Primeira Parte: Não precisa mais sangrar aqui.
Um grito chama a atenção de um homem que recolhia a palha no celeiro. Ele levanta uma das sobrancelhas e se vira para fora. Agora mais um rosnado é ouvido pelo homem, ele estranha o som e larga a palha de lado, limpa suas mãos na roupa e sai do lugar. Do lado de fora está um dia lindo, com um céu azul e algumas nuvens espalhadas como pedaços de algodão que alguém pegou e tentou desfiar, o sol bate no rosto desse homem, ele tem por volta de seus quarenta, quarenta e cinco anos, seus olhos são azuis bem escuros e brilhantes, seus cabelos são compridos, pretos e lisos. Ele vai caminhando até chegar em uma cabana onde encontra uma vaca, um homem sentado em um banquinho agarrando uma perna da bovina ali parada.
- Será que você não pode ficar quieta? Não vai doer nada! É só um pouquinho de leite!-
disse o homem no banquinho.
- Hmmmmooooo.- disse a vaca olhando para ele.
- Então, ta, mais uma vez, fica quietinha, ta?
E ele coloca o balde de baixo das tetas da vaca, e com suas mãos ele pressiona gentilmente. E começa a sair leite, o homem louro, de olhos verdes, rosto bonito, com seus vinte e três anos tirava um sorriso de satisfação.
- Viu? Estamos nos entendendo heim, dona vaca? Muito bem, é assim que eu gosto, eu aperto e a senhora dá o leite, é esse tipo de acordo que move a nossa alimentação!
Mas a felicidade do homem não é muito duradoura, pois a vaca começa a caminhar para frente, derrubando o balde com leite e o homem que o tirou. Furioso ele dá outro grito. O outro que foi ver o que tinha acontecido, começou a rir deliciado com a cena que acabara de ver.
- Incrível, como o maior exorcista, caçador de demônios e vampiros, Allen Belmont não consegue tirar leite de uma vaca...
Sim, o homem vencido por uma vaca era Allen Belmont, da família Belmont, conhecida na Romênia por serem os guerreiros a derrotar o filho do demônio que se alto intitulava Dracula. Allen olha para o homem de pé e com um sorriso no rosto.
- Essa maldita vaca não coopera. Não adianta conversar com ela!
- Ah é? Talvez você não tenha pedido com jeito.
O homem olha para a vaca e a chama com um jeito calmo e sereno.
- Vitória...
A vaca olha para ele.
- Ela tem nome, Allen, aprenda a chamá-la pelo nome.
- Roberts, o grande psicólogo de bovinos...
Roberts volta a sua atenção para Vitória.
- Vitória... vem aqui vem? Vem Vitória, deixa eu falar com você.
A vaca continua olhando para Roberts.
- Vem garota, vem, você sabe que você é uma boa menina, não sabe?
- Hmmmmoooooooooo...- responde a vaca.
- É eu sei, então, vem cá e me mostra que você é uma boa menina.
E Vitória volta caminhando para o lado de Roberts.
- Eu não acredito nisso...- fala Allen abismado.
- É só uma questão de jeito, meu amigo.- fala ele tirando o leite da vaca.
Depois de um tempo os dois caminham pela grama verde e sob um céu perfeitamente azul. Eles estão numa fazenda, esta que pertence a Allen Belmont, na verdade essas terras sempre pertenceram aos Belmont, e era passada por gerações. Allen é o mais novo guerreiro, seu pai Christopher Belmont deu o treinamento para ele, porque sabia que Allen seria o que lutaria contra Dracula também, Christopher faleceu no ano anterior, deixando Allen só com as terras que já pertenciam à família. Roberts é um amigo da família, embora ele aparenta ter por volta de seus quarenta anos, ele tem mais que isso. Ele tem séculos sobrevivência. Já lutou ao lado de três Belmonts. Ele mais do que ninguém sabe dos perigos guardados dentro de Castlevania. Roberts já foi um ser mortal como qualquer pessoa.
A história de Roberts começa quando ele ainda era jovem, por volta de seus vinte e cinco anos ele se apaixonou por uma linda mulher de sua cidade, ela se chamava Helena, ela tinha os cabelos dourados e os olhos cinza, um rosto de um anjo e os traços delicados. Os dois se apaixonaram profundamente um pelo outro, mas o seu amor era impossível, porque Helena era rica então ela só podia se casar com alguém com os mesmos estados sociais dela. Se encontravam escondido pelas noites. Muitos anos se passaram nesse amor distante, até que finalmente eles ficaram juntos e se casaram. Numa outra noite, dois ladrões entraram na casa de Roberts, ele estava dormindo com Helena. Um barulho faz eles dois acordarem. Mais outro som faz com que os dois se alarmem.
