Primeira Parte: Luxúria.
Allen, Roberts e Maya estavam sentado em volta a uma pequena fogueira que tinham feito, não houve mais nenhum ataque. Estava tudo muito quieto. Maya estava sentada encostada carinhosamente no Belmont, que a abraçava gentilmente.
- Então essa é a sua história.
- Sim, não sei a certo como consegui me livrar do feitiço, só sei que não sou mais uma assassina, e tenho vivido assim por muitos e muitos anos, descobri que tudo estava relacionado a Dracula e ao Diabo, então dediquei minha vida a destruir qualquer coisa voltada para o mal. E assim conheci os meninos.- diz a ninja calmamente.
- Está se sentindo melhor?- pergunta o jovem guerreiro.
- Sim, obrigada, tem sido muito atencioso comigo, obrigada rapaz.- diz ela com um sorriso gracioso.
- É bom que esteja melhor mesmo, porque está na hora de irmos andando.- diz Alucard.- Meu pai já acordou, temos que nos apressar.
Allen se põe de pé sério.
- Para onde iremos?
- Vamos seguindo em frente, ainda falta muito para chegarmos ao castelo em si.
Roberts se levanta e pega sua lança. Maya faz o mesmo com sua espada, eles apagam o fogo e se colocam a caminhar. Não há sons, nenhum barulho, mas todos estão muito atentos. Esperando por qualquer coisa que venha a acontecer. A temperatura começa a baixar e uma névoa se forma, mas ainda dá para ver para onde estão indo. A ninja cruza os braços pois o frio começa a ficar intenso. Os olhos de Allen Belmont, correm pelo lugar, mas não dá para ver muita coisa agora, a névoa se tornou muito densa, tornando impossível ver além de seu rosto, eles mal conseguiam enxergar um ao outro. Alucard é o primeiro a parar de andar, pois escuta alguma coisa. E fala para os outros pararem também.
- O que foi?- pergunta Allen.
O vampiro olha ao redor, dá mais dois passos a frente, e se agacha, é uma beirada, e mais a frente, tem água.
- Um rio.- diz suavemente.
- Um rio?- Roberts se apóia na lança.
- Sim, vamos esperar.
- Esperar? Pelo que?
- Você verá.- diz Alucard.
- Bem, não creio que será fácil com essa névoa.
Ao fundo é escutado um som, som de água se mexendo, parece que tem um ritmo, um de cada vez, calmamente, como se...como se estivessem remando. Alucard sorri.
- Ele está chegando.
- Quem?- pergunta Maya.
- O barqueiro.
E do meio da névoa aparece um homem, em pé no canto de trás de um pequeno barco de madeira, ele segura, se fazendo um tanto que apoiar no remo. Está coberto com um certo tipo de manto, parecido com o da morte, mas este é bege com marrom, não dá para ver o seu rosto, de seu corpo só se vêem suas mãos agarradas ao cabo do instrumento que provém locomoção do barco. Roberts e Allen procuram algo no seu bolso, Maya olha para eles dois sem entender coisa alguma.
- O que estão fazendo?
- Nós precisamos pagar o Caronte, caso a gente queira atravessar o rio.- responde Allen.
- O que?
- Esse é Caronte, o Barqueiro que atravessa as almas mortas para o outro lado do rio das almas, aquele que não pagar fica com a alma rondando na terra pela eternidade.- responde Roberts.
- Não é necessário.- diz Alucard.
- Olá mestre, o que posso fazer pelo senhor?- pergunta o Barqueiro.
- Precisamos que nos atravesse pelo rio, para que possamos chegar ao outro lado da vida.
- O senhor entende que dessa vez o que está pedindo é só um caminho de ida não é mesmo?
- Sim. Eu não pretendo tomar o caminho de volta.
- Que assim seja meu senhor.
Alucard é o primeiro a subir no barco, seguido por Allen, Roberts e finalmente por Maya. O condutor começa a remar. A japonesa companheira se senta, junto com o jovem Belmont, ela diz:
- Ai que frio!- ela fricciona os braços com as mãos.
- Vem cá.- Allen passa o seus braços nela, e a abraça.
Ela dá um sorriso e se faz confortável, junto ao rapaz do seu lado. Roberts fica olhando ao redor, para ver se enxerga algo além da névoa, mas é inútil ele não consegue ver coisa alguma. Maya-chan olha para o destinado guerreiro a acabar com a malevolência de Dracula, e pensa consigo mesma o quanto ele era bonito, “que rosto calmo e sereno que ele tem... mesmo sendo jovem, há aparência firme de um homem, um homem de verdade, que sabe o que quer.” Era o pensamento da jovem no momento em que seus olhos o contemplavam enquanto ele mesmo tinha sua atenção para os lados. Seus companheiros de viagem estavam calados. O Belmont teve sua atenção voltada para o rio. Não era água normal, onde eles estavam, os passageiros do simples barco estavam em um rio sim, mas em um rio de almas, que se movimentavam como a mais leve correnteza, muitos com cara de desespero, bocas abertas em gritos mudos, olhos contraídos ou muito abertos em dor e agonia. Uma das mãos dessas almas líquidas por assim dizer tentou se agarrar no transporte, mas se desmanchou e escorreu bote a fora voltando para onde estava.
- Esse é o rio das almas perdidas, meu rapaz.- Caronte diz com voz fantasmagórica para Allen.
- Sim... eu sei...para... para onde vão essas almas, a onde dá esse rio?
- O destino desse rio é longo...- ele dá uma risada contida.- essas almas têm um longo caminho a percorrer.
- É muito longe?
- Oh, sim, meu jovem, pois o rio não leva a lugar algum.
Ao escutar Maya se arrepia toda, Allen também dá uma tremida, Alucard pouco se importa e Roberts sorri com o canto da boca. Mesmo o jovem guerreiro Belmont estando de frente para Caronte, não dava para ver o seu rosto, e isso era algo que o incomodava , pois discretamente tentava enxergar qualquer coisa por baixo do capuz. O filhe de Vlad Tepes sente que algo não está certo. Seus olhos correm para os lados tentando enxergar qualquer coisa. Algo dava para ser escutado, não muito bonito de se ouvir, transmitia... dor, eram gritos, desesperados, suplicantes, em agonia. De repente, nada mais que de repente a névoa se dissipa e enfim ele consegue ver. Estão prestes a cair em uma catarata de almas, as mesmas que gritam por causa da queda. Ele olha para o barqueiro assustado, este que continua a remar em direção reta, rumo ao suposto fim do rio, dava para ver no horizonte que ele continuava, mas para que fizessem o caminho era preciso uma descida até lá. Allen também vê que estão prestes a descer de um jeito não muito agradável.
- Oh meu Deus! Nós vamos cair!
Maya se levanta olhando também e ficando prontamente assustada. Adrian continua olhando
preocupado para o seu condutor.
- Ei! O que está fazendo?- grita Roberts.
- Nós vamos cair, o senhor não está vendo, está louco?- Maya se aproxima dele.
- Façam uma boa viagem.- fala ele desaparecendo logo em seguida.
O barco está desgovernado, Allen vai e tenta remar para o outro lado, mas é tarde demais estão a beira da cascata, muitas das almas tentam se agarrar no barco, os gritos estão mais altos e mais constantes. E agora era a vez dos guerreiros se juntarem a eles, mas algo não estava correto. Eles não estavam caindo, Alucard olha estranhando ao redor, Maya se senta pondo a cabeça para fora de onde estava e viu que estavam voando. O cenário era em uma tonalidade cinza, o céu completamente fechado sem sol, às margens do rio das almas, o solo era coberto por uma grama verde com cor opaca. Estavam descendo gentilmente até que estivessem ao lado de uma das margens. O vampiro foi o primeiro a se por para fora, Roberts fora o segundo, Allen o terceiro e ficou para ajudar a única mulher no grupo a descer. Mais outro sorriso foi a recompensa que o rapaz obteve da moça. Seus olhos agora se tinham um no outro por um pequeno espaço de tempo. Enquanto os dois homens iam andando mais a frente, o jovem Belmont e senhorita Kishuu se atrasavam, andavam lado a lado, até que a bela oriental pergunta.
