Capítulo 10: Seu Sangue É Seu Destino



Primeira Parte: O Guerreiro da Luz



                Não havia maldade em seu rosto, ele apenas continuava sentado onde estava. Allen ainda estava parado na entrada sem saber o que fazer, por muitos e muitos anos imaginou como seria esse momento, quando era jovem chegou a pensar como seria a batalha, como lutaria com o senhor das trevas, que faria várias piruetas e daria golpes impressionantes com a sua Vampire Killer, e depois seria aclamado por toda Wallachia como herói. Mas ali era diferente, ali era de verdade, não havia glória naquele momento e também não se via como herói, aliás, ele não se via nem como um ser humano mais. Estava cansado, estava com fome, não queria nem mais ser ele mesmo. Porém lá estava o guerreiro enviado por Deus, assim sabia que era pois foi o que ouvira a sua vida inteira e o filho do Diabo. Até mesmo a aparência do vampiro lhe era uma surpresa, sempre pensou que seu rosto fosse completamente demoníaco como algumas imagens o retratavam, mas não, diante dele, via um homem belo com roupas finas. Até mesmo diferente de quando entrou no castelo e teve o seu primeiro encontro, mas ainda assim, ali ele não era o mesmo Allen Belmont que estava prestes a se sentar ao lado do dono do Castelo.

                - Venha, rapaz, sente-se comigo. Temos muito o que conversar.
                - Não temos nada o que conversar, demônio!
                - Você ainda vai continuar fingindo que tem os mesmo propósitos sacros para estar aqui? – Então com um gesto de sua mão, ele fez aparecer no ar a imagem de Allen gritando que não Deus não existia e jogando a cruz contra parede até ela se quebrar.  – Você está com fome não está? Acredite em mim rapaz, não há motivos para hostilidades, não agora. – Novamente com a mão ele fez uma cadeira ao longe se afastar sozinha para trás insinuando o lugar onde o caçador deveria sentar.

                O cheiro da comida era hipnotizante, e em sua mente ele estava no inferno, ele não tinha mais nada a perder, se morresse ali ou não, para Allen Belmont já não faria mais a diferença. Allen caminhou lentamente e se sentou à mesa junto com o Dracula que apareceu logo em seguinte sentado em sua frente. Os olhos se encontraram e o corpo do rapaz logo ficou tenso. Dracula sorriu e se recostou.

                - Vou deixar que o meu lado humano fale agora. – A voz de Dracula mudara. – Será menos assustador assim. Há vinho, se você estiver com sede.

                Allen sem se demorar se serviu, depois arrancou uma perna de um peru assado e comeu. Os olhos do vampiro estavam o analisando minuciosamente.

                - Você realmente me impressionou rapaz, aliás todos vocês Belmonts me impressionam. Com as suas vontades, os seus almejos e a sua fidelidade cega a Deus. – Ele passa um de seus dedos sob o lábio inferior. – Eu pensei que você jamais sairia daquela torre.

                Os olhos de Allen se fixaram aos olhos do conde que naquele momento ficavam de um azul intenso. Ele logo largou o que estava comendo.

                - Por que? – O jovem perguntou.
                - Tudo nesse mundo, Allen, é feito por motivos. O ser humano não vive sem um motivo. Aquele que não tem um objetivo para acordar no dia seguinte, não tem motivos para viver. Você sentiu isso naquela torre, não foi? Perdeu o sentido da sua vida. Sentiu-se louco, de simplesmente andar sem motivos, sem razão alguma de ser.
                - Por sua feitiçaria. – Os olhos do guerreiro continuavam cravados aos olhos do Vampiro.
                - Sim. A torre foi encantada por mim, mas não fui eu quem fez você se sentir como se sentiu, ou que mandou você fazer o que você fez.

                Allen logo se lembrou da morte da moça que aparecera diante dele. Logo ele se levantou e segurou mais uma vez a sua Vampire Killer. Dracula continuou imóvel e apenas o observou levantar, sorriu e balançou a cabeça negativamente.