- O que é isso?- diz Helena preocupada.
- Sshhh.- Fala Roberts se levantando da cama...
Seus pés descalços tocam o chão frio de madeira, Helena se põe sentada na cama olhando aflita para Roberts e para a porta. Ao sair do quarto ele se depara com o breu, sua respiração está forte, seu sentido aguçado, Roberts não era apenas um camponês comum, ele era um guerreiro cuja sua arma era uma lança da qual a ponta se dividia em três e fazia disso um tridente. Foi dada há muito tempo pelo seu pai, morto numa guerra de conquista à Romênia. Ele vai caminhando mais, se distanciando da porta entreaberta de seu quarto para a escuridão. E por trás dele sem que ele percebesse uma sombra entra e fecha a porta do quarto. Segundos depois Helena solta um grito de horror. Ele se vira e corre de volta para o quarto, e quando entra da de cara com um ladrão em cima dela tentando rasgar suas roupas. Roberts dá um grito de raiva e parte para cima do mesmo o pegando pelos cabelos e o jogando violentamente contra a parede.
- Saia daqui e vá chamar ajuda!
- Mas e você?
- Vá!- ordenou gritando.
Helena se vira para sair do quarto, mas se depara com um outro homem que violentamente a agarra pelo pescoço.
- Fique quieto ou ela morre.
Roberts se vira e o encara com olhos ardendo em raiva. O outro ladrão se levanta e pega uma adaga na cintura e segura Roberts por trás o imobilizando.
- Cheira como rosa.- diz o outro ladrão cheirando o pescoço de Helena.
- O que nós vamos fazer com eles?
- Com ele eu não sei, mas com ela.- dá uma lambida na orelha dela.- Eu sei muito bem, eu não sei o que é uma mulher há muito tempo.
- Encoste um dedo nela e eu mato você!
- Hahaha, então diga meu amigo, do que adianta um homem morto ameaçar alguém.
A adaga rasga o pescoço de Roberts, e sangue sai pela sua boca. Helena começa a gritar descontroladamente em terror. O corpo cai no chão e agoniza, em poucos segundos ele está morto. Sua alma cai num buraco enorme e aparentemente sem fundo. Ele cai ainda inconsciente, o buraco de escuro toma outra tonalidade, a temperatura do lugar começa a aumentar, as paredes ficam com cor de fogo e o cheiro de enxofre se torna forte. Ao termino desse buraco o corpo cai em uma plataforma de pedra. Ele acorda e meio tonto se põe de pé. Passando a mão no rosto ele abre os olhos, com a visão ainda meio embaçada não pode ver onde está, mas isso dura somente alguns segundos. Ao redor ele se depara com um céu vermelho cor de sangue um mar de lava e corpos boiando e gritando de dor nele. Vulcões e constantes erupções. Ele nota algo úmido no seu pescoço, quando ele passa a mão e vê ela está toda suja de sangue que não pára de sair.
- Será...?- fala ele olhando para a mão.
E uma voz por trás dele responde:
- Sim, está.
Roberts se vira para dar de cara um ser esquisito, bonito, mas esquisito. Ele é moreno, com a pele bem branca, os cabelos longos e presos em um rabo de cavalo, vestido em belas roupas. Seu rosto tem os traços bem definidos e másculos, seus olhos não têm íris apenas um pequeno ponto preto no meio deles. Ele dá um sorriso extremamente encantador.
- Quem é você?- pergunta Roberts tentando tapar o ferimento para parar de sair sangue.
- Quem sou eu? Olhe ao redor, descubra onde está e terá a sua resposta.
Roberts dá uma rápida olhada para o ambiente e depois volta a sua atenção ao ser belo porém esquisito.
- Você é o diabo...
- Muito bem. Você percebeu que está morto, não percebeu?
Roberts meio sem entender coisa alguma responde.
- Acho...
- Pois pode ter certeza. Você está morto. E além do mais, pode parar de sangrar, você não precisa mais disso. Não há mais sangue para derramar.
