão, um dos anjos mais perfeitos criado pelo todo poderoso segundo diz a bíblia, caiu em terra banido do paraíso, onde jurou vingança ao Senhor e todos os seus filhos. Criou o seu enorme exército de anjos deformados, para que sua profecia fosse concretizada, entre eles os líderes Mephistus e Samael, que estão no topo da perfeição malígna. As pedras que Vera segurava, era a cabeça da imagem de Samael, seu nome quer dizer “Forte Entorpecente”, ele é mestre das ilusões e pesadelos sem fim, sua maior proeza assim como o Diabo, trazer a tortura mental, até que exaure toda a força vital. Juntando todas as pedras criando a imagem do poderoso ser, uma fenda negra se abriu entre as núvens, e no chão se marcou um pentagrama. O homem estranho disse ao padre que fizesse um pedido, o mesmo espantado pediu um enorme baú repleto de ouro e jóias e logo o que havia desejado tinha se materializado, quando foi pegar, o homem berrou dizendo que não encostasse no objeto, e logo tudo sumiu, explicou que os donos da pas peças viriam buscar, e que assim teria realmente tudo o que desejasse. Ao final da história, Vera perguntou quem eram os donos, e a resposta foi na hora, Lilith viria buscar. Perguntou onde estavam as outras partes, mas Amadeus não quis responder a menos que o tirasse da terrível dor que estava sentindo. O fez, então pedindo para prosseguir, ele mostrou onde estavam as outras, mas antes que pudesse pega-las ouviu um trovejar, e gritos que viam do lado de fora da igreja, muito rápido Amadeus pegou todos os objetos inclusive o que estava de posse da bruxa, dizendo que ela havia chegado. Saiu correndo atrás dele para o lado de fora finalmente, encontrou o céu coberto de núvens negras e raios para todos os lados, uma ventania muito forte, e todos preparados para uma grande batalha. O padre havia sumido em meio a multidão. Correu para junto de Maya e falou que era para que organizassem todos da forma que explicara antes, Não demorou para que sua ordem fosse obedecida, suas irmãs todas se juntaram, esperando a hora do ataque. A lider das bruxas ainda procurava por aquele que se dizia homem de Deus, mas mesmo assim não o encontrava, foi quando ela apareceu, em uma névoa rubra, tomando sua forma sólida perante todos. Sorriu, do meio de um amontoado de magos e padres, saiu Amadeus correndo em sua direção girtando seu nome, e a chamando de mestra. Todos ficaram muito surpresos com o que aconteceu, as pessoas refugiadas da casa sagrada não poderiam acreditar no que viam, ele se ajoelhar e entregar sete sacolinhas na mão da mulher que trouxera todos os demônios a fim de massacra-los, beijava seus pés e dizia que era seu mais fiel servo.
                Uma pessoa em especial olhou aquilo horrorizada, e saiu correndo igreja dentro, entrou em uma porta que levava à uma das torres do sino. Foi para fora do lado de cima ao lado de onde um enorme sino de bronze permanecia, segurou-se e gritou:

                - Que ironia doentia a vida nos dá! A morte de nossos irmãos e filhos...- começou a soluçar.- Da minha filha!- berrou. - Foi entregue por um homem de Deus aos demônios! Eu vos amaldiçôo! Malditos sejam todos vocês, espero que morram nas mais doces das agonías infernais! Eu renego ao que se diz Pai todo misericordioso e devolvo-lhe o que diz que nos deu que temos de mais valor! Pois eu cuspo no que se diz supremo em todas as vidas, eu rio de seus mandamentos, pois me traiu tirando o que eu tinha de mais valioso, e este não era minha vida. Amêm à todos vocês que crêem no que não podem ver ou ouvir, ou sequer tocar, seus podres, vivam suas medíocres vidas vãs, pois eu odeio a todos! Se Deus existir, quero que veja o sofrimento que tráz aos seus tão “amados” filhos!- e se jogou lá de cima.

                Todos contemplaram aquele horrível episódio, da mulher caindo, batendo violentamente o rosto em um dos chifres de umas das gárgulas, acertando mais duas estátuas santas e finalmente caindo no chão de uma altura de quarenta metros. O som do corpo caindo no chão foi horrendo e muitos sentiram náuseas de ver a cena. Menos a mulher no seu maravilhoso vestido vermelho. Ela ria e se deliciava com tal cena.

