Primeira Parte: Reflexos.
Haviam andado por horas e horas, e nada, nenhum ataque, nada de surpreendente, estavam ficando cansados, com sono, e segundo os seus relógios biológicos estava bem tarde, e o céu estava em crepúsculo, se sentaram mais uma vez e a fogueira voltou a arder e esquentá-los, Allen estava curioso para saber quanto tempo havia se passado fora de Castlevania, mas isso era um completo mistério para todos, ponderou muito no que seu irmão havia dito, ele tinha um sobrinho, que incrível, nunca conhecera o irmão antes e quando tem a chance já sabe que é tio, como a vida tem vias tortas não é mesmo? Ele pensava. Ao lado de sua companheira, que agora passava a ser sua amada, ele contava um pouco de sua vida, que num passado não muito distante a única ação que tinha era através de treinamento. Falou que por mais que imaginasse estar nos domínios de Dracula, nunca poderia pensar que seria desse jeito, e mesmo que a morte os assombrasse a cada instante, se sentia vivo, e um tanto feliz, pois além de estar seguindo o seu destino, e não desapontando as horas que treinava com seu pai, ele não fazia isso só por ele, mas sim pelas pessoas, que tinha um propósito para isso, e era nobre, sim, nobre, era assim que ele se sentia. Allen com certeza tinha um coração puro, o que poderia vir a ser uma arma mais poderosa que até mesmo o seu chicote sagrado. E havia outra coisa que fazia com que ele pudesse seguir em frente era o seu amor, um sentimento que sentia por Maya, e que a moça um tanto temerosa deixava-se entregar pela mesma sensação, afinal, estava feliz com ele, talvez fosse melhor tê-lo conhecido em épocas menos tempestuosas, mas antes tarde do que nunca. E afinal, em alma ela era muito mais nova do que ele, ela deixava-se tomar pela beleza do rapaz, e ficava contemplando-o um tanto perdida, deixando para trás um pouco o que ele falava, mas logo voltava. Sentia-se tão segura com ele, era tão confortável, não se lembrava de se sentir assim com nenhum de seus outros amantes, e isso era um ponto a mais para que ela deixasse que o amor falasse mais alto do que a sua maldição. Mas eles não eram os dois de coração limpo, havia Alucard e Roberts, dois bravos e muito hábeis guerreiros, que por ironia do destino, tinham a alma acorrentada ao que já foi o senhor da escuridão.
Roberts não parava de pensar, será que poderia haver uma chance de se livrar da maldição? Enquanto estavam na roda conversando, Allen compartilhava com todos a conversa que tivera com Solieyu, e parte dessa conversa foi logo de interesse de Maya e o guerreiro de Orion. Rondava em suas mentes a seguinte pergunta: "Será que agora que o Diabo não passa de mero servo de Dracula, estamos livres da maldição?" Não dá para distinguir quem está mais interessado, ambos sofriam muito com essa vida eterna, e Roberts logo teve a sua mente tomada pelo rosto de Helena. Ah como era bela, que sorriso maravilhoso, parecia um anjo, tão delicada, tinha mãos de fada e olhos de deusa. Para ele não era humanamente possível que tal mulher pudesse existir, mas sim, havia de fato uma, e essa já deu seu amor a ele, já tinha sentido de seus lábios, já tinha tido de seu corpo, e já havia dado a sua alma para ela. Alma, isso fez com que o homem, olhasse para o lado discretamente, um ódio fervoroso tomou conta de seu corpo inteiro, xingava a si próprio, como podia ser tão estúpido? Como pôde se deixar levar? E agora Helena, não era mais sua, perdeu tudo, ah como odiava a si mesmo, e tinha vontade de morrer... sua alma gritava e chorava de tanta raiva, mas o peso da conformidade pesava sobre ele deixando-o de face inerte, afinal, não podia morrer. Mas o que era mais engraçado era a sua fé, outra pessoa em sua condição, que vivera em tantas desgraças e tantas tristezas, vivendo isso a cada dia, por anos e anos infinitos já perderia qualquer crença em Deus ou em algo relacionado, e isso ele não podia explicar, ainda tinha o Senhor em seu coração, um ponto um tanto pequeno mas significante dentro de sua mente e seu coração chamado, esperança, ainda dizia-lhe que algum dia isso tudo iria acabar, e que tudo se resolveria, que um dia ia sorrir de verdade novamente.
Maya por sua vez se mantinha nos lábios do seu querido Belmont, como ele era lindo, mais bonito que qualquer outro de seus amantes, e ele era diferente, está certo que ela dizia a mesma coisa de todo mundo por quem ela se apaixonava, e que todas às vezes era verdadeiro e concreto, mas para ela, isso era diferente, será? Será que ela estava amando? Como pode? Conheceram-se há tão pouco tempo... mas o amor tem tempo para acontecer? Com tanta vivência no mundo parecia que a cabeça da jovem guardava todas as respostas, e a réplica para a sua pergunta era, não, não tem tempo para se amar, pode ser antes mesmo de você conhecer a pessoa, pode levar anos ou vidas inteiras, ou horas, mas acontece. E mesmo assim, numa dúvida um tanto forçada, só para que ela não pudesse admitir o que sentia de verdade, ela se perguntava se o amava mesmo, se era isso mesmo o que ela sentia, no seu interior ela sabia a resposta, mas um certo bom senso a impedia de tais pensamentos. E se ela estivesse amando-o, e se ela quiser viver com ele, ela nunca ia poder dizer que queria ficar com ele para sempre, pois eventualmente ele acabaria morrendo. Mas ao mesmo tempo ela pensou que seria bom que ele fosse eterno como ela, que assim pudesse ter um ao outro para toda a eternidade... Não, pare com isso Maya, ela pensava, se você gosta dele jamais há de pensar uma coisa dessas, quer que ele sinta o mesmo gosto da sua tristeza? Mas não vamos julga-la por tal pensamento, está sendo levada pelos ventos da paixão e o calor do amor, que deixam-nos completamente distante da ilha do raciocínio lógico e da sensatez. Mais uma vez, ela se perguntava, mesmo sabendo a resposta que negava a assumir, se o amava, gostava de se perder nos seus enormes olhos verdes, que traços maravilhosos, um rosto tão jovem e tão velho ao mesmo tempo, ele é um homem. Enquanto alisava a sua mão via que o braço dele a envolvia, se sentia segura, pois ele a abraçava firme, não que a apertasse, não sei se há como explicar tal coisa, ele simplesmente a abraçava de verdade, não tinha somente posto o seu braço em volta de seu ombro, não ele a queria perto dele enquanto conversava, e isso era bom, muito bom por sinal. Com o rosto e a mão posicionados em seu peito ela podia ouvir o seu coração bater, ele e Alucard conversavam sobre alguma coisa, que não sabia direito, pois estava perdida nos pensamentos, se sentia tola, como se fosse uma adolescente, mas adolescente era, foi amaldiçoada com os seus dezenove anos. E por mais que tivesse experiência de seis ou sete gerações, muitas vezes se sentia uma jovem tola cheia de vida, com os seus amores e sonhos, como o de seu belo cavaleiro quem vem montado em um cavalo branco, depois de ter derrotado mil demônios para salva-la da torre mais alta, se casar e viver em seu majestoso castelo, levando-a para o amor infinito, no mais alto céu da felicidade. Que aroma bom, é seu, Allen? Ela pensou, mas não, não era, era delicado, tinha cheiro de flores, mas espere. Não era só ela que sentira, todos sentiam, pois tinha sido comentado pelo seu amor e os seus outros companheiros. Os olhos de todos buscavam o caminho de tal fragrância, quando notam, uma senhora, caminhando, calmamente, com uma cesta cheia de flores, cantarolando alguma coisa. Sua voz era delicada assim como as pétalas que voavam do recipiente, Alucard se levanta, Roberts também. Maya se levanta também para ver, a mulher das flores estava coberta em um manto azul, tinha um rosto bonito, os olhos em um azul perfeito, e sua expressão...era sorridente, será que é mais uma armadilha? Bem, é típico que Dracula tenha sob seu comando, demônios com rosto de anjos para que engane qualquer que seja, e esse belo rosto poderia se transformar em algo terrível, ou em algo nojento cheio de tentáculos.
- Alucard...- diz Allen segurando o seu medalhão.
- O que foi?
- Não vai acreditar, mas o meu medalhão está me dizendo quem ela é e...
- E quem é ela.- ele se prepara para tirar a sua espada.
- Não há necessidades de violência, jovem Fahrenheit.- diz a senhora que pára, segurando a cesta em sua frente pelas duas mãos.