                - Não rapaz, aquilo também foi um ato seu. Ela foi um presente que eu lhe enviei para que não se sentisse sozinho. Você o recusou, foi direito seu, embora, ela não precisasse morrer. Você podia simplesmente tê-la deixado lá, mas você quis matá-la, aquilo foi vontade sua Allen Belmont. Aquele sangue derramado está em suas mãos, e não nas minhas.
                -Você me enganou! Foi por isso que eu... – ele mesmo se interrompe!
                - Foi por isso que você mesmo a matou? – Dracula se levantou apoiando-se com as mãos sobre a mesa e se inclinando para o rapaz. – Não jogue em mim uma culpa que foi inteiramente sua rapaz! Você a matou! Você sabe disso! Você é um monstro agora! Um monstro tão vil, tão cruel, tão massacrador de pessoas inocentes quanto eu!
                - Não! Não me compare a você! – Allen começa a andar para trás, e de repente Dracula aparece por trás dele.
                - Mas você é um monstro Allen Belmont! Todas as criaturas que você aniquilou até chegar aqui. Sua cunhada! Ela era da sua família e você a matou! Não se lembra? Ela morreu nos seus braços, pelos seus atos, pelo seu tão precioso chicote! Todas as criaturas que você matou aqui dentro deste castelo, Allen Belmont, são criaturas de Deus, sabia?
                - Não! Não são! São criaturas de Lucifer! Do anjo caído, do profanador!
                - E ele também é criatura de Deus! Ele foi criado pelas mãos do tal Homem! – Dracula caminha para um canto da mesa e pega um jarro de vinho e enche uma taça. – Mas não se preocupe. Seria muita pretensão sua achar que poderia destruir o Diabo em si.
                - Você mente, Dracula! Eu não vou me deixar abalar por suas mentiras!
                - Eu minto ou as verdades que lhe jogo na cara são tão ruins para que você admita que você é tão imundo quanto eu sou?
                - Eu estava tentando me defender!
                - E eles estavam tentando viver nesse mundo com a verdade que eles têm.
                - Eles vivem sob a mentira do ser maligno!
                - E QUEM É VOCÊ PARA DIZER O QUE É OU NÃO VERDADE? Quem você pensa que é Allen Belmont? – Dracula grita e sua voz ecoa por todos os cantos de onde eles estavam.
                - Eu sou o enviado de DEUS!
               
                “...NÃO EXISTE UM DEUS!” A voz de Allen Belmont ecoa por todos cantos da sala também após isso.

                - Você não acredita em Deus, Allen, lembra? – Dracula sorri.
                - Eu... eu estava fraco, eu estava... perdido...
                - Sim, estava, e se não fosse por mim, você ficaria vagando lá até você morrer, fui eu quem te tirou de lá. Você morreria naquela torre, Allen Belmont, e sua alma continuaria subindo escadas pelo infinito. Onde estava o seu Deus, então? Por que ele não lhe mandou alguém te salvar? Por que ele mesmo não veio e te pegou em suas tão bondosas e misericordiosas mãos? Não Allen Belmont. Não há um Deus misericordioso. Há alguém que assiste e se diverte. Alguém que brinca, e que não tem um pingo de misericórdia.
                - Você...
                - CALE-SE ALLEN BELMONT! AGORA EU VOU FALAR E VOCÊ VAI OUVIR!!! – Dracula tacou o cálice de vinho no chão. – Por séculos eu tenho vivido entre essas paredes, e não fora do mundo, como eu um dia vivi. Por anos e anos  e séculos a fio eu venho tendo a minha memória restabelecida desde muito antes de eu ser conhecido como Conde Vlad Tepes da Romênia. Eu tenho andado por estas terras até mesmo antes de ser esse tal conde do qual eu voltei a nascer e agora me encontro. O que eu posso te dizer Allen Belmont, é que você viu através dos meus olhos! Que você se sentiu como eu me senti. Sempre querendo subir, sempre querendo ascender ao que nunca poderá tocar. Querendo atingir o que nunca foi seu e o que nunca será de ninguém, e não voltou por medo. E o que te fez continuar caminhando por todo aquele tempo dentro daquela maldita torre, jovem tolo? Rodeado por paredes espessas, duras, rígidas, impenetráveis e implacáveis. Ouvindo o mesmo bater dos sinos, com a mesma ladainha de sempre, soberana e te diminuindo até mesmo como ser humano. Você viu o que eu vi Allen Belmont. O que você faria, continuaria subindo? É claro que sim, como um tolo você andaria pela eternidade perdendo-se, anulando-se, enlouquecendo por algo que jamais conseguiria atingir, ver e ter.

                Dracula foi caminhando pelo aposento olhando para os quadros que haviam pendurados nas paredes. Allen seguiu-o com os olhos e depois sua atenção foi voltada para os quadros. Todos com imagens sacras da Virgem Maria com o seu filho Jesus Cristo no colo, outro quadro havia Jesus em cima de uma nuvem e um batalhão de anjos em louvor voavam ao seu redor. Várias cruzes estavam espalhadas pelo lugar. O que fez Allen pensar mais uma vez do motivo de estar tudo ali.