Roberts tira a mão e seu pescoço se fecha. Ainda estranhando o que está acontecendo ele olha para o ser com belas roupas.
- Calma, as respostas estão chegando. Você pode fazer o que quiser aqui, seja bem vindo ao verdadeiro paraíso.
- Esse é o inferno.
- Teoricamente. Vamos dizer que aqui é um centro de recuperação, como você cometeu os seus erros Roberts, você não foi aceito no céu. E foi mandado para cá onde você terá que pagar.
- Pelo o que? Eu sempre fui um homem justo!- tentou se defender.
- Será? Você se lembra da batalha de Deus? Hmm? Era o comandante, o melhor da tropa, você lembra quantos você matou Roberts?
- Eu fiz isso pela minha pátria, pelo meu rei! Eu fiz isso por Deus!
- Não. Você pode ter feito isso por quem for, menos por Deus. Se você tivesse pensado nele, pelo menos por algum tempo, teria lembrado dos mandamentos. Não é? E você quebrou dois deles. Você blasfemou, e matou. Lembra? “Não matarás?" E você ainda o fez em nome de Deus... você errou meu caro. E errou feio.
- Então que tipo de Deus justo é esse?
- Ah ele é. E você não tem direito de se sentir traído por ele, porque quem fez isso foi você, amigo. Por que será, que há pessoas que nunca quebram as regras impostas? E não são minoria? Você Roberts, se acha justo somente para você. Você é um dos poucos que erram e vamos admitir que a minoria não conta. Pessoas nas mesmas condições que você, nunca mataram ou usaram o santo nome em vão.
- Não foi em vão, eu luto pelo que eu acredito!
- Quando você se usa de erros meu caro, é tudo em vão. Então não se sinta especial, e muito menos justo, porque você é um dos mais errados. Quem paga pelo seus atos é você e não Deus. Se as pessoas parassem de colocar tudo no ombro dele e serem tão dependentes seriam bem melhores. “Ai, com a graça de Deus as coisas melhoraram na minha vida”.Não é bem assim, foi você que o fez melhor. Você não acha Roberts?
- Não, Deus nos ajuda. Você não vai me colocar contra ele!
- Nossa, será que você tem que ser assim tão estúpido? Eu não estou te colocando contra ele, estou querendo te mostrar a verdade, estou querendo mostrar a verdadeira justiça de Deus! Você já leu na bíblia qual foi o maior presente que Deus nos deu, não é?
- Sim, o livre arbítrio.
- Isso, a possibilidade de fazer o que você quiser por sua conta, sozinho, para você crescer por você mesmo, andar com as suas pernas que Ele te deu. Ele não é um pilar para que você se apóie e se acomode para que as coisas simplesmente aconteçam. Você é o seu pilar, e é isso o que faz com que Deus tenha a sua satisfação. Mas não vamos esquecer, de que para todo seus atos há uma resposta, e ela vem de acordo com o que você faz. Se seus atos são bons, Roberts, as respostas são boas, se não... você já sabe...
Roberts fica sem resposta.
- E eu, sou o encarregado dessas coisas. Tenho que ajudar as almas pecadoras para que ela possam entrar no paraíso.
Roberts olha para ele o estranhando.
- Você está querendo me dizer que está ajudando Deus?
- Claro, esse é o meu trabalho. Afinal, Ele é o meu pai.
- Seu pai?
- Claro, o que mais ele poderia ser? Ah... na igreja vocês não aprendem isso. Eu sou o vilão, o ser do mau. Isso é realmente um absurdo. Mas deixe pra lá. Eu amo o meu pai, e Ele a mim, assim como eu amo ao meu irmão.
- Jesus...
- Isso mesmo. Mas vamos deixar isso de lado. Venha pecador, eu tenho muito a fazer com você.
- Espera.
O ser se volta para Roberts.
- Minha mulher. Helena.
- O que tem ela?
- Ela está correndo perigo! Ela pode morrer!
- E daí? Você não deve temer a morte. Ela vai chegar a qualquer hora.
- Mas ela deve estar sofrendo! Há dois ladrões, na minha casa. Você não pode fazer alguma coisa?
- Você quer vê-la, agora?- Fala Ele ajeitando o cabelo.
- Quero! Claro que quero!
E o belo mas esquisito ser estende o braço fazendo com que uma tela apareça e mostre o que está acontecendo no momento na casa de Roberts. Na tela aparece os ladrões jogando Helena na cama.
- Segure-a!