- Então, menino, você tem alguém?
- Alguém?
- Sim, alguém para quem voltar quando sair daqui? Sabe, um amor, ou coisa parecida...?
- Ah, isso... não, não tenho ninguém para quem voltar.- diz ele com um sorriso tímido.- E você?
- Bem, eu já tive meus amores...- diz ela olhando para baixo.- Amores de verdade... mas todos se foram, e devido a maldição que tenho... nunca pude me juntar a nenhum deles.- ela olha para Roberts que está na frente com Alucard.- Igual a ele... eu tenho o pior castigo que todos podem dar ao seu pior inimigo.
- Entendo...
- Não...- suspira.- Acho que não entende não, meu querido. Não sabe, o que é ver todas as pessoas que você conhece irem embora, todas as pessoas que você ama morrerem, e você continuar com a vida para sofrer em toda a eternidade. E o pior... se acostumar com as perdas, não poder chorar de soluçar quando alguém se vai por estar acostumada. E se privar de muitas coisas por causa disso, se privar muitas vezes de sorrir, chorar, ficar nervosa, feliz, indignada, deixar que você tenha a curiosidade, deixar que você viva intensamente. Estou viva a quinhentos anos, já fui para todos os lugares do mundo, viajei o mundo inteiro, toda a Europa, Ásia, África, América do norte e sul, o mundo se tornou pequeno para mim, as pessoas são as mesmas não importa onde elas estejam. Nada me surpreende mais, a vida perdeu a graça, eu estou morta de certo modo, Allen. E quem dera estivesse mesmo, para que eu pelo menos estivesse em paz, pudesse esquecer as coisas pelas quais passei. Para que pelo menos a minha vida fizesse sentido, sabe, muitos perguntam qual é o sentido da vida, mas eu sei que o que não é o sentido é viver para sempre, a não ser que seja só na memória, pois essa meu anjo querido, é a melhor recompensa que alguém pode ter, que seu nome, que seus atos vão mais além do que a sua própria carne. E que às vezes você caia no esquecimento, para dar lugar à outras memórias vindouras, e por ironia do destino, alguém no perdido do mundo, vá saber sobre você, e fazer com que você de certa forma viva novamente dentro de suas mentes. Todos nós temos uma alma, eu, você, até mesmo Dracula tem, e a alma somos nós de verdade, a nossa inteligência, a nossa personalidade, as nossas características, o nosso âmago, a nossa força, o nosso verdadeiro “eu” e acima de tudo, a nossa energia, e essa energia tende a acabar Allen. A nossa alma se acaba, e perdemos quem somos e para o que fomos feitos, somos apenas uma entidade, que vai e volta ao mundo, morremos para que possamos nos reciclar, para que possamos ser nós novamente, de outra maneira, de uma nova maneira, em uma nova evolução. Eu não sei se me entende, meu amor, mas viver para sempre é desistir da vida, isso com certeza, é como se você tivesse aprendido um monte de coisa e não pudesse contar à ninguém ou aproveitar. Resumindo, eu nunca poderia me apaixonar por um homem, tão bonitão como você, porque eu odiaria te ver me deixar e jamais me juntar a você.- diz ela com um sorriso e os olhos cheios d’água.- É como se o meu castigo fosse perder o poder de amar...
- Maya...- ele a abraça com todo o carinho, e ela começa a chorar em seu peito. De olhos
fechados, ele sente que o seu coração bate mais forte, e seu corpo esquenta, e algo sai passando pela garganta e saindo pelos lábios.- ...meu amor...- e a abraça mais forte contra ele em completa ternura.
- Cuidado!!- Grita Alucard!
E antes que todos pudessem perceber, estavam rodeados, por olhos brilhantes que era a única coisa que dava para ver em meio ao nevoeiro. Allen se vira, quando ao mesmo tempo são atirados milhares de coisas na direção dos quatro. Alucard se transforma em uma névoa onde tudo o que lhe é atirado atravessa, Roberts vai se defendendo como pode com a sua lança, o Belmont se move entre salto e chicotadas para evitar o ataques, Maya se usa da sua rapidez e agilidade para desviar-se de tudo. Enquanto o mais novo guerreiro se defendia ele abria caminho contra os seus agressores, e quando todos percebem, estão rodeados por inúmeros esqueletos que jogadores de ossos. Suas caveiras com sorrisos macabros olham a todos, e sem se demorarem começam a saltar de um lado para o outro repetindo o ato de atirarem ossos contra os guerreiros. Adrian já em sua forma normal, parte para o ataque, com o seu escudo na frente, numa velocidade sobre humana, ele atinge um por um. Se aproveitando do tamanho da lança-tridente que usa, o guerreiro de Orion ataca a vários inimigos ao mesmo tempo. Maya estava atacando uma pequena roda que tinha se formado nela, sem muitas dificuldades todos eles vão destruindo seus inimigos. Com o canto do olho Allen percebe que enquanto a ninja tem a sua atenção direcionada para um dos esqueletos, outro por trás vai atirar um osso pelas suas costas. E assim, destrói o inimigo ao qual estava lutando, corre o mais rápido que pode, salta, e no ar, pega o projétil que é lançado contra a moça, jogando novamente contra o monte de ossos ambulante destruindo-o. Ele cai e rola no chão, e assim que se faz de pé se defende contra outro ataque por trás da Vampire Killer. Nesse momento enquanto eles lutam parece que o número de inimigos vai diminuindo e a quantidade de ossos e caveiras despedaçadas aumentam. A lâmina da espada de Alucard corta e destrói o último deles.
- Ufa... finalmente.- diz Maya.
- Já estava ficando entediante.- diz Allen.
De surpresa todos os ossos que estavam no chão, e estes que eram milhares, bruscamente começam a voar, como se um vulcão tivesse entrado em erupção. Como não esperavam por aquilo todos eles foram atingidos. E toda aquela ossada vai se juntando, e fazendo uma forma só. A criatura é gigantesca, não muito diferente de todas as outras que os atacaram há pouco. Era um esqueleto enorme, que segura um osso igualmente gigante na mão. Alucard em sua Dark Metamorphosys foi atacar primeiro, correu, saltou, e lançou-se para a enorme estátua de cálcio, centímetros perto do monstro e pronto para corta-lo levou um golpe violento caindo no chão seguidamente, o Dhampiro se levantou ainda meio tonto, mas não se demorou para atacar novamente. Allen não podia se segurar e correu para o ataque. Não tendo muita sorte o jovem rapaz quase foi esmagado pelo osso do ser gigantesco se não fosse pelo seu reflexo e saltar para trás segundo antes. O Filho de Dracula fora castigado mais uma vez. Foi agarrado pelo esqueleto gigante, a espada do paladino caiu ao chão. Roberts correu para tentar pagá-la, mas a criatura novamente foi motivo de atrapalhar pisando na arma em solo.
- Aaargh! O Maldito está me apertando!- gritou Alucard.
- Allen, faça alguma coisa, essa coisa vai mata-lo!- gritou Maya.
Allen não podia pensar muito, aliás não podia pensar, correu logo na direção do inimigo, este que tentou novamente esmaga-lo, mas foi em vão, o Belmont salta, e sobe em cima do osso fazendo o seu caminho sobre o braço do esqueleto gigante, com a sua Vampire Killer em mãos desferiu-lhe um golpe na cabeça. A monstruosidade óssea cai no chão, e Alucard é libertado. A batalha ainda não havia acabado, apenas um golpe não deu conta da entidade que se pôs de pé novamente. Enfurecido o osso ambulante gigantes começa a correr atrás de todos, o que traria grande preocupação pois uma pisada daquelas faria todos ali virarem pó.
- Se separem!- gritou o jovem Belmont.