                - Olhe ao redor Allen. Você acha que me incomoda? Você acha que me afeta? Me enoja, é claro. Mas afetar? Não. Eu tenho coisas mais importantes para pensar. Eu tenho coisas mais importantes para fazer. Por que? Porque este é o meu destino, Allen Belmont. Assim como você sabe do seu destino também. Você já parou para se perguntar por que vocês Belmonts foram escolhidos para virem me derrotar todas as vezes? – ele solta uma gargalhada e uma trovoada faz a cama para deixar tudo mais sombrio. – Você percebe que nenhum deles conseguiu me derrotar? Eu sempre volto, Belmont. E sempre voltarei. E todo os esforços, e sofrimento que vocês passaram, será em vão. Sempre! Alguns de seu clã eu matei, outros saíram de meus domínios vitoriosos, mas nenhum de fato conseguiu me matar. – Parando em frente a uma cruz, Dracula sorri mais uma vez para o caçador de vampiros. – Você já parou para se perguntar, que vocês conseguem sentir quando o castelo os chama? Que sempre há alguém para buscá-los para entrar aqui? Que até mesmo o coração de vocês pulsam mais rápido e mais forte quando estão se aproximando de mim? Você já se perguntou o motivo disso tudo? Você provavelmente já deve ter ouvido falar da história dos verdadeiros Belmonts. Daqueles que têm o sangue puro. Daqueles que não possuem a mancha negra. Seu pai Christopher, que é um homem admirável por assim dizer, deve ter lhe contado a história. Sobre uma Sonia e Trevor Belmont, seus ancestrais, não é?
                - Sim, pelo o que dizem eles são os fundadores de nosso Clã.
                Dracula ri mais uma vez o que faz Allen Belmont segurar a sua Vampire Killer presa na cintura.
                - Tudo mentira, meu jovem. Todo o clã Belmont é uma mentira, vocês não vieram de lugar algum, o nome de vocês não tem motivo algum de ser.
                - O que? Não!!! Isso é mais uma mentira sua!
                - Temo que não, meu jovem. Pois aqui eu vou te revelar toda a verdade. Sente-se meu jovem. Vai gostar de ouvir o que eu tenho para dizer.
                - Eu não qu... – Allen é interrompido quando é arremessado em uma das cadeiras. Ele tenta se levantar, mas não consegue, ele está preso por alguma força.
                - Agora você vai me ouvir. Muitas pessoas me conhecem como Vlad o Empalador. Muitos aqui na Romênia me conhecem como um de seus libertadores dos Turcos. Me veneram como um herói, pelo menos veneravam quando eu fazia parte do seu mundo. Pelo menos dessa vida é o que eu me lembro. Eu era um homem que fazia a justiça sem medir esforços, julgando pelos meus critérios quem era ou não um criminoso. Eu era um homem ao meu ver, justo e bom. Até que me queimaram vivo e eu fui para o inferno. Faz parecer comum o que aconteceu comigo, não é? Mas não. Pois aquela não havia sido a primeira vez que eu havia me encontrado com o filho abandonado de Deus. Anos antes de eu ter sido morto pelo próprio povo que hoje me aclama por herói, até mesmo antes de eu ter me tornado um conde ou como mesmo dizem, o Príncipe da Romênia, eu era um guerreiro. Sempre fui um guerreiro, nessa existência e numa outra anterior. Mas eu até então não sabia de nada, por artimanhas de Lucifer que tentou me manipular achando que eu por fim não lembraria de coisa alguma. Que achou que eu seria mais uma de suas tão imbecis marionetes. Até que em uma batalha eu absorvi parte de suas energias e me tornei o que sou hoje, e agora me lembro. Agora vem tudo a mim, toda a verdade.
                Antes dessa existência de Vladmir Tepes Dracula o Empalador Filho do Diabo, guerreiro supremo da ordem de Dracul, eu era outra pessoa, em outro nascimento, em outra vida. Eu era um homem normal, um homem que tinha uma vida, uma vida normal com pretensões normais, pelo menos o que eu tentei ter uma vez, mas depois descobri que esse direito me havia sido tirado desde que eu nasci. Desde que eu fui abandonado na porta de uma Igreja. Haviam se passado apenas mil anos após a morte do seu tão glorioso Jesus Cristo. Acredite em mim, quando se vive tanto tempo quanto eu, você pode falar em milênios como se fossem minutos. Enfim, eu uma vez fui como você Allen Belmont. Pois os demônios desde que o filho de Deus se foi, encontraram um meio de invadir o mundo dos homens com muito mais facilidade. E eu desde pequeno fui treinado a combatê-los. Eu era um homem de fé, Belmont, não havia nada que abalasse a minha crença nesse Deus todo poderoso. Eu andava pelo mundo depois de crescido e me tornado um guerreiro da ordem, abandonado pelos pais, com um único propósito, fazer a vontade de Deus. E eu ia por todas as cidades e vilas para aniquilar todas as criaturas profanas e demoníacas do que infestavam todas as pessoas. Eu era um homem de Deus, Allen Belmont, pode acreditar, eu era sim, um homem de Deus. E tive minha recompensa como tal. – Dracula sorriu. – Sim, eu tive a minha recompensa, e qual era a recompensa maior de um homem que enfretava e via as coisas mais atrozes que um poderia ver? A única coisa que faria uma pessoa não perder a sanidade tamanho horror que constantemente via? O amor, Allen Belmont, o amor foi me dado de presente. Foi quando eu conheci nessa vida, Marie. Ela era tão bonita, tão doce, e me amava, aliás nós nos amávamos muito. Até que ela morreu. – ele ainda mantinha um sorriso. – O meu amor foi tirado de mim, e de uma forma um tanto irônica eu diria. Lá minha alma havia se