- Alucard, ela é descendente de Sypha Belnades.
- O que? Tem certeza?
- Sim, meu rapaz, quando minha bisavó me falava de você e Trevor, nunca pensei que o filho de Dracula fosse tão belo assim, e quando dizia isso a ela, ela me respondia "Tem que conhece-lo de verdade para ter certeza”.Mas, como eu era jovem, não podia entender, pensava sempre comigo "Como pode um filho de demônio ser sequer bonito?" Mas vejo que só depois de velha é que fui aprender a escutar minha bisavó.- ela dá uma risada agradável ao ouvido de todos.
Alucard caminha até a senhora, ele a contempla em total admiração, não pode entender, o que ela estaria fazendo ali? Ela continua andando na direção de todos. Sempre com um sorriso no rosto ela olha para todos, principalmente para o filho de Dracula. Eles ficam frente a frente. Sua face continua séria, ele ainda não estava entendendo o que estava acontecendo.
- Meu caro, Adrian, as respostas virão, se é isso o que quer saber.- ela se vira para o jovem rapaz.- E você meu caro Allen, preciso falar-lhe também. Assim como a vocês todos.
- Quem é você?- pergunta Roberts.
- Eu sou Luisa Belnades, e estou aqui para ajuda-los, meus amigos. Eu conheci seu irmão, Allen. Ele é tão belo quanto você.
- Você conheceu Solieyu?
- Sim.- disse com um sorriso contente.- Ele era um rapaz adorável, infelizmente não pude viver muito para conhece-lo melhor, mas ao que vi, ele era um rapaz iluminado, e eu já disse para ele, e vejo que você não é diferente rapaz.
- Que incrível... mas... você disse... que está morta...
- Sim, há alguns anos estou...
- E como veio parar aqui nos domínios de meu pai? Ele não pode pegar almas boas.
- Eu sei, mas eu sou livre para fazer o que quiser, graças a Deus. E vim aqui por livre e espontânea vontade, com o objetivo de ajudá-los. E eu preciso da ajuda de vocês também.
- O que quer de nós?- Alucard tirou a mão do cabo da espada.
- Minha filha, foi ela quem ressuscitou Dracula. Mas não fez por mal, ela queria mata-lo com as próprias mãos.
- O que?
- Dracula, estava planejando voltar a este mundo, há anos e anos, ele ficou muito poderoso desde que se tornou o príncipe das trevas, o Diabo não tinha noção do que tinha criado, um ser que foi capaz de tornar-lhe um mero servo. E ele, está aqui, em Castlevania, o anjo caído vai fazer de tudo para que vocês não possam continuar, e principalmente você, Allen Belmont.
- Sim, Solieyu me falou, sobre o nosso sangue sagrado não é?
- Exatamente, meu jovem, mas devia estar mais preocupado do que aparenta. A única chance que temos contra Dracula é a força sagrada, a força do bem, e se ele tiver sangue de um guerreiro enviado por Deus, correndo em suas veias, nada, nada poderá para-lo, ele será tão poderoso quanto o nosso Deus. Ou até mais poderoso que ele, e finalmente ocorrerá à luta final entre o bem e o mau, o Apocalipse começará, e o reino das trevas tomará conta de tudo. E todos nós teremos que nos preparar para o Armagedom. Isso poderá resultar no fim dos tempos Allen. Ele terá um filho, o anti-Cristo que o ajudará tornando assim mais fácil para que ele domine tudo. Você tem uma grande responsabilidade meu jovem. Ao mesmo tempo em que você é a nossa única saída, você é a nossa maior perdição. Minha filha, era a esposa de Solieyu Belmont, e para vingar a sua morte veio até aqui, ela estava tão cega que não sabia o que estava fazendo.
- Então... ela está aqui? Mas... e o filho deles?
- Ele está em um lugar seguro Allen, gostaria que cuidasse dele depois que isso tudo acabasse.
- Sim, claro que farei.- disse com um sorriso.- Eu farei tudo o possível, para acabar com esse inferno.
- Não sabe o que é o inferno meu querido rapaz, é algo muito além do que a imaginação de qualquer um. E uma prova disso, é o próprio diabo que irão enfrentar. E para que vocês tenham o sucesso de derrota-lo, é serem verdadeiros com vocês mesmos e seus corações.- ela se vira para Maya e diz.- Não é mesmo mocinha?
Ela olha para a senhora ficando um pouco corada.
- Se vocês forem puros de coração, hão de encontrar o sucesso na batalha. Bem, meus queridos, eu vou deixando-os por aqui. Nos vemos mais tarde, boa sorte para todos.- e ela desaparece.
- Espere!- chama Alucard.
Ela tinha desaparecido, a preocupação era algo que se estampava no rosto de todos. Para eles a grande batalha estava prestes a começar, e não poderiam esperar mais nada, a não ser terminarem com isso tudo. Maya abraçou Allen um tanto temerosa, tudo estava mudando, não seria como das outras vezes que estivera aqui. Ela tinha mais medo, porque Dracula nunca tinha sido assim tão poderoso quanto antes e agora, ele está acima de tudo o que pode se dizer ou relacionar ao mau. O destino de todos e de tudo poderia mudar, e isso dependia de uma só pessoa. Este que se mantinha firme, o medo era algo que ele se recusava a sentir, o peso da responsabilidade depositou-se um pouco, mas não ia jamais se dar por vencido, ele escolheu isso, e mais uma vez ouviu em sua mente uma frase que seu pai costumava dizer "Seu sangue é seu destino, Allen e é ele que te mantém vivo”.E era verdade, não ia correr disso, por mais que os efeitos de Castlevania fossem postos sobre ele, no fundo de sua alma, ele não poderia mesmo correr, se desse às costas para seu destino, estaria dando as costas para toda a sua vida, e para tudo eu que tinha sido treinado. Ele era um Belmont e se orgulhava disso, por isso encheu o peito, olhou para todos e disse numa só palavra:
- Vamos.
E todos os seguiram, foi andando adiante, a mente de todos estava voltada para o presente, o passado e o futuro não importavam mais, mas sim cada passo diante as suas vidas e objetivos conseguidos até hoje, tinham confiança que antes nunca tiveram. Allen Belmont estava de mãos dadas com a sua nova companheira, e agora sua amante, sim ele a amava, mas ainda não tinha dito, talvez por medo de rejeição? Ou talvez porque não fosse o momento mais propício para isso, afinal não tinha nada de romântico em enfrentar o Diabo, não é? Era melhor que a tormenta passasse para serem levados pela leve correnteza do amor.
Roberts tinha os seus olhos brilhantes, estava na hora de se vingar pelo que tinha acontecido, poderia tirar tudo aquilo a limpo. Algo dentro dele dizia que o seu pequeno inferno estava prestes a acabar que finalmente encontraria a paz, mas não falava nada, ficava contido em silêncio. Era só esperar para a grande batalha que os esperava. E os passos se faziam concretos em linha reta no meio de mais uma densa névoa, Maya segurava a mão de seu querido, para que não se perdesse. Horas se passaram e nenhuma batalha foi travada entre os guerreiros e possíveis demônios. Como num sexto sentido Alucard pára, e faz sinal para que o resto faça o mesmo. Em questão de segundos o vampiro pôde escapar de algo que lhe foi jogado, caminhou lentamente até onde o objeto estava, se agachou, e logo em sua mão descansava uma pequena adaga de prata, com o cabo dourado.
- Alucard, cuidado!- grita o Belmont.
E em questão de segundos Allen Belmont se põe na frente de seu companheiro o protegendo de um
Outro ataque, usando o seu chicote como escudo, ele se depara com outro... Alucard? Sim, era exatamente Alucard, só que este estava com os olhos vazios e sua pele era cinza. O verdadeiro filho de Dracula olha para a sua réplica e logo se põe de pé. Allen tem uma certa dificuldade de segurar a criatura que se força contra o guerreiro da luz.
- Allen, o deixe comigo.- disse o Dhampiro.
- O que é isso?- Allen pergunta.
- É outro demônio, ele se transforma em seus oponentes, adquire todas as suas habilidades só de olhar para você! Allen, por que não olha o seu medalhão? É para isso que ele serve!
- Ah claro! Como se eu estivesse com uma de minhas mãos livres, não é?