O Ladrão que havia matado Roberts segura os braços de Helena, ela continua gritando e chorando em desespero. O outro abre as suas pernas.
- Isso...isso.- fala ele lambendo os beiços. -Eu não via uma dessas há muito tempo.
- Eu também vou querer um pouco!- Disse o que estava segurando os braços dela.
- Depois...- ele começa a ofegar.- Primeiro eu quero ver como é o gosto dela!
Assistindo tudo aquilo Roberts perde a cabeça, ao ver o rosto do ladrão indo ao meio das pernas de sua mulher.
- Não! Seu desgraçado! Tire as mãos dela, Não!
- Ela não está sofrendo muito. Eu não sei como alguém poderia sofrer com isso!
Roberts ao escutar aquilo parte para cima Dele com raiva o segurando pela camisa.
- O que vai fazer? Vai me matar?- diz Ele com sarcasmo.
- Faça alguma coisa!
- Não, primeiro porque eu não posso, e segundo porque eu não quero.
- Você tem que fazer alguma coisa!
- Não, eu estou gostando, olha só como ela grita.
- Não! Por favor! Por favor!- a voz de Helena toma conta do lugar.
- Ela tem gosto de rosa também, hahaha! Agora vamos ver se a rosa é quentinha!
Roberts grita de raiva e dá um soco no ser de belas roupas.
- Hahahaha, isso solte toda a sua raiva, toda a sua ira Roberts de Orion! Você quer salvá-la?
- Quero!
- Mas eu ainda tenho que te castigar, e vou.
Com um gesto, ele faz a tela desaparecer.
- Bem, vamos ao que interessa, Roberts de Orion. Começando agora.
Roberts olha para o demônio com raiva e lágrimas descendo pelo seu rosto, que aparenta mais jovem.
- Como será que a sua mulher está? Bem, acho que agora aquele porco deve estar penetrando nela, e se deliciando com o seu ventre, e ela em tristeza e dor, está gritando o seu nome e pedindo por socorro, mas quanto mais ela grita o homem entra mais profundamente, em ardor e paixão. De um jeito bem brusco e selvagem. É meio impossível de imaginar que uma mulher com os olhos tão angelicais e uma feição tão doce esteja sendo abusada de pecado e violentada de um jeito tão brusco.
- NÃO!
- Ah, sim. Hahahahaha... Como está se sentindo Roberts, agoniado? Desesperado?
- Pare por favor!- diz ele se ajoelhando no chão com o rosto por entre as mãos e em soluços desamparados.
- Ta certo.- ele dá uma volta em Roberts pensativo e finalmente fala.- Eu tenho uma proposta a lhe fazer, Roberts de Orion. Você volta a viver, para salvar a sua amada, e continuar sua vida feliz para sempre.
- O que?
- Eu vou repetir, porque você está a ponto de escolher o seu pior castigo. Você vai voltar a viver para tirar Helena dos braços daqueles dois...
- Eu aceito!- interrompeu Roberts em desespero.
- Você não vai me deixar terminar?
- Apenas me mande de volta!
- Tem certeza?
- Tenho!
- Pois muito bem, você acaba de errar de novo, Roberts de Orion!
Ao final dessas palavras o Diabo estende o braço e se faz um clarão. Enquanto no quarto os dois ladrões abusam de Helena.
- Ela é uma maravilha.
- Eu também quero!
- Eu ainda não terminei! Aproveite os seios dela enquanto isso!
- Boa Idéia!
E quando ele ia rasgar a parte de cima da camisola de Helena, uma chama no canto onde Roberts havia morrido aparece, raios saem do chão e uma sombra aparece, e nela se forma um homem. Roberts. Ele sai das chamas, os dois saem da cama, Helena se recolhe toda e começa a chorar. Os olhos de Roberts brilham em vermelho, o fogo se apaga, ele não tem mais a cicatriz no pescoço.
- Mas como diabo você está vivo?
Roberts dá um sorriso perverso e não demora a atacar os dois. Pegando o que havia estuprado a sua mulher pela cabeça e jogando janela a fora. O outro tenta sair do quarto, mas a porta se fecha sozinha. Roberts pega esse homem e também o joga janela a fora. E depois ele mesmo pula para fora.
- Não olhe, isso não será bonito de assistir.- Disse ele olhando para a sua mulher.