quebrado, porém eu ainda estava com a minha fé ao meu lado, e com a minha amada nos meus sonhos. Eu além de homem que amava era um guerreiro da luz. Que foi abandonado na porta de uma igreja e que recebeu o nome de um anjo. Nessa vida eu fui conhecido como Gabriel. Não como Lúcifer, ele é apenas um invejoso, nada mais que isso. Tomou esse nome para si para confundir os outros, bem que ele gostaria de ser um desses que ficam lá em cima, ao meu ver ele não passa de um grande menino mimado e decepcionado. Sim, Gabriel é o meu nome de batismo, Allen Belmont. Será que você está entendo onde eu quero chegar? Ainda não? Pois muito bem, talvez eu possa esclarecer mais as coisas para você. Houve um tempo em que um feiticeiro fez com que a terra e o paraíso se separassem assim dando mais espaços para que os demônios e criaturas da escuridão tomassem conta do mundo por inteiro. Eu fui designado para tal missão. Eu ganhei esse fardo, mas mal sabia eu, que essa foi a forma que a igreja me fez perder a minha vida, tirou-me o direito de ter tudo o que eu achei que fosse meu. Se você tivesse visto o que eu vi. Se você tivesse lutado as batalhas que eu lutei. Se você tivesse sido usado como eu fui. – Dracula caminhou para mais perto do caçador de vampiros. – Mas eu creio que eu te fiz ver pelos meus olhos. Ah, jovem Allen Belmont, eu estava na minha torre. Andando em busca do Senhor, sempre querendo subir, sempre querendo ir ao seu encontro. “Um homem de puro coração!” eles diziam. Sim, e eu o era. Pois Deus estava comigo não estava? Ah sim, eu acreditei que sim, em todos os momentos. Enfrentando demônios e até mesmo, olhe só, vampiros!
                Eu era mais velho que você na época em que eu morri pela primeira vez. Um homem levado pela fé. Uma criança abandonada criado por clérigos para ser um guerreiro de Deus. Será que isso não te lembra nada?
                Os olhos de Allen começaram a se arregalar.
                - Um homem que seguia o caminho para destruir todo o mal. Um homem que não tinha passado, que nunca conheceu os pais, e que teve o nome dado em homenagem a um anjo. Um homem que cresceu e que não era ninguém, mas não importava o que importava era Deus, cercado por uma fé cega e sem sentido, pois eu fui até os confins do inferno para ser traído por aqueles que disseram que era o meu Pai! Um homem sem nome que adotou o seu próprio. Um homem puro, sem a mancha negra do pecado e de demônios. O único, o primeiro!
                - Não... – Allen não conseguia acreditar no que sua mente estava querendo lhe dizer ao ouvir aquilo tudo.
                - Ah sim, e então eu depois de ir ao inferno voltei, mudado. Destruido por dentro, mas um novo homem, que cresceu e tornou-se um outro guerreiro da ordem de Dracul, onde Lúcifer tentou me manipular, mas eu já havia o derrotado uma vez e assim o fiz de novo e me lembrei quem sou. Mas eu gosto do meu nome novo. Eu agora sou Dracula, e assim serei para todo sempre. O que na minha primeira vida eu jamais pensei que seria. Mas as minhas paredes ruíram, Belmont! Eu finalmente parei de subir as escadas que não davam a lugar algum. Pois como Dracula, eu ainda enfraqueci onde eu ganhei um novo amor. E mais uma vez Ele tirou de mim, e aí tudo veio em minhas memórias. Junto com o poder que Lúcifer guardava de mim. Mas eu obtive o que era meu por direito! E agora eu sou o Senhor da Escuridão, o Senhor das Sombras, o Principe das Trevas. – O sorriso de Dracula se abriu mais ainda mostrando os caninos afiados. – Eu era um guerreiro da luz Belmont! Eu era como você, como seu pai! Como Leon, Sonia e Trevor Belmont eram! Eu usava uma cruz como arma! Eu usava a água benta! Eu era puro, Allen Belmont! Eu era o verdadeiro! – Dracula começou a gritar.
                - Não!!
                - Eu era Gabriel, sem um sobrenome!!! Eu criei o meu nome, porque eu não tive pai nem mãe! Eu era o único, o primeiro! Eu, garoto, era Gabriel Belmont! O primeiro e principal caçador de vampiros e demônios que pisou nestas terras! E todos vocês! Vieram de mim! Não existe mais um Belmont de sangue puro, não existem os verdadeiros Belmonts, Allen, só existiu um, EU! Se havia alguém que poderia acabar comigo de uma vez por todas, esse alguém seria eu mesmo!
                - Não!!
                - Sim, Allen Belmont!  Todos vocês, os seus ancestrais vieram de minhas sementes dentro de mulheres ao longo dos séculos. E só houveram duas que eu amei, a única coisa que me tornava fraco e humano, a única coisa que me tornava capaz de destruição foram essas duas falhas em minha eterna vida! Marie e Lisa estão mortas pelas graças de uma fantasia que faz com que cada homem se enterre na sua torre em busca do infinito, em busca do que não vai conseguir nunca, do que é uma busca que não faz outra coisa a não ser se destruírem, enlouquecerem! As minhas paredes Allen Belmont, ruíram e agora eu estou livre! Você viu! Viu com os meus olhos a verdade do homem e de Deus! Não há um Deus, Belmont! Humanos não precisam de um Deus, garoto! Eles precisam de instinto! Eles precisam ser o que são, miseráveis poços de segredos e mentiras. – Dracula começou a rir e depois olhou para o rapaz que estava horrorizado na cadeira. – E acredito que essa arma que você tem em sua cintura seja minha também. – Com um gesto de sua mão ele fez com que a Vampire Killer saísse da cintura de Allen e fosse para ele. – Pode se levantar agora.