O Belmont salta para trás, dando um chute no rosto do falso Alucard. A criatura cai no chão, e seus pedaços se separam como se fosse água. Segundos tudo se junta, mas em mais três outros montes, formando Allen, Maya e Roberts. Cada cópia foi em direção ao seu respectivo oponente. A batalha está armada, agora é olho por olho e dente por dente. Não houve um preparo para que o primeiro impacto fosse tido. A luta começou sem mais demoras, a lâmina de Alucard e de seu idêntico algoz, encontraram-se em tempo sincronizado, e assim ocorria com Allen, Maya e o guerreiro de Orion, tudo era feito ao mesmo tempo, na mesma intensidade, saltos golpes, respirações. Quando achavam uma brecha para atingirem o seu inimigo, era a mesma abertura que davam para levar o golpe, no mesmo instante que os acertava. Irritado, o filho de Dracula lançou mais um de seus poderes. O Soul Steal foi usado para o ataque, o falso Farenheight, transformou-se em uma névoa, enquanto os outros três foram atingidos pelo poder.
- Droga!- disse Alucard olhando para a sua cópia.
- Alucard!- Disse Maya defendendo os golpes de sua réplica.
Os dois Alucards olham para Maya ao mesmo tempo. E a moça grita.
- Preste atenção. Se atacarmos aos nossos reflexos, não vai adiantar em nada! Temos que atacar a cópia do outro.
- Acha que isso vai funcionar?- perguntou Roberts.
- Pense, Alucard, usou a magia dele, o único que conseguiu escapar foi o seu reflexo acertando somente as nossas réplicas. Diga Alucard, se você fosse fugir de um Soul Steal, o que faria?
- Mas é claro!- Alucard logo entendeu.- Me transformaria numa névoa!- Allen! Você pega o meu outro eu, eu fico com o seu falso Allen, Maya e Robert, façam o mesmo!
E logo o poderoso Belmont, mudou a sua atenção para o seu novo inimigo. Numa tentativa de atingi-lo com a Vampire Killer, o falso Alucard transformou-se em um morcego voando alto escapando do golpe. O filho de Dracula também não estava tendo muito sucesso em atingir a réplica do Belmont, mesmo sendo metade humano, o jovem Tepes ainda tinha a alma e o sangue negro, e o ataque recebera haveria de causar-lhe muito dano. Saltando para trás o falso Allen, pega um frasco de água benta e lança para cima. Dizendo algumas palavras mágicas só conhecida pelos ancestrais do seu clã de caçadores de vampiros, o frasco explode, e as gotas começam a girar no céu. Nuvens negras e pesadas formam-se no local. E começa a chover, os gritos de dor são altos, é como se pequenas gotas de ácido começassem a corroer a pele do belo vampiro. Colocando o braço sobre sua cabeça, o escudo se materializa servindo de abrigo. Roberts também travava uma luta contra a oponente com a forma de sua companheira. Este também não conseguia muito, pois a sua base de batalha era no chão, não tinha muito movimento com a lança, uma vez ou outra era capaz de acertar golpes ferozes no rosto da criatura, mas quem estava com vantagem era imagem de Maya. Pois saltava, desaparecia, e quando voltava, com certeza um golpe era dado no guerreiro de Orion. Quanto a ninja, ela já havia derrotado o seu oponente, bastava uns dois saltos, aparecer por trás e cortar-lhe a cabeça, e logo correu para ajudar o guerreiro da lança. Roberts salta para ir atrás de sua inimiga, e com toda a força consegue cravar a sua arma no corpo da criatura atravessando o corpo, depois dá um giro, jogando-a no chão, segundos depois Maya cai cravando a sua espada no meio da testa de sua própria imagem. Dois a menos agora. Allen dá um grito de dor, pois a espada do falso Farenheight, havia cortado o peito do belo Belmont.
- Allen!- Maya grita vendo seu amor sangrando no chão.
A moça corre na direção dele, se agacha segurando a sua cabeça no seu colo.
- Meu amor! Você está bem?
- M...Maya...Cuidado!
A ninja olha para trás, e a imagem do vampiro vem para ataca-la, ela se vira, com sua espada e salta na direção dele. As mãos delicadas da assassina seguram o cabo de sua Katana firme, seus olhos estão firmes no seu alvo, os dois estão próximos um do outro, e o impacto acontece, os dois corpos cruzam-se no ar e voltam ao chão. Allen se levanta preocupado com a sua querida companheira. Os olhos da moça estão fixos em um ponto, o corpo todo está inerte. O Belmont tenta se levantar, mas é impossível. Enquanto ao falso Alucard, está do mesmo jeito. Quando um deles se mexe primeiro. Maya, vagarosamente guarda a sua espada novamente. O corpo do falso Alucard se parte ao meio. Agora só faltava o verdadeiro Tepes, derrotar o demônio com a face de Allen Belmont. Com o escudo no braço, tinha conseguido algum tipo de vantagem contra seu algoz. Conseguia evitar os ataques com adagas e cruzes, o que dava mais trabalho era o ataque com água benta. Roberts tinha ido ao seu socorro. Aproveitou-se do momento em que o demônio estava desferindo ataques contra o vampiro para cravar a lança em seu pescoço. Vendo sua chance, Alucard deu o último golpe e tudo estava acabado.
Maya tinha ido correndo cuidar de seu querido, Alucard e Roberts caminharam até ele.
Segunda Parte: Guerra.
- Meu amor, você está bem?- Maya olha o ferimento.
O corte era muito profundo e saía muito sangue, não havia nada que pudessem fazer, a pele de Allen Belmont estava ficando branca. A energia de seu corpo estava indo, como as águas de um rio que passam calmamente. A pele quente que Maya sentira uma vez, estava se tornando gélida, a mão que uma vez envolveu a sua cintura com firmeza agora estava fraca. Allen estava morrendo. Não conseguia dizer uma palavra, pois precisaria puxar um pouco mais de ar para isso, e cada músculo que mexia era com se uma lança fosse atravessada em seu corpo. Os olhos maravilhosamente verdes, estavam quase sem brilho, o resto que permaneciam eram para ver a mulher que tinha tocado tão profundamente o seu coração. Embora ele não conseguisse falar, a sua mente, não ficava calada. Pensava no que seria de todos agora, como já foi lhe dito, Castlevania faz com que você encontre a morte certa, esse era o último lugar que estaria... A concepção do mau agora se fazia mais do que clara aos olhos do guerreiro da luz. E uma dúvida se formou, se é uma batalha que jamais poderá ser vencida, porque lutam tanto? Foi assim com Solieyu, foi assim com seus ancestrais. Todos morreram em vão? E agora era a sua vez, tinha chegado tão longe para acabar assim, para morrer num lugar que não seria muito diferente do inferno. Quem diria... Um guerreiro enviado por Deus, morrendo no inferno. Seus olhos fitaram mais uma vez a pessoa que tinha despertado o que esperava sentir a muitos anos. Um sorriso fraco se fez em seu rosto. As lágrimas não paravam de descer pelo rosto dela. Num esforço os lábios e Allen se mexeram tentando dizer alguma coisa. Maya, levou a sua delicada face para perto, tentando escutar o que ele queria dizer. E bem baixinho, a frase foi dita.
- Eu...Te amo...- Allen disse em um suspiro.
Maya o abraçou com força, chorando, Roberts foi ao seu lado, e segurou a mão do rapaz, olhou para Alucard.
- Não pode fazer nada?
- Eu gostaria muito de fazer algo, mas...
- Não! Meu amor... Por favor, não me deixe!- ela dizia entre soluços. E num beijo carinhoso nos lábios de Allen ela deixou que seu coração finalmente se libertasse e completou.- Eu te amo, meu amor! Eu te amo! Você não pode morrer! Você tem que ficar comigo, eu te proíbo de morrer! Está escutando Belmont? Eu te proíbo!
E ao tentar falar mais uma coisa, o ar se acaba, Allen fecha os olhos e sua cabeça pende para o lado.
- Allen? Allen?- Maya, começa a ficar desesperada, e tenta acorda-lo.- Allen! Não! Allen, acorda!!
Roberts se levanta e vai para Alucard olhando bem fundo em seus olhos.
- Transforme-o em um vampiro!
- O que?- Alucard pergunta surpreendido com tal pedido.
- Transforme-o em um vampiro! Ele não pode morrer, Alucard, ele é a nossa única chance.
- Você tem noção do que está me pedindo?
- Estou pedindo para traze-lo de volta a vida.
- Não, você está me pedindo para amaldiçoa-lo por toda a eternidade. Ele será um vampiro, Roberts!
- Ele será como você!
- Não, ele será um vampiro puro, não poderá andar sob a luz do sol, terá que matar para saciar a sua fome por sangue, não poderá se controlar, eu não vou fazer isso. E além do mais, ele já está morto, não posso ressuscita-lo, ele teria que beber do meu sangue para voltar a vida, para isso tinha que estar vivo... Não adianta...
- Então você não vai ajuda-lo?