Alucard foi para a direita, Roberts para a esquerda, Maya salta e desaparece, Allen continua correndo na frente do monstro. E do nada ele pára, se vira e encara a coisa que caminha na sua direção. Os dois se olham por três segundos e logo correm um para o outro, um em passos pesados e avassaladores e o outro em completa agilidade. O braço se ergue pronto para pulverizar o seu pequeno oponente, o braço desce, mas... nada acertou o chão, o belo guerreiro rolou por entre suas pernas aparecendo do outro lado, saltando e dando outro golpe agora na nuca da criatura, após esse movimento de Allen, como uma bala aparece Alucard acertando o inimigo na cabeça, logo em seguida Roberts com a lança e de cima vem Maya cravando a sua Katana de Ofasume por cima da cabeça, tirando sua espada e se juntando a todos. O monstro cambaleia, mas mesmo assim não era o suficiente, ainda em uma rapidez surpreendente ele consegue agarrar o jovem Tepes pelo pé e castiga-o batendo o seu corpo contra o chão como se fosse um movimento que os Belmonts fizessem quando chicoteiam o solo. A ninja mais uma vez usou de sua habilidade para contra atacar, tinha que tirar Alucard de qualquer jeito dali, o homem castigado começa a perder sangue. A lâmina foi de encontro mais uma vez batendo brutalmente contra o rosto da criatura. Um golpe atrás do outro ela flutuava no ar destruindo a cabeça do enorme esqueleto, que por sua vez não conseguia se mexer, Alucard foi largado e caiu no chão como um trapo, Roberts correu em seu socorro. E numa explosão Maya lança o inimigo longe deixando um enorme rastro no chão. Ao encostar no chão a moça está com os olhos brilhando em vermelhos, sua visão ainda espera que do meio da fumaça o seu algoz retorne para dar o troco, e não demore muito para que novamente correndo em passos avassaladores o gigante venha com tudo. Um sorriso aparece no canto de seu belo rosto, novamente há um confronto frente a frente, os corpos estão prestes a se chocar, quando um deles desaparece. A caveira deformada olha para os lados procurando, e no instante seguinte um flash. Um linha se forma no corpo inteiro, e se divide em dois, cada lado caindo como se fossem dois enormes troncos de árvores. Maya se materializa atrás do derrotado inimigo que evapora em chama azul, e toda soberana guarda sua Katana. Allen corre para o vampiro no chão, havia perdido muito sangue nessa batalha.
- Ele está muito ferido. O que faremos?- pergunta o guerreiro da lança.
Allen estende o braço, pega uma adaga que carregava em sua cintura, cortou e deixou que o sangue escorresse, aproximou da boca de Alucard e deixou gotejar. Os olhos do belo e obscuro ser se abriram, estes que brilhavam em vermelho sangue, igual ao que bebia, seus caninos cresceram, agarrou o braço do Belmont, e cravou seus dentes. O rapaz mordido tentou conter um grito de dor, mas precisava ajudar Alucard. E como se fosse um completo animal sugou o fluido com toda a voracidade e desejo, logo seus ferimentos foram se fechando, sua pele branca e delicada foi se restaurando. Escorria um pouco pelo canto da boca, parecia que há muito não sentia o gosto metálico do rubro líquido nos lábios, não sentia o quanto era quente e delicioso. A visão de Allen começa a embaçar, os olhos de Maya e Roberts tomam expressão preocupada, ela se ajoelha e fica ao seu lado abraçando-o. Por um tempo o vampiro se deliciava com o gosto de seu salvador. Sentia o frenesi que tinha deixado o seu corpo a partir do momento que aprendera a controlar os seus sentidos demoníacos, o que sentia era como se fosse um prazer sexual, como se cada parte do seu corpo se tornava mais sensível, como se um tremor tocasse cada centímetro de sua pele, a cada gole que dava sua respiração tornava-se ofegante. Os lábios acariciavam o braço do jovem enquanto o sangue descia pela sua garganta, e como todo vampiro ao morder sua vítima, para que pudesse continuar a beber passava a mesma sensação para Allen, que por um pouco perdia a vontade de tirar o braço, tornava-se agradável para ele sentir a boca delicada do filho de Dracula, sua respiração perdia o ritmo ficando um pouco irregular, sua pele se arrepia.
- Já... não está bom?- Maya fala totalmente preocupada.
- Allen?- Roberts encosta no ombro do amigo.
Mas parece que ele está em um certo transe, seus olhos brilham em azul, há uma certa saliência em seus caninos, os olhos de Alucard se abrem e os dois se encontram em olhares, e por um impulso, um sentido que vem do mais fundo de seu corpo, passando pelo pescoço, pelas costas, por cada parte arrepiada de seu peito, o jovem Belmont, se aproximou de Alucard com o rosto e encostou vorazmente seus lábio nos dele em um ardente beijo.
- Oh Deus!- falam os dois em uma mistura de sentimentos.
- O que?- diz a ninja um tanto o horrorizada com o que vê.
Ficaram imóveis por um instante sem saber o que fazer, enquanto os dois mais belos homens sentiam os lábios, e a língua um do outro. E mais sangue continua a escorrer pela boca de Alucard, enquanto eles se beijavam, o ser ainda se alimentava. Roberts tentou separar os dois, mas algo estranho, uma força o lançou longe. Maya olhou assustada aquilo, se levanta, enquanto os dois se deliciam nos seus beijos. Uma risada corre pelos ares de onde eles estão, Roberts se põe de pé olhando ao redor. Da névoa sai um corpo, feminino, este corpo que era belo e desprovido de panos ou qualquer tipo de roupa, uma mulher bela ao extremo caminha na direção dos dois corpos nos chão. Seus seios são fartos, suas curvas delicadas porém em extrema saliência, ela possuía um aroma delicioso e indescritível. Os olhos de Roberts não conseguiram se desviar de cada pedaço dela, e Maya por sua vez também tinha seus olhos vidrados em tão bela criatura. Nua, ela se ajoelhou, passando a língua nos lábios que não haviam se desgrudado até então, e um sorriso fez-se no canto da boca, uma de suas mãos cariciou um de seus seios, em pleno desejo.
- Como são belos.- dá um longo suspiro.- Venham meninos, sou toda de vocês.
As bocas se separaram, e logo foram de encontro ao pescoço da mulher que se deitou para ser dominada por Alucard e Allen ao mesmo tempo, as mãos alisavam o corpo dela por inteiro, não deixando escapar nenhuma parte íntima. Roberts, sentiu que um desejo tomava conta dele também e começou a dar passos na direção do trio. Maya olhou para ele e gritou seu nome, mas este parecia não ouvir mais nada. Ela já tinha visto aquela mulher antes, mas onde?
- Não!- ela correu para onde estavam todos.
Ao chegar perto assim como Roberts, uma força a jogou contra uma árvore torta e morta que havia ali. Roberts tomou seu lugar ao acariciar o corpo da mulher, e ela por sua vez pôs se a gemer delicadamente aos agrados e carinhos que recebia manualmente por cada um deles. Maya empunha a sua Katana, não sabendo exatamente o que fazer. O que ela não conseguia entender era o porque daquilo estar acontecendo. O que será que aquela mulher fez com os três? Então como uma luz, veio a resposta. Essa mulher era outro demônio, a Succubus, um dos demônios mais perigoso e o braço direito do Diabo, pois não havia um homem que pudesse controlar seus desejos sexuais, e enquanto o ato sexual era consumado ela roubava a alma de seus amantes, quando entrava em orgasmo. E para isso, enquanto ela estivesse no apogeu do prazer, ela precisava beijar a sua vítima. Fazia isso independente do sexo, masculino ou feminino, mas com as mulheres era preciso que ela as tocasse primeiro, por serem mais puras de espírito. Mas mesmo assim, Maya no fundo se sentia tentada a se juntar e se entregar aos homens e até mesmo a mulher acariciada ali. Não, não podia se deixar vencer, tinha que ser forte, mais forte que o frenesi que sentia, tinha que achar um jeito de acabar com aquilo de uma vez, antes que fosse tarde demais, mas como? Seus olhos se fixaram em um ponto, depois se voltaram novamente ao grupo, o silêncio era tudo o que tinha para Maya. O chão recebe a parte de cima de seu kimono, a bela moça oriental nua da cintura para cima foi caminhando lentamente até chegar onde todos estavam. Seu coração batia rápido, sua pele arrepiou assim como os seus seios, tudo nela pulsava. A mulher deitada contemplou o corpo belo e delicado da oriental ali em pé, ela se levanta lentamente, e fica cara a cara com Maya.