                Allen se viu livre das forças que o prendiam da cadeira, mas não conseguia por si só levantar, não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. Algo dentro dele dizia que tudo o que ouvira era verdade. Ele olhou Dracula manusear o chicote como se fosse dele com tamanha habilidade. Mão do Vampiro queimava em azul constantemente, mas ele parecia não se incomodar de forma alguma. Dracula olhou o rapaz mais uma vez e estendeu a mão para ele mais uma vez.

                - Junte-se a mim, é por isso que eu sempre os chamei ao meu encontro. Vocês são todos meus filhos. Eu nunca consegui fazer com que qualquer um dos outros conseguisse abrir os olhos para a verdade. Ironicamente eles ainda vivem na caverna de Platão, meu jovem. Mas você consegue ver, não consegue? Você deu um passo para a verdadeira luz, meu jovem Allen Belmont. Você não está mais manchado por regras, por ser subjugado, por ser menosprezado por ser o que é. Você não é mais escravo de ninguém. Junte-se a mim em refazer esse mundo. Em rever todos os conceitos sobre os desejos e as vontades que vem conosco desde que nascemos. As pessoas estão tão absortas em regras e em penitências que não observam os menores detalhes que os fazem se sentirem vivos.
                - Menores detalhes... – Allen repetiu como se hipnotizado.
                - Sim!
                Seus olhos discretamente se dirigiram para a Vampire Killer e a mão do vampiro que ainda ardiam em uma chama azul. Seus olhos se fixaram. E depois voltou a olhar para o vampiro.
                - Nunca terá um fim, não é? Você sempre acabará voltando...
                - Sim, você entendeu, o que muitos dos seus parentes e ancestrais não conseguiram enxergar. Eu tentei convencê-los, mas eles vinham com vendas. Mas agora, agora você está livre.
                - Livre...
                - Sim, para governar comigo. – Dracula sorriu e seus olhos brilharam mais ainda em um azul profundo.
                - Então, esse chicote sempre foi seu? – Allen parecia perdido nas palavras e hipnotizado por uma força maior.
                - Sim. Lutei muitas batalhas com este chicote. – Olhou para a Vampire Killer dando um sorriso. – Eu era bom, mas não preciso mais, tenho poderes maiores que essa arma. Poderes que...
                - Mas então por que ainda continua confinado neste castelo? – Allen o interrompeu.
                - Eu preciso de um herdeiro, de sangue do meu sangue, se eu for ter um reino pela lei das coisas e do universo eu tenho que repor com um herdeiro. E aí sim, eu serei denominado o rei de todo mundo e todos estarão sob o meu domínio. E aí nós poderemos moldar o mundo como bem entendemos.
                - Como bem entendemos... E livrá-los de toda a mentira.
                - Exatamente.
                Allen levantou a mão como se fosse para se juntar a Dracula. De repente algo começou a acontecer. As chamas se intensificaram. Dracula olhou para a própria mão.
                - Se este chicote é seu. Por que ainda queima em sua mão? Pois reza a lenda que a Vampire Killer foi construída por Deus para destruir todos aqueles que têm como único objetivo causar morte e destruição para o mundo e para os inocentes. – Allen fez um gesto com sua mão que o chicote estremeceu ferozmente e voltou para ele. – E quem é você para dizer de mentiras? Quem é você para dizer o que é ou não verdade? – Allen dá uma chicotada no chão e o estrondo faz com que todas as velas se apagassem e sua aura brilhasse em azul. – Gabriel Belmont, um homem é dado de fraquezas, decepções e conquistas, Deus não vai interferir na vida dos homens porque assim nos foi dado o livre arbítrio. Não há liberdade em domínios. Em um dominante. Somos donos de nossos destinos. – Ele foi caminhando na direção de Dracula que não se moveu. – Eu me vi fraco, eu cometi erros, mas há um propósito de eu estar aqui, e há um propósito para eu segurar essa arma como seu dono de direito. Eu matei sim aquela pobre mulher, mas não farei com que a sua morte seja em vão, e nem a morta de outros que venham a surgir durante esse período em que ainda vive. Eles não tiveram culpa. Não são todos que têm a capacidade de lutar, não são todos que foram feitos, mas também não precisam, porque existem pessoas como eu. Ou como você um dia já foi. Só que há uma grande diferença entre eu e você, Gabriel Belmont. Eu acredito em mim.