- Não há nada que eu possa fazer, e eu jamais iria confinar uma pessoa inocente a uma punição sem
sentido!- Alucard grita!
- Chega!- Maya grita com os dois.- Para o inferno com vocês dois! Eu vou acabar com essa história agora de uma vez por todas.
Ela se levanta furiosa e começa a andar.
- Maya, aonde você vai?
- Algo que vocês não conseguem fazer, eu vou matar Dracula e acabar logo com esse inferno. Chega de derramamento de sangue! Se vocês gostam desse sofrimento sem fim, dessa tortura eterna, então façam bom proveito, eu estou farta!
Roberts corre atrás dela e a segura pelo braço.
- Eu quero acabar com isso, tanto quanto você, mas não podemos fazer qualquer coisa.
- Qual é o seu problema? O que você espera Roberts? O que é que você tanto pensa? Será que o fato da sua mulher ter sido estuprada por um vagabundo qualquer, o fato de você ter visto ela morrer aos poucos, não te atinge de maneira nenhuma? Você vendeu a sua alma porque é burro mesmo? Não quer justiça? Então, o que está fazendo aqui? Você é um idiota, me larga!- ela tenta se soltar. Mas Roberts a segura mais forte não deixando-a ir.- Eu disse para me largar.- Roberts não o faz. E Maya, dá lhe um soco fazendo que ele caísse no chão.- Tente me impedir novamente e eu faço questão de acabar com essa sua vida eterna.
Os olhos da moça foram mais uma vez para o seu amado Belmont, quando ela viu Alucard segurando-o no colo o seu rosto no pescoço do rapaz. Ela caminhou lentamente para ele. O vampiro havia cravado mais uma fez os seus caninos na carne do Belmont. E o sangue foi todo drenado. A boca do belo Tepes se separou do pescoço e todos ficaram olhando preocupados esperando uma reação. Quando de repente os olhos de Allen se abrem, estão vermelhos iguais aos de um demônio, os caninos estão grandes, e ele começa a se contorcer em um tipo de falta de ar. Logo Alucard coloca o seu braço perto da boca do Belmont. E foi mordido prontamente, um gemido de dor por parte do jovem Dhampiro é dado. E assim o ritual é completo, mas o que poderia acontecer agora? Allen Belmont acabava de dar Adeus para o seu lado humano. E era um vampiro, não como Alucard, Allen era um vampiro de sangue puro. Dentro de seu negro coração, Alucard sabia que cometera um erro, mas de certa forma, Allen era a única chance de terminarem com Dracula, e uma única e pequena chance é melhor do que chance nenhuma. Era um risco e um preço muito grande e muito alto que deviam pagar, pois a humanidade inteira dependia de que eles fizessem alguma coisa. Mas só alguém de sangue sagrado e coração puro poderia enfrentar os demônios e destruir o senhor de toda a escuridão, o que se referia a alguém com o sangue dos Belmont independente do nome. E a cada vez que Allen sugava, a mente de o jovem Dracula, tinha a sua mente perdida na duvida se realmente tinha feito algo de bom em trazer Allen de volta a vida ou se acabava de condenar a todos. Pensamento que certamente não se encontrava em Roberts ou Maya. A boca do caçador de vampiros se separa do braço do paladino das trevas. Dá um leve suspiro deitando mais uma vez na cinza grama por onde andavam. A única mulher entre eles se ajoelhou enquanto Alucard se levantava e caminhava para longe de todos. Segurando sua cabeça com carinho ela olhava ansiosa por alguma resposta de seu amado que agora mantinha os olhos fechados. Roberts correu atrás do homem de roupas negras para lhe agradecer.
- Alucard... você salvou a todos nós!
- Salvei? O único motivo para ele ter voltado a vida, é porque ele não estava morto.
- Não?
- Não, Roberts... Mas agora ele está... Eu o matei. Ele não possui mais uma alma. Ele é somente uma casca ambulante. Ele só... havia desmaiado. Por nossa ignorância, acabamos de condenar a todos! E principalmente a ele! Me deixe só.
- Alucard... eu...
- Eu espero não ter que repetir.
E o silêncio os cobriu como o mais denso manto. E o arrependimento se fazia saliente em Roberts que tinha sido o criador da idéia, será que sacrificar alguém para que consigam o objetivo a todo custo? Será que é suficiente? Será que poderia funcionar. Muitas vezes julgamentos desesperados não nos leva a lugar algum que não seja para a perdição total. Sua mente entrava em uma tormenta de pensamentos errantes de que tudo o que havia feito até agora era errado. Mas como poderia ser? Roberts estava lá para destruir o mau, isso era errado? Não importa, a mente dele foi sacudida por uma onde avassaladora de pensamentos sem nexo. O choque era tanto com o que havia ocorrido que abalou a estrutura de todos, bem, não de todos exatamente, Maya ainda não tinha percebido a gravidade do problema, está feliz demais em ver o seu amado deitado com a cabeça em seu colo, respirando com os olhos fechados em repouso. Estava vivo novamente, que maravilhoso! Sim, por um instante ela se via no abismo sem fim de uma tristeza eterna que a assombrava, mas agora tinha fim, o seu amor, estava vivo! E outro pensamento tomou conta dela. Agora que ele era um vampiro, ele era.... eterno!! Sim!! Eterno!!! Como ela era! E isso fez com que ela o abraçasse com mais carinho e intensidade!
Interrompendo a todos e suas ações, palmas quebram o silêncio sepulcral, tomando a atenção de todos, Alucard, Maya e Roberts olham todos para um direção. E se deparam para um ser belo e esquisito com uma feição de completa satisfação. Sua risada que era totalmente agradável tomava conta de todos os ouvidos. O Diabo se fazia presente entre eles. Sempre trajando roupas elegantes, ele andou entre os guerreiros, todos os olhos se encheram de raiva, ódio, fúria e todos os sentimentos ruins que um ser humano poderia sentir, e Gabriel se sentia satisfeito, pois era com isso que se tornava mais forte.
- Fabuloso! Fabuloso!- outra risada.- Então o guerreiro abençoado tem sangue podre correndo em suas veias? Isso é maravilhoso! Sabem que agora não poderão acabar com Dracula de uma vez por todas não é? Pois sim, podem destruí-lo, mas não para sempre. Será tudo como sempre foi... É uma pena, Allen Belmont era a única e última esperança de todos. E agora graças a você jovem mestre, tudo teve rumo à danação.
Roberts deu um passo a frente, onde seu corpo e alma transbordava em ódio, seu punho era firme ao segurar a lança, seus olhos brilhavam em vermelho sangue, e seu espírito de demônio se tornava inquieto. Não podia se conter, e foi ao encontro de Gabriel, como um cometa, foi atacar. Seus golpes eram inúteis somente o nada era atingido, e vento era o único grito que escutava. O Diabo não saia do lugar a lança atravessava-lhe. Roberts se fazia em gritos e movimentos furiosos, quando no ar amaldiçoado das terras onde estavam, as vozes de sua amada ecoavam, eram os sons dela gemendo, o mesmo gemido de quando estava sendo estuprada. A voz chamava por ele, pedia por socorro. Dos olhos rubros lágrimas desciam enquanto ele continuava a desferir golpes inúteis, logo em seguida o som muda, ao invés da voz suplicar por socorro, ela começava a gemer de prazer, como se quisesse mais. E logo a imagem se fez no ar, e todos viram Helena, se deliciando com os corpos dos dois vagabundos ao mesmo tempo, suspirando e gritando em satisfação, sua pele delicada, seu rosto angelical fazia todo o contraste com a cena de extremo pecado. Isso se traduzia em milhares de agulhas entrando nos olhos e coração do guerreiro de Orion, a lança cai no chão.
- Roberts! Não! Roberts, olhe para mim.- Alucard pára na frente dele tentando acorda-lo.
Mas é inútil, o guerreiro de Orion está sob um tipo de transe. Enquanto isso Maya se levanta furiosa com os olhos cheios de lágrimas, ao pulsar do seu coração movido pelo ódio ela caminha na direção do oponente em questão. Alucard grita e manda que ela se afaste com Allen, ela continua mais alguns passos, mas mais uma vez a voz do vampiro branda e ela finalmente volta e carrega o seu amado no colo. E de repente, um golpe atinge o rosto do jovem Tepes fazendo-o voar e cair metros longe dali. Roberts está com a feição mudada está completamente tomado por um rosto demoníaco, após dar o golpe no Dhampiro, ele continua a caminhar na sua direção. Duas asas negras de dragão crescem em suas costas.