- Sem muitos exageros, mas é linda. Corpo todo delicado.- vai alisando o pescoço da ninja.- pele macia.- vai descendo a mão para acariciar um dos seios da moça.- Você faz o meu sangue ferver, menina.
Maya fica enrubescida e perde um pouco o fôlego, a boca da Succubus vai ao seio da ninja, e começa a passar a sua língua carinhosamente. Os homens se agarram nas pernas da demônio e começam a beijar e passarem a língua, enquanto as mãos inquietas passeavam pelo seu corpo. A oriental tira da cintura uma pequena faca, quando o seu pescoço é beijado pela mulher completamente nua, Maya faz que vai abraça-la em desejo, mas crava em suas costas a lâmina, cortando a carne, e arrancando um grito de dor da mulher. As duas se separam. Alucard, Roberts e Allen, piscam os olhos como se estivessem acordando. Um tapa violento joga a moça no chão.
- Maldita!- ela aparece voando com duas asas de dragão enormes nas costas.- Eu vou acabar
com cada um de vocês!- ela lança duas enormes esferas de fogo contra todos ali.
Maya salta desviando do ataque, Alucard se põe de pé novamente, com a sua espada vai ao ataque do demônio, que logo recebe um golpe voraz. Allen, tenta se mover, mas está fraco demais. A mulher nua se livra de mais outro ataque de Adrian e volta a sua atenção para o jovem Belmont que está indefeso, a ninja corre na direção do rapaz enquanto a Succubus lança-lhe outra bola incandescente. E em velocidade extrema o corpo é retirado do lugar onde o ataque foi desferido. Roberts pede ajuda para Alucard, os dois não estão tendo muito sucesso para derrota-la.
- Alucard, transforme-se em névoa da mais densa!
- Para quê?
- Apenas faça o que estou dizendo!
E assim o vampiro vira uma neblina densa, Roberts diz que Alucard tem que ir à direção da demônio, fazendo isso a mulher não consegue enxergar nada, solta poderes em todas as direções tentando se livrar inutilmente do obstáculo visual, enquanto isso, Roberts corre, crava sua lança no chão para impulsiona-lo ao ar para que possa chegar a altura da oponente voadora. Com sua arma ainda em mãos, ele fecha um olho, mira e joga, vai como um raio cortando o ar e também atravessa no meio do peito da criatura dos desejos mais impuros. Com o poder do golpe, o corpo dela é pateticamente jogado contra uma árvore, a ponta da lança crava-se na madeira, e ela fica presa ali. Seus olhos ficam fixos e vazios, sangue escorre no canto de sua boca. E em luz branca ela desaparece destruída.
- Allen... você está bem?- diz Maya segurando-o no colo.
- Sim...- fala ele ainda meio fraco, seus olhos mal se mantêm abertos.- Lady Maya... o que aconteceu... com as suas roupas...?- ele desmaia.
- Oh!- exclama lembrando que estava seminua.
- Aqui está.- Fala Alucard olhando para o outro lado.
- Oh.... obrigada.- diz ela completamente envergonhada.
Mais tarde uma gargalhada toma conta dos dois homens sentados em volta de uma fogueira.
- "Oh, obrigada!” - mais uma risada de Alucard.- Você devia ter visto a cara dela!
- Ei, você devia ficar mais assim, sabe como é, não é Maya-chan, como veio ao mundo!
- Ora seus! Vocês deviam estar me agradecendo em dobro ta bom? Se não fosse pelo meu corpo muito lindo, nenhum de vocês ainda teria uma alma para contar história! É isso que dá, você salva dois marmanjos que quase foram derrotados por uma mulher!
- Ei, espere um pouco, ela não era qualquer mulher, não!- diz Roberts.
- Mas mesmo assim, qual é o homem que gosta de ser superado por uma mulher? Acho que ataca em algum lugar o ponto da virilidade não é mesmo?
- Hmf, quando eu tenho a chance de conhecer a tão famosa Succubus eu não lembro de nada...
- Ora Roberts, não fique assim, se lembraria menos ainda se sua alma fosse roubada.- Diz Alucard.
- Lady Maya...
- Sim, meu querido.- Fala ela acariciando o cabelo do rapaz.
- Você é... uma mulher extraordinária. Muito obrigado por nos ajudar.
- Ora Allen, não precisa me agradecer, faria tudo denovo se fosse preciso.
- Como você está, rapaz?- Pergunta Alucard.
- Bem...- dá um suspiro cansado.- E você? Está melhor?
- Sim, graças a você.- ele caminha na direção do jovem deitado no colo de Maya.
Coloca a sua mão em seu peito, uma pequena luz se faz e começa a esquentar. Uma sensação enorme de alívio toma conta do Belmont, vai sentindo a sua força retornar, o seu rosto corar saudavelmente. Alucard retira a mão.
- E então, como se sente?
Allen Belmont, se levanta como se não tivesse acontecido nada, está em forma novamente, pronto para outra batalha ou para muitas outras que virão. Alucard propõe que todos continuem andando, ainda faltava muito para chegarem dentro do castelo de seu pai. Mais uma vez Allen e Maya ficaram andando mais atrás. Os dois caminham abraçados.
- Obrigado mais uma vez por ter tomado conta de mim.- diz o rapaz.
- Ora, e como eu não ia? Você fez o mesmo, lembra? Acho que ainda não sei o quanto eu posso te agradecer...
- Não precisa, eu faria tudo denovo se fosse preciso.- ele diz parando na frente dela.
Um sorriso dele foi possível para os olhos dela brilharem e se perderem. As mãos do Belmont, acariciam o rosto de Maya, ela fecha os olhos por um instante querendo sentir o carinho, delicadamente ele a trás para perto, e se encontram em um olhar, a admiração de um pelo o outro é extrema.
- Eu...- ela não sabe o que poderia falar nesse momento.
E sem dizer uma palavra, ele muito delicadamente encosta os seus lábios nos dela, transformando isso em um beijo doce e completamente apaixonado. Onde o abraço de ambos é forte e seguro, onde cada um pensa em um "Finalmente!" Alucard e Roberts olham para trás, e em um suspiro o guerreiro da lança diz:
- É sempre bom ver algo desse tipo não é mesmo?- uma lágrima desce pelo seu rosto.- Helena...
- Você ainda tem um coração, não tem?
- Sim...
- Então, você ainda a tem. Enquanto o seu coração bater, Roberts, Helena jamais morrerá, pois o seu amor, nunca, jamais vai deixar que ela desapareça, ela vai estar sempre com você.
- É isso mesmo meu amigo.- passa a mão no rosto para seca-lo.- É isso mesmo.- sorri.
Voltando para Maya e Allen, ele olha para ela depois de terminado o beijo, o seu sorriso é ainda mais radiante. E olhar dela é cada vez mais perdido, em algo que começa a crescer em seu coração.
- Sabe, se algum dia a gente se separar, eu já não serei mais um mortal.
- O que? Como assim?
- Sim, você terá algo que vai te acompanhar para onde for.
- E o que é?
- Um amor que estou sentindo que é tão eterno quanto você.- ele acariciando o rosto da moça.
- Oh Allen!- não precisou de mais nada, ela o beijou mais uma vez, com tamanha intensidade do que sentia.
Segunda Parte: O Vampiro de Almas.