Os dois ladrões estão prontos para atacá-lo. O que estuprou a sua mulher foi o primeiro a ir ao ataque novamente, e numa série de movimentos rápidos Roberts foi capaz de se esquivar, enfiar a sua mão no peito do ladrão e arrancar o seu coração, que ainda deu mais três batidas na sua mão. O corpo desse ladrão cai e Roberts esmaga o músculo que estava em sua mão. O outro aterrorizado sai correndo e some em meio à floresta de pinheiros que se seguia. Ofegante pela escuridão ele corre mais que pode, sempre olhando para trás para ver se alguém não estava atrás dele, mas já estava tão longe que tudo o que via era pinheiro e escuridão. Decidindo parar ele ofega em cansaço. De repente por trás dele uma mão o pega pelo ombro e o joga para cima. Voando mais alto por cima da floresta de coníferas ele grita desesperadamente. A lua está maravilhosa em seu esplendor e o céu cheio de estrelas. Ao cair o ladrão bate de cara no chão. Roberts vira o seu corpo agonizante com o pé. Se agacha e vê a cara deformada do homem. Pega ele pela gola e o joga violentamente contra um tronco de um pinheiro. O corpo praticamente sem vida cai como se fosse um boneco no chão. E novamente o pega e o joga para cima. O corpo cai violentamente no chão. Roberts novamente se agacha e comprova que o homem está totalmente quebrado e finalmente morto.
Helena está na cama em baixo dos lençóis olhando para tudo atenta e extremamente assustada. A porta se abre, e Roberts aparece, ela pula para fora da cama e chorando em desespero ela o abraça.
- Oh Roberts, eu estive tão assustada! Você está bem?- ela procura desesperadamente o ferimento no pescoço.
- Está tudo bem, meu amor, está tudo bem agora. Fique calma.
- Eu tive tanto medo.- fala ela desamparada.
No dia seguinte ele está tomando conta das vacas, quando uma voz chama a sua atenção.
- Foi bem impressionante o que você fez noite passada.
Roberts se vira e dá de cara com o Diabo.
- Você!
- Surpreso?
- Seus olhos...
- Eu tenho que me fazer de humano enquanto estou nessas terras.
- Eu gostaria de lhe agradecer.
- Tem certeza? Pelo o que?
- Ora, você me deu essa força extraordinária e eu a usei como se eu tivesse nascido com isso! Eu fechei a porta com a força do pensamento. É incrível! Muito obrigado!
- Quem bom que está satisfeito.
- Mas, você disse que esse seria o meu pior castigo.
- Bem, eu acho que estava enganado, se você está gostando, não é um castigo... sabe, não é porque somos Deuses que não erramos.- ele olha para cima e diz para o céu.- Não é seu maldito onipotente imbecil! Pelo menos eu sei que estou errado! Bem, eu já vou indo. Só passei para ver como você estava.
- Acho que as coisas só tendem a melhorar.
E de costas por cima dos ombros ele responde:
- Espero meu caro, espero... Ah, também espero que você aproveite a sua vida eterna.
- O que?
E o diabo some. Roberts alarmado sai do celeiro, olhando para os lados.
- O que? Que vida eterna?
Mas não obteve resposta, os anos foram se passando, e Helena foi envelhecendo, enquanto Roberts continuava do mesmo jeito, Helena morreu deixando Roberts desolado e totalmente infeliz. E se passaram os anos, ele viu todos os seus amigos morrerem. E ele percebeu que jamais iria poder se juntar a eles. Foi aí que ele percebeu o seu pior castigo.
Segunda Parte: Castlevania de volta a vida.
Numa outra casa que estava ao lado da dos Belmont, havia um senhor cortando lenha em cima de um toco de árvore. Ele colocava os pedaços de madeira em cima do toco, se ajeitava devidamente, levantava o braço com o machado e descia com toda a força para dividir em dois o pedaço de madeira. Enquanto ele trabalhava com os mesmo movimentos o céu que estava limpo se fecha com nuvens pesadas tapando o sol. O homem olha para cima com total estranhes.
- Mas ora vejam só.
Ele volta para dentro e quando vai para porta não consegue abrir. Novamente força a porta para abri-la mas não acontece nada. Então bate e chama por sua esposa. E finalmente a porta se abre, a casa está toda escura. Ele chama novamente.
-Muriel?- Chama entrando na escuridão da casa.