- Isso! Vá meu anjo, você comandante do primeiro batalhão real de Avalon, mostre toda a sua fúria, acabe com todos eles, você é um dos meus quatro fiéis cavaleiros. És um dos quatro cavaleiros do apocalipse, és o guerreiro cujo sangue é a única coisa que te alimenta, os gritos de dor são as únicas melodias que te agradam e a morte e a sua única companheira. Você, Roberts, é a guerra!
Das costas do belo Gabriel, nascem asas negras, como as de um anjo, e ele caminha para seu soldado, pára na frente dele, e dá-lhe um beijo na testa. No instante seguinte uma armadura negra, brilhante e com espinhos de metal nos ombros, braços e pernas, tomam conta do corpo do guerreiro, um cavalo negro e belo vem para que possa montá-lo. E assim se ergue diante de todos um dos quatro cavaleiros, Roberts de Orion o cavaleiro da Guerra. Tendo como o chão a sua base Alucard salta contra o guerreiro da lança, a lâmina mais uma vez toma vida e uma batalha começa, metal com metal o som agudo das duas armas explode nos gritos ferozes do impacto. Em cima de seu corcel negro, Roberts, corre atrás do filho de Dracula, e seu tridente por pouco não o atinge. Ao saltar Adrian garante sua sobrevivência, e com sua voz grave por entrar no seu estado vampírico ele diz:
- Soul Steal!
E esferas saem do corpo do cavaleiro da guerra, mas não causa-lhe muita coisa. Ainda montado ergue sua mão ao céu de plumbo, e dizendo frases que pareciam ser em antigo aramaico, demônios de todos os tipos começam a brotar do chão, esqueletos em armaduras, provavelmente soldados mortos de guerras passadas. São milhares deles nascendo de uma vez só, e sem demora indo para Alucard. As armas são as mais grotescas possíveis, machados gigantes, bolas de matais com espinhos, foices com duas pontas, espadas gigantescas, eram verdadeiros bárbaros putrefatos. Em golpes pesados eles tentavam acertar o vampiro. Alguns conseguiam acertar o seu rosto em cheio outros erravam de longe. Estava ficando cercado, Maya, se sentia tentada em ir ajudá-lo, mas não podia deixar Allen daquele jeito, ainda estava inconsciente. O que ela poderia fazer? Não poderia simplesmente ver que seu amigo de tantos anos e séculos fosse massacrado daquele jeito. Enquanto ela pensava no que fazer, Alucard tinha que se preocupar com sua vida, eram muitos, por todas as partes, não tinha o que calcular, era só atacar, era puro instinto de movimentos, uma coisa era certa, não poderia cair, tinha que se manter de pé, se caísse era o fim com certeza, uma vez que jamais levantaria. Mais uma vez lançou o Soul Steal, e uma grande parte de seus oponentes se desintegraram revitalizando-o, mas não poderia fazer isso sempre. Mais uma vez Roberts ataca, com uma enorme bola incandescente contra Alucard, que foi pego de surpresa. O restante dos monstros continuou indo em direção ao paladino das trevas. E finalmente Maya se levanta para ajudar Alucard. Tinha deixado Allen encostado em uma árvore longe dali, correu como um relâmpago, chegando lá não demorou para que sua Katana fosse dilacerando tudo e a todos, tornando as coisas mais fáceis para seu companheiro. Roberts desaparece. Enquanto todos continuam lutando. Segundo depois o chão começa a tremer, e um terrível terremoto toma conta de tudo, jogando Alucard e Maya de um lado para outro. Seus corpos iam batendo em rochas que saíam do chão ou em troncos de árvores secas, batiam no chão várias vezes. Até que tudo pára. Ainda há esqueletos de armadura para enfrentar, a ninja tenta se levantar com todo o seu esforço, o seu corpo estava todo dolorido assim como o seu companheiro, finalmente de pé ela vai para atacar um esqueleto segurando um dos machados gigantes, até que uma mão a pega pela nuca e a lança para o alto como se fosse uma trouxa de roupa. Saltando logo em seguida aparece Roberts possuído e começa a dar-lhe uma violenta seção de socos e chutes, arrancando-lhe sangue e gritos desesperados, e finalmente a joga para o chão novamente. Não satisfeito lança-lhe a sua lança. E a arma vai cortando o ar até que atravessa o seu ombro, a prendendo no chão e deixando que saia um grito de dor interminável. Conseguindo se livrar dos demais oponentes Alucard vai ao socorro da jovem amiga, mas é impedido por outro violento golpe de Roberts que o lança longe novamente. E em sua magnânima armadura ele volta a se sentar no cavalo, estende a mão e sua lança de uma vez sai da carne de Maya para voltar para sua mão, e sem expressão nenhuma ele fica soberano na frente dos dois.
Tendo esse pequeno espaço de trégua o jovem Tepes segura a moça em seu colo, era mais que claro que os dois não estavam dando conta de Roberts. Mas isso ainda não tirou a coragem, embora vissem que estavam perdendo a luta, era preciso continuar, mas uma barreira que havia entre eles e o cavaleiro, era que esse mesmo poderoso oponente era seu maior aliado. Os olhos do vampiro o fitavam querendo... De repente Roberts começa correr com o cavalo na direção dos dois pronto para continuar o ataque, tinha que terminar o que começou, e pouco antes de serem atingidos, Alucard pegou Maya no colo e saltou para bem alto, mas lá em cima, Roberts reapareceu abordando-os, Adrian deixou que Maya escapasse de seus braços com o golpe que recebera, ela caiu diretamente no chão, batendo com as costas. Alucard foi lançado em uma velocidade extrema para uma direção, seu corpo atingiu uma rocha que se rachara com o impacto. O cavaleiro do apocalipse começa a andar, mas com uma diferença enquanto saia do seu lugar outro ficava. Haviam dois Roberts agora, exatamente iguais, cada um com sua lança na mão.
Ao tossir ela cospe sangue que se espalha em gotas no chão, erguendo a sua cabeça na direção do algoz poderoso, ela vê que são dois, não era possível, provavelmente é a força da pancada, passou a mão no rosto e esfregou os olhos mas os dois continuavam lá e um vinha na sua direção. E algo a invadiu, era o medo, e ia crescendo a cada vez que ele ia se aproximando, ela passava a mão bruscamente pelo chão para achar a sua espada, mas não estava lá, e ele se aproximava, ela se arrastava para trás, e seu corpo doía mais que tudo. Ao que ele chegava perto, o coração acelerava duas vezes mais, já não era mais medo, era terror, puro terror, que não se conteve quando voltou a agarra-la no pescoço, ela gritava por socorro, mas não obtendo resposta, Alucard era castigado pelo seu mesmo oponente. Um... Dois... Três socos brutais foram de encontro a face de Maya, a girou e a lançou contra uma outra árvore que estava por ali, e na velocidade do pensamento já estava lá para agarra-la novamente.
Com o seu braço na frente de seu rosto o escudo com o brasão da família se formou, segundos antes de receber o impacto de um golpe furioso. Mas foi o suficiente para quebrar a proteção que tinha. E mais uma vez Alucard estava indefeso, foi com as mãos para o pescoço do inimigo, que o empurrou para longe, e logo estava face a face novamente, dando dois socos no seu rosto, errando o terceiro que acabou pegando no pescoço do Dhampiro. E isso foi o suficiente para ele ir perdendo a consciência aos poucos. A cada soco que levava no rosto, um flash aparecia, e quando viu novamente estava no chão, com tudo balançando como se estivesse em um barco em alto mar. Pode-se dizer que isso era sorte pois não poderia mais sentir dor. Seu corpo estava sendo sobrecarregado de tanto apanhar.
Maya já não tinha tanta sorte, pois sentia tudo e não podia fazer nada, mais uma vez estava no chão se rastejando, já querendo fugir, a dor era tanta que mentalmente pedia para morrer. Caminhando lentamente Roberts, chega ao lado dela, e violentamente pisa em suas costas, fazendo com que se quebrassem três costelas. Mas uma vez um grito foi a única coisa que ela poderia fazer, um pequeno sorriso se desenhou no rosto do cavaleiro negro. Se ajoelhou na frente dela e levantou seu rosto pelos cabelos, a face da bela menina estava molhado pelas lágrimas que chorava, era um choro forte, estava muito machucada, e não queria mais se movimentar. Ela olhou para ele, e perguntou-lhe por que, mas não obteve resposta, e pelos cabelos ela foi erguida até que seus pés não tocassem mais o chão, e a chacoalhou, assim ela ia sentir mais dor, pelas costelas quebradas e corpo machucado. E finalmente um outro soco a jogou longe, e ela finalmente caiu inconsciente.