                Allen corre na direção do vampiro e lhe desfere duas chicotadas ferozes no rosto que ardem em azul. Dracula grita e desaparece. Allen olha para os lados procurando onde ele provavelmente apareceria. Num piscar de olhos Dracula aparece com a palma da mão aberta próxima ao seu torso e atira-lhe uma bola de fogo que atira o caçador de vampiros metros para longe. Allen bate em uma das estátuas da sala onde estava mas logo se levanta. Dracula vem flutuando em sua direção e Allen saca um pote de água benta e joga para cima fazendo chover novamente, as gotas caem ardentes por sobre o vampiro que não pode nem sequer desaparecer pois as gotas o acertariam da mesma forma. Ele grita em dor das chamas. A chuva se acaba e Dracula sorri e logo com um gesto de sua mão faz cair inúmeras bolas incandescentes de cima. Allen pula de um lado para o outro se esquivando dos ataques. O caçador chega próximo o suficiente para desferir mais uma chicotada. Dracula desaparece e aparece flutuando no ar. Allen pula e lança três adagas que Dracula logo faz com que desviem o trajeto, logo em seguida o vampiro desaparece para aparecer atrás do rapaz e lhe dar um golpe jogando para o outro lado. Allen Belmont bate de mal jeito em uma das pilastras e grita de dor. Do chão onde o rapaz se encontra uma pilastra de energia de cor vermelha sobe em direção ao teto acertando Allen em cheio. Ele sente a dor como se levasse uma marretada no peito o jogando novamente para cima caindo ao chão. Dracula então desaparece mais uma vez. Allen se levanta com a sua Vampire Killer em punhos e olha mais uma vez ao redor. Uma onde de ar faz mexer os seus cabelos e ele se vira rapidamente, e em uma fração de segundos Allen em um movimento lança o seu chicote para agarrar o vampiro pelo pescoço. Dracula grita em dor. O Belmont o puxa com tanta força que faz o vampiro ser jogado contra uma das imagens sacras. Ao encostar nas pinturas o corpo de Dracula e a pintura começam a incendiarem em azul. Dracula grita mais uma vez.
                - Você ainda assim é só mais um demônio, Dracula! E se não existisse um Deus, e não houvesse a vontade e a bondade dele, nem a Vampire Killer e nem essas imagens que você desafia lhe fariam mal!
                Allen corre para uma das cruzes que está em cima de uma mesa e arranca de onde ela está. Dracula se põe de pé com os seus dentes afiados e vai em sua direção. Allen faz o mesmo. O jovem empunha a cruz e quando se encontram o vampiro dá um golpe e joga o artefato sacro longe e o pega pelo pescoço.
                - Você se unirá a mim garoto! Você é sangue do meu sangue! Você me deve a sua vida! A sua existência!
                - Eu nunca pedi para nascer! – Allen enfia uma adaga no pescoço de Dracula que grita se afastando.