Caminhando horas e horas em meio ao nevoeiro eles conseguem chegar finalmente em algum lugar. O caminho todo tinha sido calmo até aí, Allen e Maya ficaram juntos a viagem inteira, o silêncio foi o que mais predominou desde de sua última parada. Parando eles olharam para um enorme portão, e atrás dele um espaço, mais como um jardim, e assim como todo o cenário morto que estavam, este não fazia-se diferente. E magnanimamente uma mansão enorme se estendia, recheada de janelas, sacadas ou varandas, os andares eram vários. Alucard desconhecia tal estabelecimento, era algo novo para todos ali presentes. Em sua forma sinistra e bela a casa chamava a atenção de todos, a enorme porta de metal se abre fazendo caminho para que todos dêem seus passos. Olhavam para as árvores secas do jardim, e onde devia ter uma pequena fonte, o espaço era enorme, os muros de cerca viva se estendiam até onde os olhos não podiam mais enxergar. A névoa era a única paisagem além da casa e seus pertences. Ao girar a maçaneta a enorme porta de madeira reclama estrondosamente dando visão do que estava dentro, parecia que pela primeira vez em muitos anos a claridade tocava nos móveis empoeirados, velhos e esquecidos de lá de dentro. O grupo caminhou sob um tapete vermelho do que viria a ser o salão principal, a porta se fecha por trás deles, a escuridão mais uma vez toma conta de lugar que parece adormecido ou sequer com vida. Allen estende a mão para o alto e invoca com os seus conhecimentos de magia, a luz. Uma pequena esfera luminosa sobrevoa-os tornando visível tudo ao seu redor. Os passos deles fazem eco no ambiente.
- Quem são vocês?
Alucard, Allen, Roberts e Maya olha na direção da onde a voz vinha e por de trás das sombras um homem caminha na direção deles, suas roupas são elegantes, uma face bonita, pálida e um tanto apática contempla os quatro ali parados. Pára, cruza os braços e pergunta novamente:
- Quem são vocês? O que estão fazendo aqui, na minha casa?
- Allen, quem é ele?- Maya pergunta sussurrando.
- Não sei, o medalhão não diz quem é...- olha para o homem e diz.- Desculpe-nos senhor, não queríamos entrar assim na sua casa.
- Bem, se não queriam, o que estão fazendo aqui?
- Estamos perdidos, meu senhor.- diz Alucard.
- Perdidos? Hmm. E o que querem que eu faça?
- Que nos diga onde estamos, se não for muito incomodo.
- Não sabem onde estão? Isso é impossível! Bem, meu caro, está em minha casa!
Allen e Roberts se olham.
- Sim, disso acho que nós estamos a par, mas quero saber em que lugar, país, cidade, entende?- continuou o vampiro de forma polida.
- Não percebe? Não consegue sentir o cheiro? Não há ares que se comparem ao ar da Itália meu caro.
- Deus...- Allen sussurra.
- O que foi?- Maya pergunta.
- Ele... é apenas uma alma...
- O que?
- Sim.- diz Alucard para eles.- Ele está morto e não sabe disso.
- Ele deve ser alguém importante.- diz Roberts.
- Por que?- pergunta novamente a moça.
- Se meu pai mantém a alma dele aqui, é porque ele deve ter a sua utilidade.- e se vira para o homem novamente.- Diga-me, quem é você?
- Ele não sabe quem é, meu caro Farenheight Tepes. - uma voz vem do fundo do salão onde estavam.
Os olhos do belo Alucard atravessam o ambiente até ver um outro homem em roupas elegantes, com os olhos de íris cinza, o rosto maravilhoso e pálido, os cabelos curtos e lisos, num sorriso hipnótico ele demonstra o seu deleite de ver o filho de quem poderia se denominar seu pior inimigo. Todos os rostos se viraram também para ele, um passo a frente e o vampiro disse o nome do seu novo anfitrião.
- Olrox.- era óbvio que no tom de voz havia um enorme desagrado.
- Olrox? Você não está querendo dizer... que este é "o" Olrox...- Roberts olha perplexo.
- Sim, este é o vampiro das almas.- fala Allen segurando o medalhão.- Ele não sobrevive de sangue, mas das almas das pessoas, outro anjo do Diabo.
- Hm, vejo que meu nome percorre reinos e províncias não é mesmo?- diz aparecendo atrás do conde daquela mansão.
- Então é você que quer a alma dele, para que?
- Ora Alucard, este homem aqui é realmente uma raridade, você acha mesmo que eu ia deixar isso para seu pai?
- Com licença? Mas eu posso saber o que todos vocês estão fazendo aqui em minha casa?
- Ora, não seja tão indelicado, estes são nossos convidados para o jantar.- diz Olrox. Vira-se para Allen.- Diga-me rapaz, como alma tão iluminada pode vir a acabar nos confins de escuridão infinita? Mesmo sendo um Belmont, acho que não tem a noção do que é estar nos domínios daquele se diz ser filho do demônio.
- Estou aqui para acabar com tudo isso.- diz o rapaz com voz firme.
- Verdade? Sabe, que vocês Belmonts, são os seres mais admirados e temidos por nós vampiros? Eu mesmo me sinto um tanto desconfortável em olhar-te em tão belos e verdes olhos, que me aniquilam em tanta firmeza e frieza. É como se estivesse sentenciando a morte. Mas deixa-me revelar-te uma coisa, rapaz. Você e os seus companheiros já estão mortos. Deixe-me ver, isso foi idéia sua Alucard, não é mesmo Alucard?
- O que?- Allen se vira para o filho de Dracula.
- Quando entramos no barco e atravessamos, saímos do mundo dos vivos e viemos para o mundo dos mortos, os nossos corpos permanecem na beirada do rio.
- Eu... não posso acreditar.- Maya fita o seu querido Belmont perplexa.- Estou... morta?
- Oh, sim minha querida Lady Maya, hoje é meu dia de sorte, duas almas amaldiçoadas à eternidade, dois Belmonts, e o filho do lorde da escuridão para absorver.
- O que? Dois Belmonts?
- Oh sim, temos dois Belmonts aqui sim, nunca viu o seu irmão mais velho, Solieyu?
- Oh meu Deus!- Roberts olha para o conde, e percebe que no fundo tem os traços de seu falecido amigo.- Está querendo dizer que esse é o filho perdido de Christopher?
- Meu... irmão... então é esse...?
- Sim, mas eu acho que ele não é mais, porque agora ele é meu!- Olrox crava seus caninos no pescoço de Solieyu.
- NÃO!- Allen corre e salta na direção de Olrox.
Cortando o ar com uma velocidade grande, o chicote acerta o rosto do inimigo que é jogado para longe, mas é tarde demais, a alma de Solieyu desaparece e assim como no Soul Steal uma esfera vai e é absorvida pelo corpo do vampiro de olhos cinza. Alucard se prepara assim como todo o resto, Maya põe os seus sentidos para trabalharem, e vai contando na sua cabeça para entrar em ritmo de batalha.
- Wahahaha! O que acham que podem fazer? Desapareçam!- Olrox com um gesto, faz Alucard, Roberts e Maya sumirem.- Agora é só entre eu e você, Belmont!
- Pode vir.- diz em um sorriso maléfico segurando firme a Vampire Killer.
- Vocês Belmonts são realmente extraordinários!
Allen percorre o corredor, pois seu inimigo mais uma vez tinha desaparecido. Um soco explode no rosto do rapaz fazendo ele voar e cai no chão, ele sacode a cabeça, não tinha visto nada, mais outro golpe antes que pudesse se por de pé. Não era possível saber por onde este tinha vindo também. Mais outro no rosto, seguido de um no estômago e um último na boca fazendo sair sangue. No chão a dor corria para as partes atingidas, uma risada toma conta dos ares da batalha, Allen consegue finalmente se levantar por si só. Não conseguia saber de onde os golpes vinham, era como se estivesse apanhando do nada, e onde ele poderia estar? Atrás? Na frente? Uma coisa era certa, outro golpe viria a qualquer momento. E foi o que aconteceu, levou outro pelas costas, gritou de dor, voltando a ficar de quatro no chão, foi lançado para o ar, estava começando a ficar muito nervoso com aquilo, Olrox estava brincando com ele. Tentou dar umas chicotadas enquanto estava longe do chão, mas foi inútil, caiu de pé e mesmo assim continuou, estava pensando que talvez se Olrox chegasse perto para atingi-lo ia poder acertar de qualquer forma. Mas para a sua surpresa um estrondo faz o chão tremer. E blocos enormes caem do teto, o Belmont foi desviando de tudo que poderia atingi-lo, foi acertado em cheio no ombro por uma pedra muito grande. Quando tudo terminou algo apareceu novamente em sua mente. Pegou um frasco de água benta, jogou para cima e disse palavras mágicas, dentro da sala formaram-se nuvens pesadas e negras, E gotas de água benta começaram a cair incessantemente por todo o lugar.