Gabriel reaparece, os dois Roberts caminham um na direção do outro, se unem ficando um só novamente. Depois o ser que um dia já foi o príncipe das trevas ordena-lhe que ache Allen e acabe com ele também. E assim o cavaleiro negro vai caminhando pelo lugar procurando o Belmont. Vai passando calmamente olhando para os lados, mas não acha nada. Enquanto isso, Alucard abre os olhos com dificuldade, mas seu corpo está todo ferido pela batalha que o tinha castigado severamente. Sentindo que ainda existia vida, Roberts volta a sua atenção para o filho de Dracula e reaparece em sua frente. E segundos antes que ele fosse atingido pelo golpe enfurecido do cavaleiro da guerra, transformou-se em uma névoa, e reapareceu um pouco distante. De repente uma rajada de vento fez com que os cabelos do vampiro voassem para frente, e num impacto que na velocidade de um piscar de olhos, Roberts se encontrou com a face no chão, arrastando-a caminho a frente. Os olhos de Adrian mal podiam ver, mas ao se erguerem o encontraram em pé, esperando que Roberts se levantasse.
- Você está bem?- Allen pergunta de costas.
- Sim... E... Você?
Não teve resposta, e logo o Belmont se preparou para a batalha, sua mão tinha garras agora, e uma aura vermelha começava a brilhar em volta, muito forte. Ao se por de pé o homem de armadura não esperou um segundo sequer para ir atacar o guerreiro da Vampire Killer. Os dois se encontraram numa explosão de golpes nervosos. Os olhos do filho de Christopher estavam vermelhos sangue, com a pupila fina como a de um felino, os caninos estavam grandes. Allen era com certeza um vampiro agora. Nenhuma palavra foi trocada entre um e outro, apenas golpes após golpes, todos de ambas as partes acertando em cheio. Um soco foi pego pela mão do Belmont, isso fez com que ele girasse Roberts e o jogasse para o alto, indo logo atrás, e em seis vezes arranhasse o seu rosto com as mãos. Caindo ao chão, o possuído voltou a encontrar Allen com uma joelhada na boca, e outro soco com o seu bracelete de espinhos, cortando a pele do guerreiro da luz. Limpou o rosto sujo de sangue com uma das mãos, e se pôs de pé. De um de seus bolsos, pegou um frasco de água benta, lançou ao ar fazendo o mesmo ritual mágico para que uma tempestade caia. As gotas vieram furiosas e prontamente a encobrir tudo. Isso fez com que Roberts se ajoelhasse em dor, mas nada fazia efeito no Belmont. Aproveitou sua chance, correu, pegando seu chicote e o castigou severamente, partes da armadura ia se quebrando aos poucos, a chuva se acabara e o cavaleiro se ergueu pronto para defender-se. Em um outro golpe desferido por Allen, o algoz possuído, enrolou a Vampire Killer no braço e puxou jogando o rapaz longe. No ar o rapaz se vira e jogando mais outro vidro de água no céu, proporcionando outra tempestade. Tendo mais outra vantagem partiu novamente para o ataque. Alucard, se levantou ferido e foi ajudar, eram ataques brutais por todos os lados, e já não sobrara mais nada da armadura do cavaleiro do apocalipse. Pegando sua arma novamente, Allen voltou a usa-la. Até que o jovem Tepes pede para que parasse. Roberts não podia mais levantar e de seu corpo Gabriel sai, sangrando, rastejando pelo chão.
- Que... Que tipo de ser é você?- perguntou o Diabo.
Caiu no chão e se desfez em uma enorme chama azul. A batalha tinha terminado, Roberts estava inconsciente mas vivo. Alucard caminhou até o Belmont.
- Como se sente?
- Vivo.- responde Allen.
- Eu não entendo... Você devia ser um vampiro.
- E não sou?
- Sim, é. É por isso que está vivo, era o único meio de te trazer de volta a vida, estava a beira da morte. Mas o que eu não entendo é... Por que não foi atingido pela chuva de água benta?
- Não sei.
- As respostas podem vir depois, meu jovem.- disse uma voz feminina.
Os dois se viram para olhar a mãe de Eleonora mais uma vez na frente deles.
- Você, Allen Belmont o destruiu, não pensei que seria tão fácil assim.- ela olha para Maya e Roberts que estão desacordados.- Você salvou duas almas. Eles estão livres da maldição. Parte de sua jornada está para acabar. Mas mesmo assim, não é para pensar que as coisas vão ficar mais fáceis daqui por diante. Você pode sentir, não pode?
- Sentir o que?
- O amor.- ela olha para Maya.- Allen, preste atenção. Ela agora não é eterna, mas se cultivar o amor de vocês dois, este sim, será eterno e ira acompanha-lo para onde quer ir. E se tomar este sentimento como seu guia, há de colher frutos que muitos dos humanos procuram há séculos, e hão de procurar mesmo já tendo achado. Mas precisa ter cautela, o coração não pode viver sem a mente, pois é muito selvagem, e precisa de um domador para que não perca o controle. Foi assim com minha filha, tão cega de vingança pelo seu amado que acabou fazendo o que fez.
- Eu entendo... E não a culpo, ela foi apenas mais uma vítima de Dracula.
A mulher olha para Alucard e sorri tão docemente que o desarmou.
- Você jovem Tepes.- caminha até ele e põe sua mão no peito dele.- Não se preocupe jamais com o seu lado amaldiçoado, o seu coração bate, não vê? Você não é um vampiro, e sim um anjo, pois eu sei que a sua alma é pura, ainda bem que não é o único na família.
- O que?
- Ela o encontrará, e você verá, só lhe digo uma coisa meu jovem, aceite-a de braços abertos, pois ela ainda é uma criança perdida, e assim como você, não tem culpa do que é. Agora deixem-me ir, está tudo nas mãos de vocês.
E lentamente sua imagem se vai com o vento reconfortante que bate delicadamente no rosto dos dois belos rapazes e um deles caminha lentamente para uma moça caída ao chão, tão abandonada e indefesa, ferida pela batalha que a castigara tão severamente. Se ajoelhando Allen a segura no colo com todo o carinho e amor do mundo, tira um pouco do cabelo de Maya do rosto, tão linda ela é, a meia voz ele chama:
- Meu amor... Acorde meu amor...
Aos poucos os olhos foram se abrindo, a visão era embaçada, alguém a segurava, quem era? Foi abrindo mais um pouco, a imagem foi se tornando boa, e logo se desenhava o rosto que ela conhecia bem, que ela tanto queria ver, não acreditava porém, mas era o que via, e sorria para ela. Tão belo, o ser mais belo de todos a olhava, seu corpo foi inundado de tanta emoção, mas por falta de força não pôde demonstrar tudo o que sentia, sorriu e lágrimas desciam o seu rosto machucado.
- Olá...
Alucard veio logo com um frasco.
- Tome, dê isso à ela e vai ficar como nova!
Allen sorriu e agradeceu, gentilmente levou o conteúdo do frasco à boca de sua amada, ela bebeu aos poucos depois fechou os olhos adormecida.
Terceira Parte: Os Dois Cavaleiros.