                Dracula começa a rir e arranca a adaga do pescoço. Seus olhos vão de encontro com os do jovem Belmont.
                - Muito bem garoto, você quer brincar, não é? Eu vou te ensinar a respeitar um familiar bem mais velho que você. – Duas asas negras de dragão saem das costas de Dracula.
                As formas do homem começam a mudar, ele já não tem mais a forma do conde vampiro da Transilvânia. As garras são enormes tantos nas mãos quantos nos pés, é uma mistura com corpo humano, uma cabeça de morceço e asas de dragão. A criatura urrou e todas as paredes tremeram. Ele veio em passos pesados que faziam partes das paredes caírem, algumas pilastras e vigas desmoronaram. Allen novamente jogou um frasco de água benta para cima e fez chover. As gotas queimavam a criatura que logo deu um passo para trás se dentendo em uma espécie de dor. Quando ele se preparava para jogar outra, notou que não tinha mais nenhum frasco. Suas adagas também haviam acabado. Havia apenas o seu chicote. Allen correu em volta do enorme monstro que por pouco não o acertou com uns murros que afundavam o chão. Allen toda vez que tinha a chance chicoteava os tornozelos da criatura fazendo com que ela parasse um passo enquanto se movia e urrasse de dor. A coisa começou a bater as asas, o vento que deslocava fez com que o caçador de vampiros fosse jogado para cima da mesa de jantar derrubando algumas belas que desapareciam, mas nada aparecia. A criatura ia destruindo todo o lugar. As paredes ruíam e a luz da lua rubra tomava conta de todo o lugar. O monstro abriu a sua boca e uma bola enorme de fogo foi lançada contra Allen Belmont que por pouco não conseguiu escapar. A criatura então começou a voar em sua direção, Allen correu tentando escapar, estava indo para fora do enorme salão para se encontrar na escadaria por onde entrou. O monstro vinha rápido demais. Parando na entrada ele via Dracula transformado vir com toda a sede destruição possível em sua direção. Ele olhou para cima e viu que havia uma gárgula onde pele poderia subir. Com o seu chicote ele se lançou para cima da estátua e esperou a criatura sair abaixo. E veio como um cometa destruindo toda a entrada. Allen quase desequilibrou e caiu de onde estava. Aproveitando a chance pulou nas costas da criatura que guinou para cima. O caçador laçou o pescoço de Dracula com a Vampire Killer e se segurou. A chama azul fazia o monstro gritar e se balançar de um lado para o outro ferozmente. Eles iam para o alto, depois foram em uma velocidade incrível para baixo. Dracula deu uma guinada para o lado, Allen estava perdendo a firmeza na mão e numa outra guinada foi lançado de volta para o salão, ele caiu com força batendo as costas no telhado, caindo em cima da mesa de jantar e por fim rolando no chão. Alguns escombros caíram por cima dela. A criatura voava urrando para lua, estava se preparando para uma nova investida ao seu algoz.
                De repente todos os escombros voaram pelos ares e Allen Belmont se ergueu dali em uma luz azul extremamente forte e brilhante ao seu redor. Dracula o viu dali de cima. E com um urro grotesco voltou a descer em sua direção para mais um ataque. Allen correu para a sala onde a batalha havia começado. Correu direto em direção para uma enorme cruz de mármore branco que havia no centro da sala. Com um chute ele a quebrou, ela inclinou e caiu por cima de seus braços e ele a levantou. Dracula inha com tamanha velocidade que seria quase impossível parar agora. Allen virou a parte da base da cruz para cima, havia uma parte pontiaguda, correu e saltou. Com uma força extraordinária ele com uma mão só lançou a cruz em direção ao gigante monstro que tentou desviar mas era tarde demais. A cruz acertou em cheio o meu de seu peito saindo com a ponta pelas costas. Um terrível grito de dor e a enorme criatura caiu com todo dentro do salão.
                Allen aterrisou ao lado da criatura que ainda estava no chão. Pegou a cruz menor que tinha arrancado anteriormente, lançou-a no ar e proferiu algumas palavras sacras, a mesma rodou e rodou, uma luz branca tomou conta de toda a sala. Foi o suficiente para o último grito da criatura. E uma enorme chama azul tomou conta do ambiente.




Epílogo


                Criatura já não existia mais, só o corpo fraco do vampiro que ainda agonizava com a Vampire Killer ainda em seu pescoço. Allen caminhou em silêncio na sua direção e pegou o cabo. Dracula olhou para ele e deu mais um sorriso.
               
                - Espero que esteja contente... Você só foi mais um inútil. Eu vou voltar, você sabe. Não há fim para o nosso fardo, Belmont. Enquanto houverem seres humanos, eu voltarei, pois não haverá um nunca, que nascerá com o coração puro.
                - Você se deixou engolir pelas forças malignas, Gabriel, um homem de coração puro, jamais se deixa vencer pelas forças obscuras. Então talvez você não fosse puro. – E Allen puxou de vez o chicote decapitando o vampiro conhecido como Dracula que se desfez em chamas azuis.

                - Allen! Rápido, por aqui!
               
                Allen se vira e para a sua surpresa ele se depara com o seu irmão Solieyu e sua esposa Eleonora lado a lado. Eles haviam aberto uma espécie de portal para ele. Ambos estavam sorrindo.

                - Nós falamos lá fora irmão! Papai realmente teria orgulho de você!

                A noite começava a se dissipar, a lua vermelha havia sumido e o dia começava a aparecer no horizonte. Em Wallachia todas as criaturas simplesmente evaporaram. Maya que estava em meio a uma batalha olhou para cima e seus olhos não podiam acreditar. Seu coração se encheu de uma emoção que não podia descrever, depois de seis anos a batalha chegava ao fim. Isso quis dizer a ela que Allen havia conseguido. Em todo esse tempo em que ele estivera lá dentro, nunca perdeu a esperança que ele fosse conseguir. E agora o seu coração pulava muito forte. Ela correu para um cavalo, montou-o e partiu em direção dos portões de onde havia o Castelo de Dracula.
                Allen saiu pelo portal para ver os primeiros raios de sol baterem em seu rosto. Olhou para trás e ao longe viu o castelo ruir. Seu coração ainda estava machucado por tudo o que havia vivido ali dentro. Suas pernas enfraqueceram, ele se sentou e chorou copiosamente. Nunca pôde imaginar que passaria por tanto sofrimento e veria tanta coisa horrível na vida.