E na sua caminhada para dentro ele pára na cozinha, volta para uma pequena sala, e vai para os quartos, forçando as vistas para conseguir ver no meio da escuridão. E ao chegar no seu próprio quarto ele vê a sua mulher deitada na cama com os olhos brilhando em vermelho.
Minutos depois enquanto Allen, estava bebendo um copo de água na companhia de Roberts, sentado em sua cadeira eles conversavam sobre coisas que para os Belmont era necessário.
- Mas eu não encontro a certa.
- Isso é preocupante, Allen. Você precisa continuar com os sangue dos Belmont. Vocês são os guerreiros escolhidos por Deus para acabar com Dracula.
- É, eu sei, mas eu ainda não encontrei ninguém. Ninguém por quem eu realmente me apaixonasse.
- Só não encontra, porque não quer, por que eu não sei de uma mulher aqui da aldeia que não queira se casar com você...Afinal de contas você é um homem muito bonito.
- Mas sabe... nenhuma delas me chama a atenção, eu preciso de alguém que me conquiste, que seja extraordinária. As mulheres daqui da aldeia, são bonitas, claro, mas não há uma que desperte interesse. Eu não consigo...
- Mas isso é só uma questão de tempo meu amigo.
De repente entra pela porta um menino, ofegante de tanto correr, queria falar alguma coisa, mas não conseguia pela falta de fôlego. Allen o põe para dentro, e o senta numa cadeira.
- Acalme-se meu garoto, o que aconteceu?- perguntou Allen preocupado.
- Estão...- ele engole.- Estão precisando do senhor... um...demônio...na casa dos Lecarde.
Allen se levanta e olha para Roberts. Depois voltando a sua atenção para o pequeno ele diz:
- Espere um pouco que eu já volto.
Allen vai direto para o seu quarto, ao entrar ele fecha a porta por trás de si. E vai para um baú vermelho com detalhes dourados, e um desenho de um anjo de asas fechadas. Estendendo a mão por cima do baú ele fecha os olhos. E em volta de seu corpo uma chama azul se forma, e o baú se abre. Uma luz toma conta do quarto e de dentro do recipiente sai a arma que já destruiu por várias gerações qualquer força maligna que já esteve pela terra e principalmente a mais perigosa de todas, Dracula. E mais uma vez essa arma toma vida, feita de couro, negra como a noite, com a inscrição “Belmont” no cabo, se levanta a Vampire Killer e vai direto para a mão de Allen. Ele sai do quarto, e encontra os dois na sala.
- Estou pronto, vamos.
Minutos depois eles chegam na casa indicada pelo garoto. O céu está mais escuro, as nuvens estão mais negras, há relâmpagos.
- Vocês fiquem aqui fora. Eu vou sozinho.
- Tome cuidado.- disse Roberts segurando seu tridente.
Allen dá as costas e vai para dentro da casa. Lá dentro ele encontra o senhor que antes estava cortando lenha sentado na cadeira. Ele ao ver Allen se levanta imediatamente e com completo desespero vai falar o que havia acontecido. Allen manda ele ficar lá fora e esperar por ele que ia resolver isso tudo. E vai direto ao quarto. Olha para a porta que está aberta, mas está escuro dentro do quarto. Ao caminhar lentamente em direção ao quarto os seus sentidos ficam mais aguçados. Ao chegar perto da porta ainda não dá para ver nada. De repente aparece no chão uma escada que leva para baixo ao meio de mais escuridão. Allen olha para os lados, pega a sua Vampire Killer e a empunha e muito corajosamente vai descendo. A cada degrau é como se ele descesse quarenta e isso ele logo notou quando voltou a olhar para trás assim que se colocou em cima do segundo degrau, mal dava para ver a porta. Ele fechou os olhos e depois de um tempo ali parado disse.
- Luz!
E tudo se ilumina e mostra que é uma escada aparentemente sem fim. E é só a escada flutuando no nada, sem corrimão nem nada, ao ver Allen tomou um susto, porque quando olhou para baixo viu que a escuridão mostrava um buraco sem fim. Tomando fôlego decide continuar descendo. E assim fica, além de escuro o silêncio é perturbador. Ao se dar conta o jovem Belmont vê que estava descendo por horas e sem resultados. E quando olha para trás a porta está logo atrás dele de novo.
- Mas?
E ao voltar para a porta ela se distancia milhares de degraus dele. Do lado de fora o senhor que cortava lenha, Roberts e o garoto estão esperando a volta de Allen por horas, mas nada.