                - Daria uma excelênte vampira! Todo esse ódio, toda essa raiva, uma excelênte criatura, um talento desperdiçado!
                - Senhora...- disse timidamente Amadeus.
                - Ah sim, você, tenho que ser-lhe muito grata por guardar os pertences de meu amo. Lord Dracula ficará muito satisfeito com este presente. Vai adorar a surpresa! E você? O que quer como recompensa?
                - É verdade que pode dar-me a vida eterna?
                - Ah! É isso o que quer? Simples assim? Pois muito bem, terei o maior prazer em fazê-lo, levante-se.
               
                Amadeus se levantou, a mulher no vestido vermelho pegou em seu pescoço inclinou para o lado, e seus dentes se tornaram aguçados, e na hora que em que ia morde-lo, um raio atingiu-a com enorme força jogando-a para trás. Amadeus gritou em protesto ao ver Vera com a mão estendida na direção da vampira.

                - Ao meu sinal!- gritou a lider das bruxas.

                Lilith se levantou, com o rosto ferido, e enfurecida começou a flutuar.

                - Seres medíocres, seus escrementos, seus lixos, seus podres e pobres, como ousam se opor a mim? Vocês, seres cujo  único poder que têm é da necroze. Eu esperei mais de mil anos por esse momento, e não é agora que vão tira-lo de mim, o meu mestre quer essas malditas estatuetas e vou entrega-las à ele, e vocês não vão me impedir, nós os vampiros, seres superiores vamos nos livrar dessa prisão absurda que fomos postos! E vocês, não serão nada alêm de um banquete! Vocês serão os primeiros a morrer, mas sintam-se felizes, pois terão a honra de dizerem, eu estive a frente da maravilhosa Lilith!- Abriu os braços em uma bola enorme negra, com raios em volta começou a cobrir seu corpo inteiro.

                - Atenção, ela pode atacar a qualquer instante!- gritou Vera. - Os magos e padres, serão responsáveis pela nossa defesa, os soldados e nos atacaremos!- depois virou para Maya. - Sabe como se mata um vampiro?
                - Pode deixar comigo!

                E dentro da enorme esfera veio o primeiro ataque avassalador, um enorme raio negro foi na direção de todos, e assim entrou em impacto com um enorme escudo azul. Ao sinal da lider as mulheres e soldados com suas catapultas, que não foi nada eficaz, atacaram. Um raio vermelho acertou Lilith, mas insistiram continuamente sem cessar. Ao segundo sinal, Maya se preparou para saltar e acertar demoníaca criatura, mas algo fez com que ela se contesse, de repente uma espada entra pelas costas e sai com um coração em sua ponta. Lilith dá um grito horrível, logo sua pele começa a secar até entrar em estado cadavérico, e cai no chão de joelhos em uma estátua mortuária, de olhos arregalados e secos, boca deformada e aberta, com toda a sua expressão de horror. E do meio de toda a névoa aparece Tis, que tira a sua espada que havia transpassado a vampira, depois vem Alucard.

                - Faça as honras meu irmão!

                Alucard chegou ao lado de Lilith, sem remorsos e com um golpe só de sua espada, cortou-lhe a cabeça. E assim suavemente o seu corpo se desfez em pó. Lilith a rainha das vampiras havia sido destruída, todas as núvens se dissiparam, e o sol voltou a iluminar tudo com glória. Ninguém muito felizmente saíra ferido dessa última batalha, então comemoraram o fim de tudo. Maya ainda perguntou se haveria novos ataques a meia-noite, mas Tis respondeu-lhe que não haveriam mais de se preocuparem. Vera ainda chamou a atenção e relatou aos dois o que havia acontecido com o Padre Amadeus que havia desaparecido com as relíquias, prontamente Adrian e sua irmã decidiram ir atrás dele, depois de uma emocianada despedida de sua amiga ninja, Alucard partiu com Tis, não se sabe para onde, isso somente a renegada filha de Lord Dracula sabia, mas nem para seu irmão revelara, apenas partiram. E Maya voltou com a sua nova aliada Vera e sua enorme legião de irmãs para cuidar dos feridos, mas antes voltou e olhou para trás e disse para si mesma “Allen agora está em suas mãos!”