                - É melhor que você chore meu irmão. Jogue o resto do que foi lhe dado por esse castelo que é criação do caos ir embora.
                - Seu irmão tem os olhos de seu pai, Solieyu.

                Allen olhou para cima para encarar os dois e se levantou.

                - Eu pensei que não ia conseguir.
                - É isso o que nos torna diferentes dele. Nós superamos os nossos medos pelo o que acreditamos e principalmente por amor. – Disse a alma de Solieyu que sorria para o irmão.
                - Olha! – Allen disse assustado.

                De repente várias almas começaram a sair do chão e a caminhar olhando para os lados. Uma perguntavam o que estava acontecendo, algumas almas de crianças corriam dizendo que finalmente estavam livres e que não iam chorar mais. E ao longe onde deveria ter o castelo uma enorme luz branca subia aos céus.

                - Aquelas são as almas presas por Dracula. Estão livres agora. E não se preocupe, a moça que você viu na torre. Ela não era real.
                - Não era? Mas então por que...
                - Dracula tem poderes muito superiores a qualquer outro ser obscuro que você entrou ali dentro Allen. Ele pode te enganar com mais facilidade. – Disse Eleonora.
                - Então o que ele me disse sobre...
                - Não. Não é mentira. Ele realmente foi o primeiro Belmont. Ele realmente foi um homem de Deus. Mas se deixou levar pelas forças malignas que o convenceram que a maldade é o melhor caminho.
                - Ele vai voltar, não vai?
                - Sim irmão, vai voltar sim. E é por isso que gostaríamos que você nos fizesse o favor de olhar pelo nosso pequeno Juste.
                - Claro. – Allen, pela primeira vez sorriu desde que saiu de dentros dos domínios do castelo.
                - Meu irmão! Meu querido irmão. Você é um herói. Por mais que os nossos feitos durem por apenas um tempo. Para esse povo tão sofrido, qualquer mar calmo é bem vindo. Qualquer momento de felicidade é aceito. Eu tenho muito orgulho de você. Eu te abraçaria se pudesse.
                - Eu senti muito a sua falta Solieyu. – Allen disse com lágrimas nos olhos.
                - Nos encontraremos um dia Allen. Enquanto isso. Faça o que sabemos fazer de melhor. Seja um Belmont.
                - Allen! Oh meu Deus! É você! É você mesmo!! Oh, Allen!

                Allen se vira para encontrar Maya correndo em sua direção. Os seus olhos estão cheios de lágrimas. Ela pula em seus braços e dá-lhe um beijo como se nunca mais fosse vê-lo.

                - Allen, por seis anos eu esperei o seu retorno meu amor! Eu senti tanto a sua falta.
                - Seis anos? Irmão... – Allen se vira para falar com Solieyu que não estava mais lá. Os dois haviam sumido assim como todas as almas que caminhavam anteriormente. Ele voltou-se para Maya, e a encarou feliz nos olhos. – Seis anos?
                - Sim, seis longos anos de esperas por você, meu amor.

                Os dois se abraçam e se beijam apaixonadamente.
                Tempos depois em um lugar perdido em meio de árvores altas, havia uma pequena casa de madeira na beira de um lago, os raios de sol refletiam na água, lá havia um pequeno menino brincando com uma espada de madeira quando algo chamou a sua atenção. O menino se virou com os seus cabelos loiros bem claros presos em um rabo de cavalo, ouviu um trotar que se aproximava. Um homem alto de um loiro mais escuros estava montado nele. Os seus olhos se encontraram por alguns segundos. Uma senhora saiu de dentro da pequena casa e logo parou colocando a mão em seu peito. Correu na direção dos dois.
               
- É o senhor, não é? Que a madame disse que vinha buscá-lo?

O homem olhou e sorriu para a mulher e depois se voltou para o garoto.

- Qual é o seu nome, rapaz?
- Juste, senhor. Juste Belmont.
- Então é um guerreiro.
- Sim, como meu pai foi. – ele disse com um sorriso.
- Sim, aposto que o seu pai foi um dos melhores guerreiros que já existiu. – falou desmontando de seu cavalo.

O garoto reparou que o homem tinha algo preso em sua cintura.

- O que é isso, senhor? – perguntou curioso.
- Ah, isso? Esse é o motivo pelo qual eu vim ao seu encontro, Juste Belmont.






Mario de Carvalho
2005-2011