- Não dá, eu não posso esperar mais.- disse Roberts empunhando o seu tridente e entrando na casa também.
Ele entra chamando por Allen, mas não há resposta. Vai olhando para os lados para achar alguma coisa. E também segue para o quarto onde encontra a mesma coisa que o jovem guerreiro encontrara anteriormente, uma escada, mas que dava para cima. Ele olha para onde a escada dava, ele não conseguia ver o final. Então enchendo os pulmões põe o pé esquerdo no primeiro degrau e vai subindo. Sem olhar para trás ele vai se distanciando mais e mais.
Enquanto isso, Allen continua parado no meio da escada pensando no que fazer. Não há nada para lugar nenhum, nem a porta há mais. Ao se sentar em um degrau ele escorrega e cai para fora da escada, mas num reflexo sua mão o segura na escada fazendo com que ficasse pendurado. De repente ele sente seu pé encostar-se a alguma coisa, ele olha para baixo mas não há nada. Ele força o pé para baixo e ele se dobra como se estivesse nas pontas dos pés. Então com um pouco de receio ele larga a escada. Allen está de pé no meio do nada. E aquele vazio todo se transforma no quarto que devia ser desde o início. E logo na sua frente está deitada na cama uma mulher meio gordinha, com os olhos brilhando em vermelho.
Voltando para Roberts, ele continua andando, e quando olha para trás vê que está na entrada do quarto novamente. Allen está parado na sua frente, olhando para a mulher deitada na cama, ele se aproxima do rapaz com o chicote.
- O que está acontecendo aqui?- pergunta ele encarando os olhos vermelhos da mulher deitada na cama.
Allen não o responde e continua a encarando. E finalmente fala:
- Quem é você?
Sorrindo a mulher responde.
- Um mensageiro.
- Mensageiro?
- Sim, você é o escolhido Allen Belmont.
- Escolhido para que?
- Olá Roberts! Como está? Sentindo falta de Helena?
- Seu demônio maldito!- fala Roberts com raiva.
- Ora acalme-se você não é diferente de nós agora. Como posso dizer... temos o mesmo brilhos no olhar!
Os olhos da mulher brilham e os de Roberts também.
- Você, Roberts de Orion, não passa de mais um empregado, de mais um servo ao demônio. Pare de resistir, e junte-se a nós.
- Nunca!- Grita ele voando para cima da mulher.
- Roberts não!
Da boca da mulher sai uma nuvem negra em forma de gente e vai ao encontro de Roberts. Ela desmaia. Os dois se agarram pelos ombros depois caindo na cama e rolando para o chão. Ao ficarem de pé a nuvem se faz sólida e mostra um homem, de cabelos compridos e negros, belo, porém não é o diabo é apenas um servo. Na verdade ele é meio parecido com Roberts.
- Veja por outro lado meu irmão! Isso não foi um erro. O seu desejo não foi um erro, nunca foi. Você está servindo ao mais poderoso.
Roberts grita em raiva e o joga para fora do quarto, só que não há janela, então o único meio é a parede... Roberts fora de si parte para cima como um animal. Allen sai correndo atrás dos dois. Lá fora Roberts voa para a direção do demônio e crava a sua mão na sua garganta e o levanta do chão até que seus pés não consigam tocar o solo.
- Muito bom, mas consegue fazer isso?
O demônio desaparece e aparece por trás de Roberts, crava sua mão na sua coluna. Roberts grita de dor. Sendo levantado logo em seguida é lançado contra o chão. Uma chama vermelha envolve o corpo do demônio que caminha em sua direção e se agacha pegando seus cabelos.
- De um aviso ao seu querido amigo Belmont.
O demônio está pronto para esmagar o pescoço de Roberts, quando Allen aparece por trás e envolve o pescoço do mesmo com sua Vampire Killer, soltando um grito de dor, seu pescoço começa a fumaçar.
- Qual é o recado?- diz Belmont apertando mais o pescoço.
- Cas...Cas... Castlevania...ela...está viva!
- Obrigado!- Fala Belmont cerrando os dentes e passando sua Vampire Killer decapitando
demônio, sua cabeça cai para um lado e o corpo para o outro, depois se evapora em uma enorme chama azul.
Allen se senta na grama, e o céu volta a ficar limpo e o céu mostra o seu azul perfeito novamente. Roberts se senta ao lado de seu salvador.
- Obrigado.