- Que Deus tenha piedade de vossas almas. Isso não é simplesmente lindo? Não é bom, como vocês seres infelizes, eternamente perdidos em um caminho sem volta se seguram, se apóiam e até mesmo rastejam por um ser que jamais viram? Hão de agradecer os seu feitos medíocres para um ser que se denomina grandioso, que se denomina o único, o criador da vida e do universo. Vocês conhecem-no tanto assim, para poder dizer o que Ele é ou deixa de ser? Se Ele é como os belos quadros o descrevem, robusto, musculoso, com uma enorme barba branca de olhos azuis? Até onde vai a ignorância de vocês patéticos humanos? Por que hão de recorrer à um ser que sequer existe? Ou até pode ser que exista, mas que não é nada disso o que tanto pensam. Oh meu pai, obrigado pela minha comida, pela minha mulher que me satisfaz em tudo, e principalmente na cama quando nos ancoramos um no outro com desejo fervente, e ela grita meu nome com ardor, pega em meu corpo, e beija meu falo com tanta voracidade, agradeço a você Deus, por ter o ventre de tão deliciosa e maravilhosa esposa para que eu possa satisfazer os meus desejos sexuais tão iguais a qualquer outro animal selvagem quanto um lobo! Obrigado, ó senhor pelos pensamentos impuros e pecados que eu considero divinos por poder ajoelhar-me diante de ti e pedir-lhe perdão para que novamente possa pecar mais seguramente sabendo que hei de ter salvação. Ó ser tão perfeito dono de toda a sabedoria e tão longe de cometer um erro sequer, porque tudo o que criaste, meu divino, é igual a ti, é lindo, é maravilhoso. Que Deus tenha piedade de vossas almas patéticas e infelizes agradecendo por suas vidas banais em um ciclo monótono que jamais há de acabar. Que Deus tenha piedade de tanta incoerência. Que Eu tenha piedade de tanta podridão, pois criei as coisas mais inúteis do mundo. O que dizem de mim? Que sou um anjo caído! Que sou um filho de Deus. Mas como sempre a mente miúda de cada pessoa que vive e rasteja nesse mundo que um dia foi perfeito, sim era tudo lindo, quando não havia alguém que pensasse. Quando Eu criei vocês, quando Eu os fiz não tinha a menor intenção de faze-los raciocinar, mas fui tomado por infeliz sentimento monótono e pensei que poderia agitar um pouco as coisas. E começaram a pensar, a terem idéias a ser e se tornaram pior que um animal sem conhecimento nenhum. Pois destroem o que eu fiz, o que me deu tanto trabalho para conseguir, a sua inteligência não passa de mera ilusão, não existe tal coisa para vocês, um inseto é muito mais proveniente de intelectualidade do que vocês, humanos infelizes, pois quando nasce já sabe exatamente o que deve fazer. Vocês? Vocês demoram, aprendem, erram e erram, e erram, erram e se acabam, se matam, mas não para sobrevivência como uma cadeia alimentar, é por puro prazer, e ainda são petulantes o bastante para dizer que isso foi vontade minha? Não. Vocês e suas idéias, seus... “Pensamentos”, seres infelizes. Patéticos, podres e pobres. Digam-me donos da “sabedoria”, se Deus é tão perfeito, se ele não erra nunca, como foi fazer um anjo que era perfeito, e deixou que fosse perder o controle se voltando contra o seu próprio criador? A perfeição não admite erros. Contradições, incoerências, seres medíocres. Será que vocês não vêem? Eu sou Deus e o Diabo, eu sou um. Eu sou o purificador, eu sou o criador e também hei de ser quem vai exterminar com todos vocês. Será de forma dolorosa, será lento, será belo. A sua tão amada “inteligência” vai destruir a raça humana, vão perder o controle de tal forma que hão de ser os feitores de sua própria extinção. E nada pode me impedir, nada, porque eu sou Deus! Vocês não sabem o quanto tem poder um Deus, e eu hei de mostrar isso. Que Deus tenha piedade de vossa alma por acharem que poderiam me derrotar assim, achar que Dracula realmente pudesse ser o príncipe das trevas, como se existisse tal coisa. Eu sou o bem e o mau, e vou puni-los sempre, até que aprendam a sua lição, em sete tempos eu criei tudo, e em sete tempos eu hei de destruir. Vão agora seres pequenos, partam para sua cruzada inútil. Vão agora meus filhos cretinos, que Eu tenha piedade de vossas almas, e Eu não hei de ter jamais.
E assim a voz foi embora, Allen, Alucard, Maya e Roberts já refeitos da batalha se olharam, era a voz de Gabriel que ecoava pelo ar com voz doce e calma. A mente de todos estava muito perturbada com o que acabavam de ouvir, será que era tudo verdade? Tinham tudo para acreditar, estavam enfrentando tudo o que lhe eram inexplicável, por que isso não haveria de ser verdade? Estavam vivendo o terror intenso e sem fim naquele lugar. E agora tinham que enfrentar suas mentes perdidas em dúvidas, as palavras uma por uma tinham afetado a todos profundamente. Allen começou a se sentir mal, tão mal que se ajoelhou pondo a mão em seu peito, Maya correu para ajuda-lo, ela levantou o rosto do rapaz para encontrar algo deformado e monstruoso, os caninos eram enormes, os olhos negros com uma pequena ponta vermelha no meio. O Belmont tinha sua face bela toda deformada em um demônio e sua massa muscular tinha aumentado. A ninja gritou em horror, Alucard foi para junto e chamou pelo guerreiro, mas este não o ouviu.
- O que está acontecendo com ele?- perguntou Roberts.
O jovem Tepes não soube responder e Allen se ergueu diante de todos, um verdadeiro monstro completo, e como um selvagem partiu logo para o ataque indo para cima do que foi um dos cavaleiros do apocalipse. Roberts se defendeu não querendo machucar o amigo, mas o transformado era muito mais forte e quebrou a lança com um golpe só, dando dois golpes jogando Roberts longe. O chão treme e dele fendas se abrem com mãos brotando, saindo aos poucos corpos se estendam por todos os lados, mas não eram zumbis. Eram vampiros, milhares deles todos sedentos de sangue. Maya foi se defendendo como pôde com sua espada dilacerando a todos, e para piorar a sua situação Allen ainda vinha em sua direção andando debilmente, arrancando a cabeça de outros vampiros que se punham no seu caminho. Dois sugadores de sangue voaram para a moça agarrando-a, o Belmont chegou perto e a agarrou bruscamente pelo pescoço levantando-a do chão e a virando.
- Allen! Não! Sou eu! Sou eu meu amor!
Foi inútil, o monstro tinha cravado seus enormes dentes no pescoço dela, e apenas com a boca a suspendia no ar, e começou a balançar a cabeça querendo arrancar um pedaço da carne do pescoço de sua amada, esta que gritava de dor agarrando-o pelos ombros tentando se livrar. Alucard apareceu por trás e furiosamente cortou as costas do seu deformado companheiro, fazendo com que ele a largasse berrando debilmente em dor. Maya cai no chão e tenta se levantar, escorre sangue pelo seu pescoço e boca, Roberts vem correndo para ajudar, a jovem disse que estava bem e olhou para o seu amado com tristeza, não era ele. Mas antes que ela pudesse fazer mais alguma coisa uma dor aguda tomou conta de seu abdômen.
- Maya, o que foi?
Ela caiu no chão gemendo e se contorcendo, teve um ataque de convulsões, sua boca espumava, o guerreiro de Orion começou a desesperar-se.
- Alucard!- gritou.
Por um segundo Adrian se virou para ver o que estava acontecendo se desconcentrando da batalha com o jovem Belmont e no segundo em que girou a cabeça pro outro lado, levou um soco violento jogando-o contra uma árvore quebrando-a ao meio. Allen caminhou para os três com a sua legião de vampiros mortos de fome. E num passo ele parou e se ajoelhou em dor, grunhia alto e rosnava. Alucard se levantou e viu o que estava acontecendo e logo lhe veio na cabeça, tinha encontrado a resposta. E por ter encontrado a resposta, virou-se para Roberts e avisou:
- Fique longe dela!
- O que?- ele perguntou.
Tarde demais, Maya havia dado um golpe no rosto do guerreiro com as unhas enormes. Ela também tinha o rosto deformado, era um ser igual ao que seu amor havia se transformado.
- Roberts, preste atenção! Allen é um vampiro e agora Maya também é!
- Como assim?
- Escute-me, lembro-me do que Gabriel me disse antes, quando lutamos com você. Ele o chamava de Cavaleiro do Apocalipse, segundo ele, você era o cavaleiro da guerra, Roberts, existem quatro cavaleiros do apocalipse, este que são a Guerra, Fome, Doença e a Morte! Allen como é um vampiro, sua fome sedenta de sangue já o denomina como um do cavaleiros, mas isso não faz dele um só cavaleiro, ele é dois em um só, quando um vampiro morde sua vítima e faz com que ela beba o seu sangue, ela passa a ser uma vampira, é como se fosse uma doença que fosse infectando a todos! Como uma peste! Entendeu? Eu não vi, mas de alguma forma Allen contaminou Maya.- explicou Alucard lutando contra outros vampiros, e deixando sua forma vampírica tomar conta de sua bela pessoa.
- E como acabamos com isso?
- Seja impecável nessa batalha, não deixe de maneira nenhuma que eles bebam de teu sangue!
Roberts correu para que pudesse pegar sua lança, vendo que estava quebrada, tocou no cabo e logo estava como nova, a legião de famintos veio em sua direção, e foi golpeando-os, saltando em cima deles e cravando sua arma em suas carnes. Alucard tratou dos dois amigos possuídos tomando cuidado para não se ferir e também para poupar Allen e Maya de se machucarem muito com os seus golpes. Allen ia furioso ao seu encontro e como uma besta selvagem balançava sua mão pesada tentando acertar o filho de Dracula, Maya tentava fazer o mesmo, mas logo sentia que seu corpo doía de fome, e isso diminuía seu desempenho. Roberts pegou uma cruz dentro de seu bolso e a ergueu. Os vampiros pararam assustado e taparam os olhos com as mãos, do objeto saiu uma luz branca e forte aniquilando todos. O Belmont e a ninja foram atingidos também, suas peles fumaçavam parcialmente queimadas.