- Tolo! Isso não pode me atingir!
Allen se dirigiu para onde a voz vinha, e as gotas batiam no nada tomando forma, era ele. Allen então correu e desferiu-lhe golpes com a sua arma, não havia como Olrox fugir, Allen havia travado seus olhos verdes no seu algoz e agora ele estava nas suas mãos. Sem a menor piedade um golpe após o outro tomou conta do vampiro das almas ali posto, a chuva havia parado, e agora as gotas logo se evaporaram, e agora Allen não tinha mais visão nenhuma. Estava praticamente impossível. E como relâmpagos os golpes foram tomando conta do Belmont, que vergonhosamente ia apanhando. Caiu no chão, sua Vampire Killer parou longe, e antes que pudesse chegar perto dela, o vampiro apareceu em sua frente segurando-o pela camisa, os olhos cinzas e demoníacos se firmaram nos olhos verdes.
- Você é meu, Allen Belmont, se juntará ao seu irmão!
- NUNCA!
Uma aura azul começou a brilhar em volta de seu corpo, os seus olhos ficaram da mesma cor, a mão de Olrox começa a arder em dor, o chicote se transforma numa corrente negra e volta para a mão de seu dono. Em um grito o vampiro o solta, e de sua mão sai fumaça. Agora tinha sido a vez de Allen sumir. Ele olha ao redor procurando, e tão violentamente o seu rosto se vira e o seu corpo faz o mesmo, saindo um pouco do chão, voa até cair um pouco longe.
- O que?
A mão do guerreiro agarram o ser de roupas elegantes pelo pescoço e o suspende no ar, e sem dizer uma palavra o lança para o ar saltando atrás logo em seguida, o metal da corrente se unem formando uma espada negra e brilhante. E um golpe corta tudo, atravessando o outro lado. Olrox tinha sido cortado ao meio parte da cintura para baixo tinha caído centímetros de seu tronco. No chão ele olha para o ser que tinha se transformado em algo muito poderoso, não podia acreditar que apenas um mortal poderia conter tanto poder, e seus olhos agora se encontraram novamente, nos olhos azuis o vampiro pôde vir que algo nada bom estava prestes a acontecer. A cada passo que o jovem dava para perto, ele começava a sentir mais medo.
- Você ainda vive?
- Allen... Allen... Sou eu... Solieyu...- a voz de Olrox muda.- A minha alma está presa aqui! Se destruir o vampiro, minha alma se perderá para sempre.
Allen deu uma risada que fez até um ser demoníaco se arrepiar, e em um sorriso mais tenebroso ainda ele deu o último golpe fincando a sua espada na testa de seu inimigo. Um grito tomou conta de tudo, e logo um buraco negro se abriu puxando todo o corpo de Olrox para dentro. A espada volta a ser um chicote de couro, várias almas saem voando pelo lugar, e uma delas veio caminhando do buraco, até que este se fecha. Parou em frente ao jovem Belmont e deu-lhe um belo sorriso, ambos se encaravam, se pareciam bastante. Solieyu se estendia na frente de seu irmão.
- Muito bem. Papai ficaria muito orgulhoso de você.
- Então... Você é meu irmão?- perguntou em admiração.
- Sim, eu tenho que te agradecer ao ter me salvado, vejo que sai muito bem como um caçador de vampiros.
- Obrigado.- sorriu.
- Como sabia que não era eu?
- Papai, tinha me contado que você morreu há muito tempo. Ele me falava bastante de você. Por que nunca foi nos visitar?
- Eu tenho o mesmo dom que você, mas eu não queria ser um caçador de vampiros, acho que meu pai contou para você pelo que nós Belmonts passamos, eu queria ser normal, eu tinha uma família para proteger, e morri em função deles. Ao que tudo indica, quando minha batalha com a morte chegou ao fim ela tinha conseguido me amaldiçoar para que eu viesse parar aqui.
- E não se lembrava de nada?
- Feitiço de Olrox. Escute Allen, não é que eu não gostasse de meu pai ou de você, afinal tinha ficado muito feliz quando soube que você tinha nascido. Mas eu simplesmente não queria viver a mesma maldição de enfrentar Dracula e a perseguição que os demônios têm pela nossa família, porque nós somos a chave para a dominação do mundo que Dracula precisa. Se ele conseguir que sangue sagrado como o nosso comece a correr em suas veias malditas, nada poderá impedi-lo, depois de séculos de batalha, o conde se tornou muito forte, até mesmo que o próprio diabo, aquele que o criou, você vai estar lidando com o mau em pessoa, com todas as coisas sujas e podres do mundo. Com todos os pecados juntos em um só ser. É uma responsabilidade que muito grande que eu não tinha coragem de assumir, e fico admirado com você, rapaz, que possui uma força muito grande. Agora que estou livre daqui posso seguir para o meu caminho e encontrar os meus ancestrais lá. Mas antes eu gostaria de pedir-te uma coisa.
- Diga.
- Eu tenho uma esposa e um filho, ela se chama Eleonora e o menino se chama Juste, eu não sei onde eles poderiam estar agora, mas eu gostaria de que você os encontrasse para mim, e tomasse conta deles. Pode fazer isso para mim?
- Claro.
- Allen!- Maya aparece correndo com os dois a acompanhando.
- Vocês estão bem?
- Sim, e você meu querido, fiquei tão preocupada!- ela o abraça, olha para Solieyu.- Olá, quem é você?
- Um amigo, venham vou dar-lhes os seus corpos de volta.
- E pode fazer isso?- pergunta o Belmont mais novo.
- Sim, veja.- ele aponta com o dedo para um ponto.
Quatro bolas de luz aparecem, e depois se fazem os corpos de cada um deitados no chão.
- Bem, eu desejo a todos muito boa sorte. Vão precisar disso e de muito mais. Você principalmente Allen, ao mesmo tempo que você é a salvação, também é uma das armas mais perigosas de Dracula.- ele estende a mão para cumprimentar o irmão.
Allen aperta a mão de Solieyu com extrema satisfação, e depois o seu irmão mais velho desaparece. Ele volta o seu rosto para a sua querida Maya e beija-lhe os lábios mais uma vez, depois caminha em silêncio e retorna ao seu corpo. Todos fazem o mesmo e minutos depois estão fora da mansão que desaparece junto com o nevoeiro. Roberts pergunta quem era e ele responde que aquele tinha sido o seu irmão. Todos o olharam com uma certa admiração. Foram caminhando por um tempo sem destino, iam fazendo o seu caminho na grama morta de onde estavam.
Terceira Parte: Os olhos da Medusa.
Quando notam, os nossos bravos guerreiros estão andando em um cemitério, e cemitério em Castlevania era sinônimo de perigo. E como não podia deixar de ser, logo começaram a serem atacados por uma legião de morcegos vampiros, que vinham com os seus olhos vermelhos brilhantes, sedentos por sangue. Maya ia fatiando-os com a sua habilidade, Allen e sua Vampire Killer iam dando conta também, sem falar em Alucard e Roberts que pareciam se divertir com o que faziam. E da terra saem pessoas, mortos vivos, e em seu andar débil avançam para os nossos heróis. Alucard soltou um Soul Steal destruindo quase todos ali. Estavam satisfeitos com a batalha que tinham, pois depois do Belmont ter derrotado Olrox ficaram um bom tempo sem fazerem nada, completamente entediados. Mais esqueletos voltaram, mas estes eram diferentes, pareciam guerreiros, usavam escudos e espadas. Mas só teve um que Allen fez questão de enfrentar, um que usava um chicote também. Sorriu, e foi logo de encontro ao seu inimigo que por mais que fosse aparentemente fácil, mostrava ter bastante habilidade, conseguiu desviar-se de todos os golpes da Vampire Killer.
- Ahá! Isso vai ficar deveras interessante!- disse o jovem cheio de vontade.
E ferozmente a criatura igualmente armada soltou golpes insanos para cima do guerreiro, que conseguiu se defender, os golpes do ossudo eram fortes, Allen o empurrou com o pé, a criatura rolou para trás e se pós de pé, voltou a correr para ele. Uma chicotada no nada, o rapaz saltou por cima do seu inimigo deu-lhe um golpe nas costas, este que caiu de quatro e logo se levantou em um outro golpe furioso. A mira da criatura era principalmente a cabeça, andando para trás ele foi desviando de golpes que iam passando milímetros perto do seu rosto. Quando em um micro segundo viu a sua chance e explodiu um golpe na perna e outro na cabeça desmontando a criatura. Vendo que os outros não tinham problemas procurou outro adversário, quando não precisou de muito pois uma bola incandescente caiu ao seus pés, olhando para cima viu uma criatura que tinha visto anteriormente na cidade, esse que era o enorme esqueleto voador com asas de fogo. Saiu correndo escapando das esferas de fogo, que lhe eram lançadas.
- Ei! Assim não vale! Você pode voar e eu não, venha e lute como um... esquece...
E com velocidade o monstro deu-lhe um golpe usando suas garras, arranhou o rosto do Belmont deixando três marcas. Parou, passou a mão na ferida, sua mão estava suja de sangue, lambeu um pouco do mesmo, sorriu, e depois saltou, tão alto que conseguiu chegar na altura da criatura, e deu-lhe outro golpe, fazendo os ossos das asas se desprenderem e o resto cair no chão. Pôs-se de pé e ficou como se fosse um enorme gorila, Allen fazia questão de se manter o mais próximo de seu oponente, queria ver até onde seus reflexos eram bons, os golpes faziam vento que levantava os seus cabelos louros. Maya, Roberts e Alucard, em meio a suas batalhas prestavam atenção na luta que Allen estava tendo, se olharam, nunca tinham visto, pelo menos até agora o filho de Christopher mostrando tanta soberania nas lutas que tivera. Enquanto isso, incansavelmente a criatura ia golpeando o nada mas com o objetivo de acertar o seu belo inimigo. Uma chicotada por vez fazendo a criatura perder forças. Allen estava brincando, assim como um animal selvagem brinca com a sua presa. Outro esqueleto de chicote apareceu por trás. Com o canto do olho ele percebeu a sua presença, e um prazer enorme tomou seu corpo, parecia gostar da idéia de dois contra um. Esperou pelo ataque dublo, e num movimento, a arma de couro se esticou até o que estava na sua frente, atingindo destruindo-o, voltando numa velocidade extrema, passou todo caminho e atingiu o que estava atrás. Duas chamas azuis se formaram em volta de Allen. Parecia que tudo estava terminado. Caminhou para os outros, olhou para Alucard, e perguntou-lhe:
- Então, sou bom o suficiente com a arma que tenho?
- Bem... é surpreendente.
- Deixe-me ver isso.- Maya tocou gentilmente o seu rosto.- Oh, meu amor, está doendo muito?
- Bem, não estava até você mencionar.- disse seguido de uma doce risada.- E agora, Alucard? Para onde vamos?
- Bem, se eu não estiver enganado, e se meu pai não tiver mudado pelo menos essa parte, devemos continuar por esse cemitério, e chegar até onde estão as cavernas.
- Bem, então vamos.
Foram andando em meio ao cemitério, e nele haviam muitas estátuas, de anjos, estátuas como as feitas na Grécia Antiga. Até que as formas foram mudando, de guerreiros em poses de combate, gritando no mais puro terror, uns como se estivessem correndo de alguma coisa. Allen se atentou para tão desconfortáveis imagens.
- Seu pai que colocou essa estátuas aqui? Se for, ele deve ser uma pessoa muito perturbada.
Quando Alucard olhou, ele parou e ficou muito, mas muito sério.
- Isso não são apenas obras de arte.
- Não? E o que são?- pergunta Roberts.
- Obras da Medusa.
- A besta mitológica que transforma pessoas em pedra com o olhar?
- Sim.
- Quer dizer que ela pode estar por perto?- Maya olha para os lados preocupada.
- Sim, e ela é uma das preferidas de meu pai.
- Seu pai tem preferidos?- Allen pergunta.
- Sim, se eu tivesse me juntado a ele, eu com certeza seria o seu braço direito, mas ele tem o poder de pessoas mais poderosas que eu. A Medusa é só um deles, temos que ter cuidado, muito cuidado, se temos que enfrentar que enfrentar medusa provavelmente coisas muito piores aparecerão.
- Não temos outra escolha. Vamos.
- Essas pessoas... não há como livra-las?- diz Maya olhando para cada estátua.
- Não.
- Ahn? Você está me dizendo que se eu virar estátua, já era?
- Sim.- responde Alucard.
A moça segura com força o braço de seu amado Allen, e continuam andando mais um pouco em meio ao cemitério, as estátuas vão se fazendo mais presentes enquanto eles vão se aprofundar mais, quando a ninja olha para uma delas que está sentada.
- Nossa! Que rosto lindo!
Todos olham. Era o rosto de uma mulher, aparentemente parecia estar de olhos fechados, estava sentada em uma espécie de trono, os seus cabelos eram longos e parte dele passavam na frente do ombro, os traços eram delicados, Alucard quando pôs os olhos logo gritou, e virou a moça para o outro lado.
- Não olhe! Essa é Medusa!
- O que? Não... não pode, porque ela é um monstro cheio de cobras na cabeça...- ela falou olhando sem entender muito.
- Não, isso não tem nada a ver, a verdadeira história da Medusa tratasse de uma mulher bela e egoísta que queria a atenção de todos os homens para si, foi quando ela matou a sua própria irmã com medo que ela fosse mais bonita que ela. Zeus a amaldiçoou por isso, e todos a que a olhassem virariam pedra para que ela ficasse eternamente sozinha. Ela arrependida espalhou que ela virara um monstro horrível como você mesmo falou. Tempos depois ela enlouqueceu e se voltou contra todos os deuses do Olímpo se juntando a Hades, temos que tomar muito cuidado com ela. Temos que de alguma forma destruí-la enquanto ela não abre os olhos.
- Meu Deus...- ela se abraçou a Allen novamente.
- Allen, você pode usar a sua água benta?
- Não, estou sem, usei tudo o que tinha contra Olrox. Você não pode usar o Soul Steal?
- Posso tentar.
Ele se envolveu em sua capa, seus olhos se apertaram, uma aura vermelha começou a brilhar, o seu rosto tomava traços de vampiro, seus caninos cresceram e os olhos ficaram brancos.
- Soul Steal!
Uma ventania tomou conta do lugar, mas nenhuma esfera foi para o corpo de Alucard, ele se virou para os outros em sua forma normal e disse que não tinha adiantado, tinham que arranjar outra maneira, Roberts pegou sua lança e começou a caminha na direção da estátua, todos começaram a chamá-lo de volta mas este não queria escutar, a única coisa que ele pensava era em acabar logo com isso, e se ele virasse estátua tudo bem, pelo menos assim ele teria um pouco de paz, não tinha nada a perder mesmo, ele perdera a sua razão de viver a séculos atrás de qualquer forma. Ficou frente a frente com a bela porém maldita estátua, estava suando frio, empunhou-a com firmeza, seu braço forçou a arma para que fosse direto no meio do rosto, mas algo o parou no meio do caminho, ele olhou, e uma delicada mão branca estava segurando a lança. A cabeça se virou para Roberts e de repente como um susto abriu os olhos. Em questão de segundos o guerreiro de Orion se tornou mais uma estátua como as outras.
A pele da estátua viva se torna corada e ela se transforma em humana novamente, seus olhos eram verdes e sua pupila tinha forma de uma cruz, seu corpo era maravilhosamente perfeito, bem delineado, coberto por uma toga branca, e de sua boca macia saiu uma leve risada.
- Maya... você, pode ser a nossa única esperança.- o vampiro coloca a mão em seu ombro.
- Eu?
- Sim, você pode lutar sem usar a visão, não é?
- E quanto a Roberts? Não podemos fazer nada para ajuda-lo.
- Eu sinto muito meus amores.- a dona da voz delicada toca o ombro de Allen.