- Roberts! Venha aqui! Podemos livra-los disso com as cruzes!- falou pegando uma que tinha em volta do seu pescoço por dentro da roupa.
Juntaram ambas e logo começou um circulo embaixo dos dois guerreiros, uma luz azul subiu ao céu nublado abrindo um buraco pelas nuvens. A mesma luz teve duas apêndices saindo pelos lados formando uma cruz gigantesca e luminosa que caiu por cima de Allen e Maya em uma explosão. Os gritos foram horríveis, principalmente o grito feminino, mas algo aconteceu, a carne se desprendeu de seus corpos, deixando suas verdadeiras identidades aparecerem por baixo. A luz ficou mais intensa e a ventania aumentou jogando o casal longe batendo em umas rochas e depois caíram no chão. O vento parou e tudo se tornou escuro. A fumaça se dissipou, Alucard e Roberts correram em direção aos dois caídos.
- Allen, você está bem meu amigo?- Roberts o segurou nos braços.
O jovem abriu os olhos verdes e grandes, lentamente passou a mão no rosto aparentemente cansado e fez um sinal com a cabeça, olhou para o lado e viu Alucard segurando sua amada mais uma vez desacordada em seus braços. Ele se levantou prontamente e foi ver sua querida. Adrian o olhou e sorriu.
- Ela está livre.
- Livre?
- Ela não é mais uma vampira, e nem imortal, a sua maldição se dissipou.
- Verdade?- Allen abriu os olhos feliz com o que ouvira.
- Hmmm... Será... Que os dois... Podem fazer... Menos barulho? Minha cabeça está me matando!- disse Maya acordando.
- Meu amor!- Allen a pegou no colo. - Acabou meu amor! Você está livre.
- Como assim?- perguntou esfregando os olhos.
- Da maldição! Está livre meu amor! Você não é mais imortal.
- O que?
- É isso mesmo Maya. Está livre, eu posso sentir em sua aura. É humana novamente.
- Alucard! Se estiver mentindo para mim, enfio uma estaca no seu coração! Não se brinca com essas coisas!
- Estou falando a verdade Maya-chan!- Alucard disse rindo.
- É verdade meu amor! Está livre, podemos ficar juntos agora, podemos envelhecer juntos, podemos viver o nosso amor, até que a morte nos separe!
- Oh Allen!- ela começou a chorar.- Poderei viver novamente! E com você!
- Sim, minha bela. Você e Roberts, estão livres.
- Mas... E você?- ela olha para ele preocupada.- Não é vampiro agora...?
- Não, Allen está livre, eu não sei como isso aconteceu, mas estão todos livres, e como eram antes.
Maya abraça Allen forte e com todo o amor, e como uma onde furiosa o beijo aconteceu, transbordando em carinho e paixão com os corações rápidos e ferventes, estavam felizes, diante de tanta coisa ruim a felicidade ainda existia. Alucard se sentia bem, estava confiante que tudo iria correr bem, e que iam conseguir derrotar seu pai mais uma vez, o que lhe doía um pouco o coração, pois se lembrava de sua vida enquanto ainda tinha família, com sua mãe. Impressionante lembrar que ser tão vil, um dia foi um pai, um amigo e um homem feliz, e agora tudo estava em seu oposto. De pé a moça abraçou mais uma vez o seu corajoso namorado, mal podia acreditar que não era mais eterna, que era normal, pensava “Tenho dezenove anos novamente!” Poderia sentir-se como uma adolescente, seu coração era leve com uma pluma e ao mesmo tempo pesava toneladas de felicidade e emoção. E abraçava Allen tão forte, não querendo deixa-lo ir jamais. “Vamos viver juntos até o fim!” Ela pensava com alegria “Até o fim!” Roberts se sentou no chão com alívio e também com satisfação “Helena, espere meu amor, hei de me encontrar com você novamente”.
- Isso é lindo.
E todos pararam, Alucard parou de respirar por um segundo assim como Roberts.
- O amor. É um sentimento tão belo, não é mesmo, meu filho?
Alucard se virou lentamente, e aos poucos os olhos mostravam, sim era ele. Dracula, seu pai vestido em um belíssimo traje de gala com uma capa igual a sua. Allen olhou surpreendido para quem veio procurar, mal podia acreditar que estava diante do inimigo de sua família e também da humanidade, pôs a mão em sua Vampire Killer, sua respiração ficou forte os olhos brilhavam.
- Guarde sua arma jovem Belmont, terá muito tempo para usa-la. Eu darei sua chance de lutar comigo, matei muitos de sua família, e muitos conseguiram me derrotar, vamos ver o que a sorte nos guarda, não é mesmo? Chegaram até aqui sem muitas dificuldades, meus parabéns. Mas agora as coisas mudam. Tu Allen Belmont, sabes que eu preciso de ti para a minha liberação e dominação, com o teu sangue sagrado hei de ser tudo. Vem, entra em minha humilde casa, mas somente tu podes entrar.
- Não! Nós todos iremos com ele.- gritou Roberts.
- Não precisa... Eu vou sozinho.
- Não Allen, vamos junto com você.- Falou Maya.
- Vos sois inúteis a mim. Eu preciso do Belmont somente. Eis o que eu hei de fazer, abrirei um portal e vocês poderão sair de meus domínios, se insistirem faço questão de matá-los aqui mesmo.
- Pai, não adianta impedir, nós vamos junto com ele.
- Meu filho... Sangue do meu sangue, o meu maior presente, sabe filho, ainda aprecio-te muito, venha se juntar a mim, e podemos acabar com tudo isso, com esse mundo injusto, vamos fazer desses humanos nossos escravos, terá uma eternidade de domínio meu filho.
- Como ousa me pedir algo assim?
- Chega! Já falei que vou sozinho.- disse Allen.
- Mas meu amor...
- Maya, eu vou voltar, sempre quis um amor em minha vida e agora que achei, não vou deixar que vá, vamos ficar juntos meu amor, para sempre.
- Até o fim?- ela o olhou com uma inocente adolescente que não sabia de coisa alguma.
- Sim, até o fim e além.
- Estarei esperando. Só tenho uma coisa para te dizer, não se atreva a morrer Allen Belmont, eu o proíbo, entendeu?- ela o abraçou com os olhos cheios de lágrimas e o coração cheio de medo.
- Eu voltarei para você meu amor, eu juro, não vou te perder, você será meu amuleto da sorte. Levarei você comigo, na minha mente e no meu coração. Pois assim, não vou ficar sozinho, e terei uma força extra para acabar com isso tudo.
- Tome.- ela deu um medalhão com “Eternidade” escrito em Japonês para ele.- Foi um presente de meu pai, vou estar esperando para que você me devolva.
- Devolverei meu amor.
Mais um abraço terno, os rostos se tocam e se acariciam, e lentamente os lábios se encontram, o beijo acontece de forma calma, quente e amorosa. As bocas se separam, um suspiro de Maya ainda com os olhos cerrados. Allen se vira para olhar Alucard e Roberts e caminhou até eles, apertando suas mãos em agradecimento.
- Eu não sei se teria chegado até aqui sem vocês. Muito obrigado.
- Está tudo em suas mãos Belmont, que... - Alucard lembrou do que ouvira instantes atrás.- Que Deus o abençoe.
- O Deus em que eu acredito irá me proteger Alucard, não se preocupe.
- Boa sorte meu amigo.- Disse Roberts segurando-lhe as mãos.
- Obrigado, agora viva sua vida caro Roberts, está livre para viver novamente.
Dracula estendeu o braço e um portal apareceu na frente de todos, do outro lado do túnel místico dava para ver o lado de fora e a cidade ao fundo. Alucard foi o primeiro a entrar, Roberts acenou e foi junto, Maya ainda estava abraçada com o seu amado, e não queria deixa-lo ir.
- Lembra do que eu te disse?
Maya o olha.
- Disse que agora eu era imortal, lembra? Porque meu amor por você é eterno, e onde meu amor estiver, estarei eu. E se você, minha bela, ainda quiser senti-lo, basta fechar os olhos, e eu estarei sempre contigo.
- E... Está bem meu amor.- disse chorosa.
E ela foi caminhando em direção ao portal olhando para o seu querido Allen, mas finalmente se virou e foi embora, o portal se fechou e estava somente ele e Dracula.
- Allen Belmont, seja bem vindo a Castlevania.- falou seguindo de uma risada tenebrosa fazendo com que o jovem guerreiro se arrepiasse todo.