Allen fecha os olhos assim como Alucard, Maya dá uma voadora no meio do estômago da Medusa, ela cai metros de distancia, logo se levanta e olha para a sua agressora. A ninja está com seus olhos fechados e sua Katana de Ofasume na mão, ela pode escutar qualquer alteração no vento, o que ela não pôde sentir ou sequer ouvir, foi quando a besta mitológica desapareceu, reaparecendo atrás dela, e com sutileza ela a tocou, de sua mão saiu uma luz, e Maya tinha virado uma outra estátua.
- MAYAA!
Os olhos do Belmont e de Medusa se encontram, a pele do rapaz congela, o medo de virar outra pedra se faz em questão de milésimos, mas ele nota que não é isso o que acontece, Alucard se põe do lado dele.
- Você está bem?
- Sim... eu...
Uma esfera enorme de energia atinge violentamente os dois, a dor que sentem é muito grande, suas peles começam a arder, como se sua pele tivesse sido exposta ao sol por mais tempo que deveria. Caem no chão e rolam, eles sente os panos das roupas encostarem e isso traz enorme incomodo. Não podem se mover muito por causa disso os tornando um tanto indefesos. Ela vem caminhando calmamente para eles.
- Ah, como seriam belos os dois na minha coleção fria e sem alma de estátuas.- ela acaricia o rosto de Alucard.- E você? Eu conheço você, não conheço?- ela olha para o lado pensativa.- Ah sim, você é filho do mestre não é? Sim, tem a mesma beleza de seu pai, ou é até mais bonito, eu posso sentir o poder maligno correndo pelas suas veias. O que está fazendo ao lado de um humano?
- Eu vim aqui para acabar com você e o resto desses demônios.
Medusa deu-lhe um tapa no rosto e depois o segurou violentamente pelos cabelos.
- Escute aqui maldito! O Único demônio que eu vejo aqui é você! Vampiro, o que é um vampiro? Um ser rastejante que não sabe o que é a beleza da luz do sol, o que é o gosto do amor. Não passam de cães selvagens sedentos por sangue. Em suas peles pálidas, suas feições de extrema tristeza, onde a depressão é a sua única companheira, mesmo vivendo eternamente para verem o mundo inteiro, são incapacitados de ver o mundo de verdade, pois ficam em seus fétidos caixões ou numa caverna escura, se escondendo como seres miseráveis que são. Sim, vocês é que são os demônios, da pior espécie.
E com um gesto ela o lança para longe, seu corpo voou como se fosse uma leve pedra que uma criança atirado no lago. A mulher teve seus olhos modificados, estes agora tinham a íris amarelas, como fizera com Maya, Allen era mais outra estátua. Num relâmpago da besta mitológica levou um impacto violento, Alucard tinha dado-lhe um golpe com o escudo. A Batalha estava armada, agora estavam a sós, a mulher logo olhou para seu oponente. Tinha o temperamento muito calmo e não deixou que isso a tirasse do sério, estendeu os braços e deles saiam cobras, os seres rastejantes eram incrivelmente rápidos e asquerosos. Partiam como pequenas balas atiradas de floretes. E por trás do metal vermelho com o emblema de sua família o Dhampiro se defendia dos ataques. Estava cercado por toda parte, saltou, no ar tomou impulso mais uma vez indo mais alto ainda, cobriu metade de seu rosto e desapareceu, vontade a se materializar atrás de Medusa em questão de segundos abriu a veste que cobria a face e lançou-lhe três esferas de fogo atingindo-a em cheio. Não desistindo ela se apóia nos joelhos, com o canto do olho o observa vindo para outro ataque com a espada. Seu corpo flutuou para trás, e outras esferas de energia se originaram e atacaram o paladino da escuridão. Com agilidade de um felino o homem desvencilhou-se dos ataques fazendo o seu caminho para a sua inimiga. Estava próximo, a lâmina da espada estava prestes a cortar-lhe quando parou interrompido pelo braço da Medusa, seus olhos se cruzaram e Alucard era pedra. Caiu no chão na posição que estava. Vitoriosa deu uma risada sádica voltando para o solo. Caminhou na direção de seu mais novo troféu.
- Como é belo, não vou destruí-lo, vais ficar ao meu lado o tempo todo. Não! Melhor ainda, dar-te-ei como presente para meu mestre. Que ao contrário de você e outros da sua raça é um ser poderoso e maravilhoso. Ele trará a este mundo toda a verdadeira beleza.
De repente no rosto da estátua apareceu uma rachadura, e mais outra, e mais outra, e foram aparecendo mais e mais, ela foi espantada dando passos para trás. E de súbito as pedras voaram e Alucard estava de volta em sua forma normal.
- Primeiro: Eu posso caminhar sob a luz do sol!- fez o sinal da cruz e lançou três almas para ataca-la.- Segundo: Sei muito bem o que é amar, senão não estaria aqui, que aliás é a única coisa que mantém andando por essas terras ultimamente.- ele está em Dark Metamorphosis.
Cobras são lançadas contra ele que vai logo cortando todas, o sangue respinga e tudo absorvido pelo Dhampiro, vai abrindo seu caminho contra a Medusa que o ataca com esferas de energia. Ele desaparece mais uma vez, se fazendo atrás dela novamente, e com sua espada ele atravessa o crânio da mulher.
- Terceiro: Eu ainda sou humano!
Tira sua espada, ela se vira e o encara com uma enorme fenda na testa. Sangue escorre pelo seu belo e marcado rosto, e antes que sua força lhe fosse toda embora, com apenas um movimento dos braços ela explodiu todas as estátuas incluindo Allen, Maya e Roberts.
- NÃO!- a segura pelo pescoço.- Maldito demônio! Faça-os voltar!
Com um sorriso sádico na face ela cospe no rosto de Alucard, este que se enche de ódio e com um grito morde-lhe o pescoço. Os olhos dela se abrem em dor muda. E com violência o seu polegar e seu dedo mínimo, pressionou as maçãs da face, a boca da Medusa ficou entreaberta. Cerrando os dentes ele disse furioso:
- Bebe! Bebe Maldita! E te amaldiçoou por toda a eternidade a vagar pelas vias da insanidade e dor sem fim!- ele a beijou a força, depois de segundos sangue começa a escorrer, e ali Alucard tinha dado parte de seu fluido para a demoníaca criatura.
Dando dois passos para trás ela tosse, algo queima em sua garganta, está ficando cada vez mais forte, os joelhos vão de encontro ao chão e as mãos ao pescoço como se estivesse sufocando. Algo como patos cantando em roupas de gala conversando com crianças com cheiro de porcos e orelhas de cachorro, começam a tomar conta da sua cabeça.
- Não... não...- diz desesperada.
- Agora os faça voltar!
- Mar...margaridas assassinas? Elas... ARGH! DOR!- se põe de quatro.
- FAÇA-OS VOLTAR E EU TE LIVRO DA DOR, MALDITA!
E em um gesto uma luz vem do céu e um corpo aparece deitado no chão. Allen está de volta. Com as mãos no pescoço da Medusa e sua lâmina fria já sentiam a pele da insana.
- Traga o resto!
- Tire... Tire esses bois daqui! Eu... Eu não posso! Eles são muitos cachorros... Eu...
- Alucard!
Ele se vira e encontra com Maya e Roberts de pé um ao lado do outro. Ao ver, se põe de pé surpreso e sorridente, livre a Medusa sai correndo gritando em meio às árvores tortas de onde estavam sumindo logo em seguida.
- Vocês estão bem! Mas, como?
- Somos imortais, lembra? Não podemos morrer.- fala Roberts.
- Oh meu amor!- Maya abraça Allen.- Está bem?
- Sim minha pequena, fiquei tão assustado quando virou estátua, pensei que ia ficar sem você para sempre.- deu-lhe um beijo apaixonado.
- Vai deixar que ela vá?
- Sim, dei a ela o seu pior castigo, vai viver o resto da eternidade em sofrimento e dor.
- Ainda falta muito para Castlevania?
- Não muito, rapaz, se não houver mudanças não estamos muito longe de meu pai. Mas não fique muito satisfeito, se estamos demorando muito aqui fora, demoraremos muito mais no castelo.